Unimed garante que pacientes serão absorvidos pela rede, porém internação pediátrica ainda é dúvida Diorgenes Pandini/Agencia RBS

Unimed Grande Florianópolis é operadora de plano de saúde com mais usuários em SC

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Inaugurado há dois anos, o Hospital da Unimed, em São José, está prestes a ser vendido. Segundo expectativas do presidente do Conselho de Administração da Unimed Grande Florianópolis, Théo Bub, as negociações devem ser concluídas em até seis meses. Até lá, ele faz questão de reforçar que nada muda no atendimento aos usuários. 

Com serviços como centro cirúrgico, internações adulto e infantil, unidade de terapia intensiva adulto e infantil e agência transfusional, o hospital responde por cerca de 10% das internações dos pacientes da Unimed na região. Depois de concluída a venda, os cerca de 1,6 mil pacientes que são internados por mês na unidade "podem ser facilmente absorvido pela rede", garante. Na rede são 1,3 mil leitos distribuídos em 28 hospitais credenciados. No Hospital, segundo Bub, eram 89 leitos ativos. Porém o presidente admite que um dos grandes problemas estaria na internação infantil, área mais deficiente na região, mas explica que estão em negociação e "providenciando soluções". Confira a entrevista do Diário Catarinense com o presidente Théo Bub:

Em quanto tempo deve ser concluída a venda do hospital?

Olha, eu gostaria muito que fosse concluída em um período entre quatro a seis meses.

Como estão as tratativas para a venda?
Na realidade nós temos três interessados na compra do hospital. Por uma coisa própria nossa, nós preferíamos a Secretaria de Saúde, que tem um projeto de construção de um hospital para o instituto de cardiologia. E como eles tinham esse projeto nós os procuramos para que fosse adaptado para o atendimento de cardiologia. Ele está dentro do Hospital Regional de São José e não tem capacidade de atender toda a clientela que vem do Estado inteiro. Eles estavam fazendo o projeto para construção e nós entramos na conversa e ofereceremos o hospital para isso. Porque o hospital está pronto e rapidamente se adapta. E custaria pelo menos 30% a menos do que a construção de um novo hospital.

Então dá para dizer que o principal comprador em potencial é a secretaria de Saúde?
Sim. Na nossa concepção seria, não sei se é a concepção do Estado. As doenças cardiovasculares são responsáveis por 30% das mortes do nosso povo, é a maior causa de morte. Então o doente cardiológico não pode ficar esperando numa fila para ser atendido. A urgência do governo do Estado se baseia principalmente nisso. A gente entregaria um hospital pronto e adaptado no prazo de 10 meses. Mas até momento o que a gente tem são conversas.

Como vai ficar o atendimento aos usuários da Unimed? Até porque houve o fechamento recente da unidade na Trindade...
O fechamento da Trindade foi absolutamente absorvido pela cidade. Nós fizemos um convênio com outras estruturas emergenciais. Tanto que você não vê reclamação pela falta da Trindade. Os pacientes continuam sendo muito bem atendidos na cidade. E no Hospital a mesma coisa. Nós temos uma rede contratada de 1,3 mil leitos na Grande Florianópolis à disposição da Unimed. O hospital tem ativado hoje 89 leitos, isso é menos de 10% do que existe à disposição na cidade. É lógico que não é só para a Unimed mas não vão faltar leitos para a população. Hoje o hospital atende talvez 10% dos pacientes que precisam de internação. Isso pode ser facilmente absorvido pela rede. O único problema que nós podemos encontrar é com a pediatria que nós já estamos providenciando as soluções. Não vai ter problema com a pediatria. Veja bem, o hospital não vai ser fechado amanhã. Mesmo depois de fechado o negócio, ele vai levar um bom tempo para ser fechado. E será fechado por unidade. Então nós temos tempo suficiente para providenciar todo atendimento.

Mas já enxerga alguma solução para a pediatria?
Estamos em negociação, não posso falar. Estamos alinhavando já.

Então não acredita em impacto negativo para o usuário?
Pelo contrário. O que queremos é melhorar a assistência de saúde dada pela Unimed à comunidade. E isso está sendo uma dificuldade hoje por falta de caixa, que está preocupando a gente. Nós somos o maior plano de saúde de Santa Catarina e não queremos que a qualidade seja prejudicada.

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