Painel do JEWC elenca quatro passos para uma política transformadora Eduardo Pacheco/Divulgação

Foto: Eduardo Pacheco / Divulgação

O desejo de fazer um país diferente permeou o painel "Política, Desenvolvimento e o Futuro do Brasil", que ocorreu na tarde de quinta-feira, como parte da programação da Conferência Mundial de Empresas Juniores (Junior Enterprise World Conference - JEWC). O evento segue até o próximo dia 23 no Centro de Convenções Luiz Henrique da Silveira, em Canasvieiras, em Florianópolis.

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No encontro, cinco especialistas em empreendimento e política destacaram a importância do engajamento dos cidadãos comuns no setor político. O professor de Direito e Economia e diretor executivo da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS), Marcos Campos, exemplificou que, na Inglaterra, 75% dos jovens queriam que o país continuasse integrando a União Europeia. Mas menos de 50% deles compareceram à votação. Isso provavelmente porque, naquele mesmo dia, houve um show de rock que atraiu esse público.

- Essa ausência à votação, que fez com que o resultado do plebiscito apontasse a saída do país da UE, pode custar caro para muitos desses jovens. Se não participarmos da política, alguém vai participar - destacou.

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Ele acredita que, nesse caso, além da falta de comprometimento, houve também falta de informação de modo que, no dia seguinte à votação, pesquisas sobre a União Europeia lideravam nos sites de busca.

Por situações como essa, Marcos e os demais painelistas defenderam uma ativa participação de todos os cidadãos comuns na política.

- Sem nosso engajamento, não haverá uma política transformadora - complementa Júlio Moura Neto, com 40 anos de atuação no setor empresarial e integrante de associações do setor.

Nesse sentido, os palestrantes defenderam o engajamento de todos e debateram quatro ações principais que devem ser compromisso dos setores na sociedade rumo à uma política transformadora no país. As propostas passam pela fiscalização das ações dos políticos até a busca por trabalhar e consumir produtos em empresas cidadãs.

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Também participaram do painel do JEWC o prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes, e Charles Putz, do ¿Vem pra rua¿, movimento que organiza protestos contra a corrupção e foi um dos líderes das manifestações pró-impeachment que ocorreram desde 2015. O mediador do encontro foi Marcelo Fett, Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Planejamento de Palhoça, na Grande Florianópolis.

Passos para uma política transformadora no país

1. Participar ativamente da política da cidade, do Estado e do país, seja por meio de movimentos sociais, ingressando diretamente nesse setor, ou acompanhando as ações de quem ocupa os cargos públicos. Instituições independentes fiscalizadoras são aliadas nesse processo, que envolve também a busca de informações e conhecimento sobre o funcionamento das vias democráticas. Como exemplifica Marcos, ser cidadão ativo implica em comprometimento e conhecimento de como os mecanismos democráticos funcionam.

2. Melhorar a qualidade dos políticos, não só em termos éticos, mas também em formação. Para isso, segundo os especialistas, é preciso identificar novos políticos com capacidade de gestão, que mobilizam a sociedade, e formá-los para desempenharem a atividade de maneira eficaz. Há organizações especializadas na formação de quem pretende ocupar esses cargos. De acordo com Júlio, são quase 70 mil cargos políticos no Brasil e cerca de 5.500 prefeitos. Para transformar, segundo ele, é preciso aumentar a qualidade de quem ocupa esses cargos.

3. Definir metas para cada local, seja cidade, Estado ou país. Com essas diretrizes, é possível saber onde esforços precisam estar concentrados e como podem ser realizadas as ações práticas. Para os governantes, isso é uma obrigação. Mas os cidadãos comuns e empresários também podem trazer importantes contribuições nesse sentido, pela via de projetos de associações repassadas às autoridades, por exemplo.

4. Apostar em empresas que sejam cidadãs. As empresas precisam ter a consciência de que poderão não durar muito se não apostarem em sustentabilidade e em propostas para um futuro melhor. A ferramenta que os cidadãos comuns têm para consolidar as boas marcas é procurar essas instituições como consumidores ou como funcionários.

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*Este conteúdo foi produzido pelo Estúdio DC, bureau especializado em conteúdo de marca

 

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