Saiba como minimizar os riscos causados pelos agrotóxicos na alimentação Roberto Scola/Agencia RBS

Pimentão lidera a lista de alimentos mais contaminados

Foto: Roberto Scola / Agencia RBS

Em meio à luta de algumas entidades para diminuir a quantidade de agrotóxicos nos alimentos, o Diário Catarinense lista os efeitos causados pelo produto na saúde, formas de evitá-los e os campeões de contaminação. Veja abaixo:  

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Efeitos à saúde

Mudam de acordo com o tipo de agrotóxico. Os problemas listados são identificados com mais frequência e gravidade nas pessoas expostas diretamente ao produto, como o agricultor e família, e com menos frequência na população que ingere os alimentos em geral. De qualquer maneira, como explica a professora da UFSC Sônia Corina Hess, todos estão expostos aos riscos, principalmente pela possibilidade de ingestão de água contaminada.

Agrotóxicos mais consumidos no Brasil:

Glifosato: é o mais utilizado, representando 43,8% dos agrotóxicos consumidos. Estão relacionados ao glifosato câncer, Alzheimer, má formação congênita, desregulação hormonal e autismo em crianças.

2,4D: é segundo mais utilizado, representando 7% dos agrotóxicos consumidos no país. Na fabricação, há possibilidade de formação de dioxinas, que ficaram conhecidas por fazerem parte do agente laranja, herbicida usado na Guerra do Vietnã. Os danos à saúde humana incluem cânceres; efeitos reprodutivos e no desenvolvimento; deficiência imunológica, diabetes mellitus, níveis de testosterona e do hormônio da tiroide alterados, danos neurológicos em recém-nascidos de mães expostas, incluindo alterações cognitivas e comportamentais e danos ao fígado e à pele.

Paraquate: exposição direta e frequente causa problemas pulmonares, que levam à morte, além de feridas na boca e na traqueia.

Organofosforados: produtores rurais expostos repetidamente a estas substâncias podem apresentar memória prejudicada e perda de concentração, depressão grave e psicose aguda, irritabilidade, confusão, apatia, instabilidade emocional, dificuldades de fala, dor de cabeça, desorientação espacial, reações atrasadas, sonambulismo, sonolência ou insônia.

Saiba como minimizar os riscos à saúde 

A professora da UFSC afirma que não há como fugir da ingestão de agrotóxicos nas culturas tratadas. Mesmo lavando frutas e legumes, resquícios do produto permanecem no interior do alimento. Para a pesquisadora, a única recomendação possível é comer somente vegetais orgânicos.

No supermercado:
- O programa de rastreabilidade lançado pela Associação Catarinense de Supermercados (Acats), que em cada produto disponibiliza um código para ser lido pelo smartphone do consumidor, indicando o caminho que o alimento fez até a chegada às gôndolas, também controla o fornecimento de frutas, legumes e verduras com resíduos de agrotóxicos dentro dos limites estabelecidos pela Anvisa. 
- O MP também fiscaliza a rastreabilidade descrita no rótulo do produto.
- Grandes redes de supermercados, com 40 lojas no Estado, comprando de 360 fornecedores catarinenses e 500 de fora, estão no programa. Para comprar um alimento seguro, procure pelas redes: Angeloni, Hippo, Martendal, Santos, Passarela, Della's Fruti, Koch, Giassi, Imperatriz (iniciando implantação), Direto do Campo, Nardelli e Mercado Rosa (iniciando).

Em casa:
- Lave bem os vegetais e frutas com água corrente, até mesmo os que serão descascados
- Dê preferência aos alimentos orgânicos
- Coma sempre vegetais e frutas variados para evitar a exposição contínua e excessiva a um mesmo princípio ativo (os diferentes tipos de plantio exigem agrotóxicos específicos)
- Descarte a folhagem externa de alfaces, repolhos e vegetais semelhantes
- Remova a gordura e as peles das carnes para reduzir a ingestão de resíduos de agrotóxicos que possam ter se acumulado nesses tecidos

Fonte: Ministério da Saúde e professora Sônia Corina Hess, da UFSC


Veja os 10 alimentos campeões em agrotóxicos  (por amostras reprovadas)

Pimentão: 91,8%
Morango: 63,4 %
Pepino: 57,4%
Alface: 54,2%
Cenoura: 49,6%
Abacaxi: 32,8%
Beterraba: 32,6%
Couve: 31,9%
Mamão: 34,4%
Tomate: 16,3%

Fonte: Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos da Anvisa

DIÁRIO CATARINENSE
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