Em tempos em que a merenda escolar tem aparecido no noticiário nacional por motivos não muito nobres, um grupo de pesquisadores da Univali, em Itajaí, lança uma plataforma online pela qual será possível, por exemplo, que o pai de um aluno saiba o cardápio da semana, quem são e onde estão os produtores dos alimentos

Alexandre Lerípio e Daiana Censi Lerípio da Sumá: startup quer conectar agricultores com nutricionistas das escolas Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

A plataforma, chamada Sumá, tem o objetivo de conectar demanda e oferta, num processo transparente de fornecimento de merenda. De um lado, os agricultores familiares se cadastram e informam quem são, onde estão e o que estão produzindo. De outro, nutricionistas das escolas fazem cardápios tendo como base essas informações. Ao mesmo tempo, os pais têm acesso a essas informações quando quiserem.

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A ideia partiu da provocação de um colega de um dos idealizadores, Alexandre Lerípio, que é professor e pesquisador da Univali, ao ver uma reportagem do Diário Catarinense em 2012. O texto denunciava um caso de contaminação em merenda escolar:

–Meu amigo comentou: poxa, você que já fez tanta coisa dentro da agricultura familiar, não consegue achar uma solução para isso?

Embora algumas partes do Sumá já tenham sido testadas, o projeto-piloto deve ser lançado em julho. Lerípio espera que a prefeitura de Itajaí seja a primeira parceira.

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A nutricionista Jaqueline Maffezzolli, que trabalha há um ano e oito meses na prefeitura de Itajaí, acredita que o projeto pode ajudar no processo de elaboração dos cardápios, ainda que o município não tenha dificuldade de atingir a meta de 30% de compra de agricultores familiares exigida por lei. Hoje, três nutricionistas administram 115 unidades escolares em Itajaí, de creches a educação de jovens e adultos (EJA).

– É uma forma também de termos alimentos mais frescos – ressalta.

Dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) de 2014 mostram que enquanto alguns municípios do Estado superaram a meta, como Jaraguá do Sul, com mais de 81% do orçamento de merenda destinado à agricultura familiar, outros, como Bom Jardim da Serra e Santo Amaro da Imperatriz, ficaram no zero.


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