Empresas com presença feminina em cargos de liderança registram maior lucratividade, diz estudo Rodrigo Philipps/Agencia RBS

Porto de Itapoá vai começar a estimular mulheres na liderança.

Foto: Rodrigo Philipps / Agencia RBS

Faz tempo que a maior dificuldade das mulheres já não é acessar o mercado de trabalho. A questão agora é competir em pé de igualdade com os homens em cargos de liderança. Se a pressão da sociedade por mudanças nesse sentido não é o bastante, os empresários podem ser convencidos pelo lado que lhes é mais caro, o bolso.

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Empresas que colocam mulheres em pelo menos 30% dos cargos de liderança têm seus lucros elevados em até 15%. O dado é de um amplo estudo feito pelo Peterson Institute para Economia Internacional em parceria com a consultoria EY, divulgado neste ano, que pesquisou 22 mil companhias em 91 países.

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Outros estudos apontam na mesma direção. A McKinsey & Company levantou dados em 95 países e concluiu que empresas com pelo menos uma mulher no comando – presidência ou vice-presidência – podem aumentar a margem de lucro em até 47%. Os dados levados em conta são de 2014, mas o estudo foi divulgado em 2016 (veja gráfico ao final da matéria).

O estudo da McKinsey foi além e calculou o impacto global. Ao considerar um cenário ideal, em que mulheres e homens têm as mesmas oportunidades de participação no mercado, o PIB mundial teria um adicional de US$ 28 trilhões no período entre 2014 e 2025. Esse valor é equivalente às economias da China e dos Estados Unidos somadas hoje.

A conclusão é que a variedade de estilos de liderança e de ideias impulsiona as companhias, principalmente porque visões de homens e mulheres se complementam. Além disso, os jovens desta geração, mais do que pensar em quanto vão ganhar, querem saber em que tipo de empresa vão trabalhar. Eles valorizam, por exemplo, ambientes em que há diversidade.

– Ter mais mulheres nas empresas ajuda na atração e na retenção de talentos porque é um valor mais procurado pelos millennials (nascidos após 1980) – explica Margareth Goldemberg, gestora executiva do Movimento Mulher 360 (MM360), organização sem fins lucrativos que promove o aumento da participação feminina no ambiente corporativo. 

Falta de reconhecimento e apoio

Contrariando as vantagens, as empresas brasileiras ainda têm baixa participação de mulheres em altos cargos. O Fórum Econômico Mundial faz um ranking do comportamento de gênero em 145 países. O Brasil aparece na 85a posição. A estimativa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o ambiente empresarial brasileiro é que apenas 13,5% dos cargos de liderança são ocupados por elas.

E por que, afinal, elas não chegam lá no alto? Um outro estudo, da Bain&Company, feito em 2014, levantou os motivos. O resultado refuta a ideia de que questões de maternidade e casamento têm grande peso. Inclusive, a importância dada a esses temas é parecida entre homens e mulheres. O motivo de as mulheres não crescerem, conforme concluiu a pesquisa, é a falta de reconhecimento e apoio de gestores quando elas ainda estão no meio da carreira, alguns passos antes de se tornarem líderes. Esse ambiente acaba desestimulando. A falta de outras mulheres em posições importantes, que poderiam servir como inspiração, também pesa.

– Às vezes, há um certo equilíbrio quando entram na empresa, mas, conforme isso avança, o quadro se inverte até que a gente tenha algo como 3% de mulheres em cargos de CEOs no país – comenta Margareth.

Apesar do cenário, a gestora executiva do MM360 é otimista. Para ela, as empresas brasileiras têm, gradativamente, se importado mais com o tema. Gigantes como Unilever e Nestlé têm programas específicos voltados para isso. A Natura, em seu processo de seleção para cargos de liderança – diretoria e acima –, busca ter ao menos uma mulher entre os candidatos finais. A meta da fabricante brasileira de cosméticos é ter 50% de mulheres nos cargos de liderança até 2020, com equidade salarial. Atualmente, esse índice está em 32%, pode parecer pouco, mas está bem acima da média do mercado.

Uma vez que passam a aplicar mudanças na gestão para atrair e reter mulheres, algumas companhias podem começar a ver os primeiros resultados em um ano, mas em geral o processo é mais lento, já que se trata de algo implantado passo a passo. É preciso elaborar um diagnóstico do quadro de funcionários da companhia, definir metas, engajar lideranças, entre outras ações.

Para trabalhar o assunto dentro da empresa, há uma grande lista de possibilidades, desde treinar recrutadores até estabelecer uma comunicação clara com gestores de que a questão é um valor fundamental para a empresa. Paralelamente, é importante desenvolver ou aperfeiçoar algumas características nas mulheres.

– Os homens saem juntos para jogar golfe e beber uísque, e é quando eles fazem networking, que é uma coisa superimportante. Então as mulheres têm que achar as formas delas para fazer isso – exemplifica Margareth.

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