Saiba como identificar os sinais de alerta para prevenir o suicídio entre crianças e adolescentes /Agencia RBS

Sentimento de angústia e apatia são alguns dos sinais

Foto: Agencia RBS

Pais e professores têm um papel importante na hora de prevenir o suicídio, pois cerca de 90% das mortes entre crianças e adolescentes poderiam ser evitadas já que são relacionadas a transtornos mentais. Por isso identificar os sinais e buscar ajuda especializada é fundamental. Confira os principais sinais:


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Como pais e escola devem agir

Converse com seu filho sem preconceito e julgamento. Pergunte o que ele está sentindo, se pensa em se matar. É um mito que conversar sobre suicídio pode encorajar a pessoa. Ao contrário, isso faz com que se sinta amparada e compreendida. Pais não devem tratar como brincadeira ou tentativa de chamar atenção. 

Em caso de desconfiança vale monitorar sites que o filho acessa, por exemplo. Ficar de olho em postagens na internet, com discurso muito pessimista ou desesperançoso, ou até o compartilhamento de conteúdos sobre suicídio.

Armas de fogo, medicações, venenos e agrotóxicos devem ser guardados em local seguro.

Após uma tentativa de suicídio, mesmo que diga que está tudo bem e não fará de novo, a criança ou adolescente devem ser avaliados pelo médico.

Não ter preconceito em procurar um psicólogo ou psiquiatra. Em caso de dúvida, é melhor a avaliação de um profissional que possa dar as orientações adequadas. Se existir um transtorno mental – como depressão, esquizofrenia, bipolaridade – ele deve passar por tratamento.

Em casos de tentativa de suicídio, é importante falar com professores para que ajudem a identificar sinais. Mas é importante não expor a criança e o adolescente. Se o professor ou alguém da escola perceber algum sinal, deve levar o aluno para um lugar reservado para conversar com calma, explicar que fará contato com a família e contar o que está acontecendo.

Mais importante é ouvir sem julgar

Um dos principais canais para prevenção do suicídio é o Centro de Valorização da Vida (CVV). Segundo Carmen (os voluntários só revelam o primeiro nome), da entidade em Florianópolis – onde são feitos cerca de 30 atendimentos por dia –, tem crescido o número de ligações de adolescentes. 

Conforme a Organização Mundial de Saúde, o suicídio é a segunda causa de morte entre os jovens no mundo (atrás apenas do trânsito). Por isso, há uma preocupação do CVV na capacitação dos voluntários para atender essa faixa etária:

– O conteúdo verbalizado por eles é diferente. A fala do jovem é mais de preocupação com futuro, o que vou fazer da minha vida, eles estão muito inseguros. Além disso, existe muita cobrança e é um momento de muitas mudanças – explica Carmen, voluntária há 22 anos.

Ela acrescenta que falar de suicídio ainda é um tabu em qualquer faixa etária:
– Essas pessoas que querem romper com a vida se sentem diferentes e não querem falar com outras sobre isso. Muitos me perguntam o que falar com alguém que está pensando em suicídio. Então eu digo que não é para se preocupar tanto com o que vai falar, mas, principalmente, ouvir. Colocar-se disponível e falar seriamente – finaliza. 


Confira o especial sobre suicídio: Sobreviventes de si mesmos

Setembro Amarelo
Movimento mundial idealizado pela Associação Internacional de Prevenção do Suicídio. O tema neste ano é Avançar para o Terreno e Salvar Vidas. A fita amarela é um símbolo de esperança e começou a ser usada em resposta às manifestações de amigos e familiares após a morte por suicídio de Mike Emme, em 1994, nos EUA. O jovem tinha um Mustang amarelo e os parentes começaram a escrever mensagens de ajuda em papéis amarelos e distribuí-los.

* Esta reportagem segue a cartilha da Associação Brasileira de Psiquiatria sobre como abordar o tema suicídio na imprensa e recebeu orientação da Associação Catarinense de Psiquiatria. 

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