Cânions no Sul do Estado são território de cachoeiras e aventuras Marco Favero/Agencia RBS

Final da trilha do Cânion Da Pedra, em Jacinto Machado, Santa Catarina

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Atravessar o cânion da Pedra, em Jacinto Machado, no Sul de Santa Catarina, é submeter-se à força avassaladora da imensidão verde da mata e dos morros por todos os lados. É render-se ao eterno fluxo do rio de água pura e cristalina, que molda pedras, cachoeiras, piscinas naturais e que também irá lavar quem por ali passar. Pelos quatro quilômetros de caminhada pelo leito do rio, ficam para trás todas as referências de comparação, o lugar é novo. E então o silencioso convite para não mais passear e sim aceitar o verbo "estar". Diante da cachoeira Ana Schiratta existe apenas você e a sua própria natureza.

Durante as cinco horas de caminhada que antecede a cachoeira Ana Schiratta, as expectativas se confirmam e preparam o trilheiro para o êxtase final. O dia é repleto de banhos de cachoeira, saltos em piscinas onde é fácil se divertir como uma criança no paraíso. É uma constante tirar a camiseta e largar a mochila para um mergulho em um lugar novo. E até mesmo nos lugares onde o Rio Pai José se infiltra sob seu próprio leito, deixando os seixos expostos à secura e batizando o cânion, a paisagem encanta.

Mas ao longo do percurso a forma como se observa e se aproveita o lugar ganha novas perspectivas. No início, o calor de verão é intenso e os banhos de rio são em sequência. Aos poucos o espírito de diversão se sacia e a imponência da beleza do final da trilha, aos pés da cachoeira, deixa quem a contempla acomodado. O silêncio das vozes perde espaço para o som da água, e a maior vontade é observar e absorver aquele raro instante. A sensação é de fazer parte de algo maior.

Leia mais notícias do DC pelas Praias
Conheça mais sobre os cânions no Sul do Estado
Fuja do litoral e encare um rapel em Anitápolis
Veja o nascer do sol no Morro dos Conventos em Araranguá

Região de aventuras

A Serra Geral com seus paredões de mil metros de altitude, que cercam o horizonte e te engolem com suas fendas imensas cobertas de mata, oferece um cardápio de trilhas no extremo Sul do Estado de Santa Catarina. O cânion da Pedra fica no limite Norte do Parque Nacional da Serra Geral, e o topo dos paredões marca a divisa com o Rio Grande do Sul, lá em cima no planalto é território gaúcho, ali junto ao rio é catarinense.

A região tem diversos cânions e os mais famosos e visitados são a Trilha do Rio do Boi, que percorre o interior do cânion Itaimbezinho, e a Trilha do Tigre-Preto, no interior do cânion Fortaleza, pertencentes ao Parque Nacional Aparados da Serra e Parque Nacional da Serra Geral, respectivamente. A área onde está o cânion da Pedra está sob tutela da família Ronsani, que só permite a entrada de turistas se acompanhados por um guia credenciado.

— Esse, apesar de ser menos vendido, é meu cânion preferido. Tem mais aventura, mas a trilha é mais difícil — explica o guia Sérgio Lopes.

Nenhuma trilha na região é fácil, mas uma pequena escalada, obrigatória para quem quer chegar até a cachoeira Ana Schiratta, e um trecho bastante estreito entre duas paredes de pedra tornam o cânion da Pedra mais desafiador. Além disso, são oito quilômetros de caminhada, ida e volta, pelo leito do rio, ascendendo aproximadamente 400 metros de altitude. Atividade que demora entre 8 horas.

Trilhas exigem guias para segurança

O Parque Nacional da Serra Geral, que envolve o de Aparados da Serra dentro do seu território, está entre as cidades de Cambará do Sul (RS), Praia Grande e Jacinto Machado em Santa Catarina. Ao todo são 300 km² de área preservada, onde se pode conhecer os cânions pelo território gaúcho e observar as fendas do alto ou fazer trilhas pelo interior deles em Santa Catarina.

Nenhuma das trilhas no interior dos cânions pode ser feita sem o acompanhamento de guias. Quedas e escorregões ocorrem mesmo entre os mais experientes. Mas também há cobras venenosas como a jararaca na região e o risco de enchentes repentinas. Por estar entre dois morros íngremes, toda a água deságua no rio e se a tempestade é muito intensa o nível do rio sobe rápido.

Para operar na região, os guias passam por diversos treinamentos e experiências antes de assumir a responsabilidade de guiar um grupo. Cursos de primeiro socorros, rapel e orientação turística. Mas mesmo com essa atenção é necessário que cada um cuide de si.

- A dica mais básica é quando caminhar, apenas caminhe. Não tire fotos ou se distraia porque tropeçar é muito fácil - recomenda Lopes que acrescenta que fraturas de dedos e braços são os acidentes mais comuns.


 DC Recomenda
 
 Comente essa história