No Dia Nacional de Bike ao Trabalho, inspire-se com histórias de quem deixou o carro e só se deu bem Felipe Carneiro/Agencia RBS

Marília utiliza a bicicleta como meio de transporte diário desde fevereiro - e não pretende largá-la

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Morar em um dos pontos mais altos de Florianópolis, ter dois filhos pequenos e trabalhar em horário comercial não são impedimentos para a secretária Marília Lhullier Costa, 40, usar a bicicleta como meio de transporte diariamente. São em média trinta minutos para ir e outros trinta para voltar entre a sua casa, no bairro Pantanal, e o escritório, no Centro, em um trajeto de oito quilômetros que acumula trechos íngremes, planos, com ciclovia, em rodovia e até ao lado do mar. A conscientização acerca dos benefícios desse estilo de vida é o objetivo do Dia Nacional De Bike ao Trabalho, comemorado no Brasil nesta sexta-feira, 13, e que registra ações pelo país.

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Marília usa a bicicleta faça chuva ou faça sol. À noite, antes de dormir, ela separa as roupas — uma para pedalar, outra para trabalhar —, o tênis, o capacete e a garrafinha de água. Quando os primeiros raios de sol surgem, ela já está em cima das duas rodas. Atinge o ápice do gasto energético na ciclovia da Beira-Mar Norte, quando chega a imprimir 40 quilômetros por hora e deixa para trás as filas de carro. 

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Mas ela não deixa a bicicleta na clínica onde trabalha. Desde fevereiro, a secretária é cliente do Eu Vou Floripa! Park'n Shower, um espaço que oferece banheiros com duchas e toalhas, vestiário, estacionamento, café da manhã self-service e manutenção das bikes por planos mensais que variam entre R$ 99 e R$ 195.

— Só assim comecei a usar a bicicleta todos os dias para ir e voltar do trabalho. Antes eu temia pela segurança do prédio para deixar a bicicleta e também não tinha um espaço para me arrumar. Aqui é um incentivo. Consigo fazer um exercício físico sem deixar meus filhos de lado, porque é o horário que o pai os leva na escola, e me livrar do trânsito caótico — explica enquanto se encaminha para uma das duchas do espaço que tem cara de start-up. 

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Criada no fim do ano passado, a empresa de João Felipe Frandalozo tem capacidade para atender diariamente 120 ciclistas e, atualmente tem um terço preenchida, mas já mira a expansão para um escritório na Trindade: 

— Antes se tinha uma ideia de que a bicicleta só era utilizada por quem era pobre e ainda bem que isso está mudando e que mais pessoas tem aderido. É uma cultura nova, que é bom para todo mundo, principalmente para a qualidade de vida. Basta que todos se respeitem. 

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Não há estatísticas oficiais, mas estima-se que milhares de pessoas fazem esse caminho de dispensar o carro ou o transporte público para aderir à "magrela". Os motivos são variados: atividade física, preocupação com o meio ambiente (bicicleta não emite gases poluentes à atmosfera), e com a mobilidade urbana.

— Eu uso [a bicicleta] há bastante tempo, mas não como agora, vindo e voltando do trabalho todo dia. Exige um preparo, mas vale muito a pena. Antes eu deixava a bike estacionada atrás da mesa do escritório, dava um jeito, agora deixo aqui — conta o funcionário público Gilson de Oliveira, 54.

Insegurança no trânsito ainda preocupa

Em uma pesquisa de mercado encomendada antes de abrir o próprio negócio, Frandalozo viu que a grande maioria dos entrevistados gostaria de utilizar a bicicleta diariamente nos deslocamentos, mas que isso não acontecia por dois motivos: falta de um espaço para a higiene pessoal e insegurança no trânsito. Superado o primeiro desafio, a hostilidade perante os veículos maiores ainda permanece. O sócio-fundador da startup Aquarela, Joni Hoppen, 33, usava a bike como meio de transporte diariamente há dez anos, mas a insegurança no trânsito fez com que ele diminuísse o ritmo recentemente. 

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— Sempre vi como uma forma prática que te dá saúde "de carona", mesmo sem infraestrutura de ciclovias. Mas ultimamente está muito perigoso. Somos "fechados" pelos carros diariamente, vemos mortes... O governo fala da SC-401 como espinha dorsal da inovação, mas a rodovia vem sendo a espinha dorsal da morte. 

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O Centro de Inovação da Associação Catarinense das Empresas de Tecnologia (Acate), onde a startup está alojada, e o Espaço Primavera Garden, em Florianópolis, oferecem como benefício aos funcionários um estacionamento para bicicletas — totalmente sem custo e, por isso, vantajoso frente aos R$ 150 mensais para carros —, além de chuveiro e vestiário. As obras de reforma e ampliação da estrutura, inclusive do bicicletário, começaram nesta semana e devem se estender até julho. 

— Faz parte do perfil empreendedor do espaço levar em conta essa questão de sustentabilidade e convivência em espaços urbanos saudáveis — explica a consultora de marketing Eloiza Besouchet.

A data — O Dia Nacional De Bike ao Trabalho é inspirado no Bike To Work Day, um evento anual realizado em várias partes do mundo para promover a bicicleta como uma opção de transporte para o trabalho. O evento começou nos Estados Unidos com o nome Bike To Work Day , em 1956, a partir da League of American Bicyclists. 

No Brasil, é realizado na segunda sexta-feira de maio desde 2013 pela Bike Anjo. Em Santa Catarina, a única ação prevista acontece em Florianópolis, com a abertura do espaço Eu Vou Floripa! Park'n Shower para 30 pessoas experimentarem os serviços de estacionamento, chuveiro, café da manhã e manutenção da bicicleta. 

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