Confira 12 mitos e verdades sobre amamentação Felipe Carneiro/Agencia RBS

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Quando o assunto é amamentação sempre surgem dúvidas e polêmicas. Afinal, existe leite fraco? A prótese de silicone pode prejudicar? Para resolver o impasse, a consultora internacional em amamentação e professora do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Evangelia Kotzias Atherino dos Santos, abordou alguns dos principais mitos. Confira:

Amamentar enfraquece a mulher
Mito. Desde que a mulher se alimente adequadamente, como qualquer pessoa adulta, não haverá qualquer prejuízo à saúde. No período da amamentação, a mulher tem uma necessidade adicional de cerca de 500 calorias. Essa necessidade, com frequência, já é suprida na dieta comum, uma vez que, de modo geral, se consome mais do que se necessita.

O leite materno é fraco e precisa de complemento
Mito. Não existe leite fraco e isso está comprovado em pesquisas. Qualquer complemento alimentar antes dos seis primeiros meses, prejudica a amamentação e alimentar a criança com leite de vaca ou artificial em substituição ao leite materno pode ser prejudicial. Vários sinais podem ser detectados para saber se o leite está sustentando o bebê: é possível perceber os movimentos de sucção e deglutição durante as mamadas; as mamas esvaziam e ficam mais macias depois que o bebê mama; o bebê apresenta-se relaxado e satisfeito após a mamada; o bebê ganha peso adequado a sua idade, entre outros.

A mulher que se alimenta mal tem o leite fraco para a criança 
Mito. Mesmo a mulher sendo desnutrida, a qualidade do seu leite é preservada. Sugere-se, entretanto, que no período em que estiver amamentando, a mulher tenha uma alimentação rica e variada, equilibrada, contendo alimentos como frutas, cereais integrais, laticínios, legumes e verduras, cereais integrais e carnes magras, evitando alimentos industrializados, açúcares, sódio e condimentos. Em resumo, neste período deve-se priorizar os alimentos mais naturais possíveis, menos industrializados e uma dieta balanceada.

Gestante não pode amamentar
Mito. Porém a gestante deverá observar os sinais de contração uterina provocados pela ação da ocitocina. Esse hormônio poderá desencadear o aborto ou o trabalho de parto prematuro, que são algumas restrições da amamentação no período da gestação. Importante ressaltar também que neste período, a criança pode estranhar o gosto do leite, que se altera, e o volume, que diminui. Em relação ao colostro, graças às transformações hormonais que ocorrem após o parto no organismo materno, haverá a produção do colostro com suas propriedades preservadas.

Uso da chupeta, mamadeira ou bico de silicone confunde o bebê e prejudica a amamentação 
Verdade. O uso de bicos artificiais confunde os bebês. Após sugar o bico artificial, o bebê poderá ter dificuldade para colocar o tecido da mama em sua boca e sugar. O bebê poderá preferir o bico artificial e recusar o peito. Além da confusão de bicos, isso pode bloquear o mecanismo natural da criança em manifestar sinais como fome, dor, frio e calor.

Depois dos dois anos, o leite materno deixa de trazer benefícios aos bebês
Mito. Existem evidências comprovando o valor do leite humano após os dois anos, pois além de manter o vínculo entre mãe e o bebê, o leite produzido contém consideráveis quantidades de vitaminas, sais minerais, nutrientes e proteínas e continua a contribuir para a proteção e prevenção de infecções. Dados do Unicef mostram que, no segundo ano de vida, 500 ml de leite materno fornece 95% das necessidades de vitamina C, 45% das de vitamina A, 38% das de proteína e 31% do total de energia de que uma criança precisa diariamente.

O desmame deve ser feito de maneira natural 
Verdade. O desmame deve ser feito preferencialmente de maneira natural, planejada ou gradual e não abrupta. Feito dessa forma, a criança se auto-desmama, o que pode ocorrer em diferentes idades, em média entre dois e quatro anos e, com frequência variada, antes de um ano. Costuma ser gradual, mas às vezes pode ser súbito, como por exemplo na ocorrência de uma nova gravidez da mãe (a criança pode estranhar o gosto do leite ou o volume). É importante também a mãe observar sinais sugestivos de que a criança está madura para o desmame, como por exemplo: menor interesse nas mamadas, aceitação em variedade de outros alimentos, entre outros.

É preciso revezar as mamas para amamentar
Mito. O ideal é que a mãe deixe o bebê mamar à vontade na primeira mama, esvaziando-a por completo. Isso é importante porque somente depois de alguns minutos o bebê consegue atingir o leite posterior, uma fração rica em açúcar e gordura que ajuda a criança a se saciar mais rápido e a ganhar peso. Se ele não recebe essa fração, fica insatisfeito e tende a querer mamar mais vezes. Esvaziada uma mama, se o bebê permanece insatisfeito, então a mãe deve oferecer a outra mama.

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Prótese de silicone atrapalha na amamentação
Mito. A prótese de silicone não atrapalha na amamentação. A prótese é colocada atrás da glândula mamária ou atrás do músculo peitoral, ficando isolada dentro de uma cápsula sólida. Desse modo não afeta a parte funcional da glândula mamária.

Pegar sol nos seios ajuda 
Mito. Não existem evidências científicas comprovando o efeito das radiações solares no tecido mamilo-areolar, apesar do seu uso ter se popularizado entre as mulheres e profissionais de saúde nas últimas décadas, especialmente para a prevenção e tratamento da fissura mamilar. Para alguns estudiosos essa prática pode ser mais prejudicial do que benéfica, pois a cicatrização de feridas é mais eficaz se as camadas internas da epiderme expostas pela lesão se mantiverem úmidas. 

Estresse atrapalha a produção de leite
Verdade. A produção de leite materno depende de dois hormônios, a prolactina e a ocitocina, sendo esse último muito influenciado por fatores emocionais. Entretanto, vale ressaltar que, essa diminuição é transitória e reversível. Ou seja, a produção de leite é normalizada quando a mulher fica tranquila.

Amamentar é um anticoncepcional
Verdade. Quando uma mãe amamenta de forma exclusiva durante os seis primeiros meses que se seguem o parto e permanece em amenorreia, ou seja, sem menstruar, ela tem uma proteção frente a gravidez superior a 98%. Esse método é mundialmente conhecido como Método Amenorreico Lactacional.

Leia também:

Cerca de 500 mães participam de evento de incentivo à amamentação em Florianópolis nesta segunda

Ausência de psicólogos na rede de ensino em SC agrava casos de automutilação na adolescência

"Criança protegida demais será mais alérgica" , diz presidente da Associação Catarinense de Pediatria

Nutricionistas explicam a importância da alimentação saudável entre as crianças






 Veja também
 
 Comente essa história