Embora Santa Catarina preveja um aumento de 20% a 30% no número de turistas na temporada de verão 2015/2016, a expectativa para quem busca uma vaga temporária de emprego no comércio durante este período não é tão boa. Levantamento preliminar feito pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-SC) mostra que os setores devem contratar até 50% menos trabalhadores entre outubro e fevereiro, em comparação com o mesmo período do ano passado.

O turismo é o setor que proporcionalmente mais vai contratar nesta temporada em comparação à de 2013/2014, mas a alta não é suficiente para equilibrar as contratações dos demais.

Somente no comércio, o número de vagas deve ser a metade do registrado na temporada passada, segundo estimativa da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado (FCDL/SC). No ano passado, a entidade contabilizou 16 mil funcionários sazonais. Neste ano, espera 8 mil.

Mesmo pouco estimulante, o cenário catarinense ainda segue à frente do nacional. Segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 88% dos empresários do país não contrataram nem pretendem contratar temporários para a temporada de verão.

No Estado, mesmo a dois meses do fim do ano, as expectativas ainda são pouco precisas e baseiam-se na percepção dos comerciantes e empresários, uma vez que há ainda poucas contratações já realizadas. Mas o sentimento é parecido: com instabilidade econômica e desemprego, as compras de fim de ano devem ter um resultado aquém do ano passado.

— Toda a movimentação está sendo afetada diretamente pelo aumento na taxa de juros, pela redução no acesso ao crédito (que é fundamental para o comércio) e pela inflação elevada, que tem reduzido bastante o poder de compra da população — opina Luciano Córdova, analista econômico da Fecomércio-SC.

A retração no volume de vendas afeta não apenas a contratação sazonal, mas também a efetivação de funcionários pós-temporada. De acordo com a Fecomércio, tradicionalmente 20% por cento dos temporários acabam efetivados depois do verão. Para 2016, entretanto, esse número deve cair para 15%.

Câmbio ajuda a atrair visitantes

Diretor-presidente do sindicato dos empregados temporários de SC (Sineecatt), Valmor Belegante estranha quando é questionado pela reportagem sobre as perspectivas de contratações temporárias na temporada.

— Contratações? Está tudo congelado, a probabilidade maior é que ocorram demissões, reduções da jornada ou férias coletivas logo após o pico da temporada (Natal e Ano-Novo). Basta circular no feriado e ver quantos estabelecimentos ficarão abertos, como ocorreu nos anos anteriores.

Já o diretor do Federação dos Trabalhadores no Comércio em SC (Fecesc), Ivo Castanheira, é um pouco mais otimista: espera que o poder de compra dos argentinos dê o gás extra que os lojistas catarinenses precisam no verão — mesmo que não seja o suficiente para "salvar" a temporada. Ele ressalta que, independente do resultado, as contratações devem se manter dentro da lei e sem diferenças expressivas quando comparadas aos rendimentos de funcionários fixos.

— Mesmo arrecadando pouco, o que é pago ao temporário não pode destoar do valor no mercado. Senão o empregador não consegue ninguém — aponta.

Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Estado (Abrasel-SC), Fabio Queiroz, o câmbio alto deve ajudar a impulsionar o turismo dentro do país _ além de tornar Santa Catarina mais atrativa para visitantes do exterior. Como a maioria dos empresários enxugou as equipes durante o ano, vai precisar reforçá-las novamente para o verão. A estimativa é de 10 mil vagas temporárias no setor no Litoral de SC.

— Por mais que estejamos em um ano de crise, a temporada será muito forte. Com isso, a contratação para o verão deve ficar no mesmo patamar do ano passado — diz Queiroz.

O cenário deve afetar também a efetivação de funcionários. De acordo com a Fecomércio, o percentual após o verão deve cair de 20% para 15% em 2016.

Setor rural se mantém estável

Embora o setor agropecuário também tema uma retração nas vendas por conta do esfriamento econômico, a colheita da maçã na Serra catarinense deve se manter estável em relação ao ano passado. Municípios mais representativos do setor, Fraiburgo e São Joaquim _ junto com demais cidades da região — esperam chamar até 7,5 mil temporários para atuarem diretamente no campo. Os números foram apresentados pelos prefeitos das duas cidades em uma audiência pública chamada pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, em Brasília.

O cultivo de maçã é o setor rural que mais contrata temporários no verão por conta da sazonalidade da produção, que aumenta expressivamente a necessidade de mão de obra entre o fim de janeiro (quando se inicia a colheita da maçã gala) e abril (quando termina a fuji). Entidades ouvidas pela reportagem explicam que outras plantações no Estado já teriam alcançado certa estabilidade e, mesmo que contratem temporários, o fazem em proporção bem menor.

Secretário-adjunto da Secretaria da Agricultura e Pesca de SC, Airton Spies ressalta que a produção anual de maçãs não costuma ser instantaneamente afetada por instabilidades econômicas porque a estrutura se mantém a mesma entre uma temporada e outra. Ou seja, a colheita deve ser realizada entre janeiro e abril — esteja o cenário bom ou ruim para o comércio da fruta.

— O número de pomares é o mesmo, e a colheita deve ser feita. Mas há possibilidade de redução nos ganhos — comenta.

Atualmente, Santa Catarina produz aproximadamente 600 toneladas por ano, representando 50% das maçãs do Brasil. A maior parte delas vem da Serra catarinense. Com a alta do dólar e enfraquecimento da economia interna, produtores já têm buscado formas de intensificarem o comércio com os países vizinhos.

DIÁRIO CATARINENSE
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