Professor Eduardo João Agnes, do curso de Farmácia da Unesc, orienta os alunos do estágio na Farmácia Solidária Foto: Guilherme Hahn / Especial


Com 10 anos recém-completos, a Farmácia Solidária, instalada em Criciúma, no Sul do Estado, tem muito o que comemorar. A iniciativa que é referência em Santa catarina oferece à população todos os tipos de medicamentos, para diversos tratamentos, e de graça. Mais de 85 mil pessoas da cidade e da região já foram beneficiadas entre 2006 e 2015, graças a uma rede de doações. Neste período, estima-se que as pessoas economizaram pelo menos R$ 8 milhões. O preço de custo dos remédios é utilizado como referência, o que significa que esse número é ainda mais alto.

A aposentada Nivalda de Souza, 68 anos, tem na Farmácia Solidária um auxílio importante para conseguir dar conta das dezenas de medicamentos que toma todo o mês.

— Eu pego medicamento desde o começo da Farmácia, por orientação do posto de saúde. Mesmo com a ajuda eu ainda gasto em média R$ 800 ao mês com medicação, então já é uma economia — comemora a moradora de Forquilhinha, município vizinho a Criciúma.

No dia em que foi buscar a medicação, Nivalda levou comprimidos para controle da pressão arterial e deixou de desembolsar R$ 121. Além de retirar os produtos de graça, a população ainda recebe orientações de como tomar o medicamento e outros cuidados.

Clínicas médicas, unidades de saúde, exército, Cruz Vermelha e outros pontos da cidade possuem pelo menos 70 caixas coletoras, onde qualquer tipo de medicamento pode ser depositado. Vale cartelas pela metade ou que sobraram de um tratamento, desde que estejam dentro do prazo de validade. Tudo o que é recebido passa por uma triagem minuciosa, o que está apto para o uso segue para as prateleiras e o restante é descartado de maneira ambientalmente responsável.

Projeto é replicado em outros Estados

A Farmácia Solidária também recebe doações de laboratórios e dos próprios médicos, que repassam amostras grátis de medicamentos. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, junto às Clínicas Integradas da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). O idealizador da farmácia, Almir Fernandes, comemora o sucesso do projeto, que já foi reproduzido em cidades de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo e Pernambuco.

— Nós plantamos uma semente lá atrás, que foi bem cultivada pelo pessoal da universidade, é regada pelos parceiros e doações, pois a participação solidária é a alma desse programa — resume o presidente da Cruz Vermelha Criciúma.

Para o professor do curso de Farmácia da Unesc, Eduardo João Agnes, o local é um diferencial no atendimento à população e também para o aprendizado dos alunos. Além disso, estimula o uso racional do medicamento, evitando que a pessoa mantenha remédios em casa e possa se automedicar.

— O que mais causa intoxicação, disparado, é o medicamento, muito mais do que material de limpeza, agrotóxicos, então se a gente retirar das casas, diminuiu a possibilidade de uma criança pegar ou do próprio paciente se automedicar — orienta o professor de estágio da Farmácia Solidária.

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