Tratamento em tom de brincadeira com os bonecos sexuados  Diorgenes Pandini/Agencia RBS

Artesã é quem produz os bonecos

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Bonecos de pano, com os pelos pubianos e os órgãos do aparelho reprodutor. No primeiro momento, eles podem causar espanto para quem não está acostumado a ver um brinquedo com sexo. Apesar disso, eles são o principal canal de comunicação entre crianças e adolescentes em consultórios médicos e no contato com os profissionais da educação.

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Em 2014, Marilita Duarte e Silva deixou o ofício de promotora de vendas e passou a dedicar-se exclusivamente a produção dos bonecos sexuados da família terapêutica. Aos 50 anos de idade, a artesã gaúcha tem pedidos em todo o Brasil e também vende para o exterior.

— Comecei em 2010 através de uma solicitação de uma amiga que é psicóloga. Foi difícil no início, porque havia um tabu, mas fui em um congresso e os pedidos começaram a surgir. Hoje, vendo mais para as cidades de São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF), do que propriamente na região da Grande Florianópolis — contou.

Família terapêutica tem sete integrantes

A moradora do bairro Jardim Atlântico, em Florianópolis, também negociou com profissionais em Portugal, França e Israel. Normalmente, Marilita produz sozinha no ateliê improvisado em um dos cantos da sala de seu apartamento.

— Consigo confeccionar em média uma família terapêutica por dia. Todos precisam ter peças de roupas, que possam ser retiradas uma a uma conforme a solicitação da psicóloga, além dos acessórios como cadeira de rodas ou muletas — lembrou.

Marilita improvisou o ateliê em casa

A família terapêutica tem sete integrantes. São três filhos, sendo duas crianças e um bebê, pai, mãe, avô e avó. Eles custam R$ 245 e são adquiridos através do blog e de uma rede social.

Diferenças entre pais, avós e crianças

A ideia dos bonecos sexuados foi da psicóloga Márcia Godinho Marques, 49 anos, amiga de Marilita desde Pelotas (RS). Ela sugeriu à artesã a confecção dos brinquedos com os sexos masculino e feminino. Ela foi mais longe e desenvolveu uma família: com os filhos, os pais e os avós. Eles são diferentes pelas cores do cabelo, dos pelos pubianos e nas expressões.

— As crianças precisam identificar as diferenças entre os bonecos. Uma delas é que alguns não têm pelos e em outros eles são brancos ou da cor dos cabelos. Além da família tradicional, também criamos os brinquedos com lábio leporino, gordinhos, cegos, com diferentes tons de pele e tipos de cabelo, entre outros — revelou.

Além dos bonecos, Marilita também produz animais domésticos e árvore genealógica, que custa R$ 255.

Vida recomeçou aos 50

Aos 50 anos, quando quase todos só pensam na aposentadoria, Marilita Duarte e Silva abraçou uma nova profissão. Ela levou cinco anos na transição entre deixar a função de promotora de vendas para abraçar o artesanato. Ele revelou que teve receio, mas tomou todos os cuidados.

— Fui promotora de vendas há 10 anos e a mudança não foi fácil, porque a clientela é um pouco específica. Lembro da minha primeira exposição na Fenaostra onde os bonecos causaram as mais diferentes reações. O bom é que tive o apoio do Sebrae para montar o meu negócio — observou a proprietária do Ateliê Maricota.

Apesar de trabalhar por conta própria, Marilita tem uma carga horária superior a de uma promotora de vendas. Ela costura por mais de oito horas diárias e trabalha quase todos os dias.

Detalhes fazem a diferença no consultório

A psicóloga Márcia Godinho Marques foi quem incentivou Marilita a produzir os bonecos sexuados. No início, a médica também foi a responsável pela comercialização de algumas famílias terapêuticas com os colegas. A profissional de saúde informou que, até então, trabalhava com brinquedos de madeira.

— Os bonecos de pano, com roupas e com os aparelhos reprodutores masculino e feminino auxiliam quando precisamos acessar uma criança através do lúdico. Meu objetivo é reproduzir situações diárias, que as crianças passam a contar as suas histórias através dos bonecos e dos animais de estimação de pano — afirmou a médica.

Médica comprova a eficácia dos brinquedos Foto: Charles Guerrra 

Márcia revelou que já utilizou os acessórios com os adultos. Ela contou que os brinquedos ganharam a sensibilidade da amiga artesã.

— Dentro da disponibilidade, sensibilidade e capacidade criativa, a Marilita trouxe detalhes às peças e isso faz a diferença dentro do consultório — comemorou.

Contatos:
Facebook - Ateliê Maricota Família Terapêutica
Blog - ateliemaricotafamiliaterapeutica.blogspot.com.br

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