Gato é resgatado dentro de caminhão de lixo em Florianópolis  Simone da Silva Hillesheim / Arquivo pessoal/Arquivo pessoal

Foto: Simone da Silva Hillesheim / Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Funcionários da Comcap resgataram um gato dentro de uma carreta de lixo na última sexta-feira, 27, em Florianópolis. A hipótese é que Fujão, como foi apelidado, tenha sido abandonado na lixeira dentro de uma caixa. Ele sobreviveu ao roteiro de coleta no caminhão compactador, por cerca de duas horas, e a queda de três metros de altura. O animal foi localizado na carreta que leva os resíduos recolhidos para o aterro sanitário.

De acordo com a equipe de Sustentabilidade Ambiental da Comcap, a presença do gato foi percebida pelo operador da mão mecânica — sistema que coloca os resíduos recolhidos nos caminhões compactadores em uma carreta maior. Ele suspendeu a atividade para evitar que o animal fosse soterrado por toneladas de lixo e acionou um colega para resgatá-lo.

O gato foi recolhido e depois conduzido para a Diretoria de Bem Estar Animal (Dibea), no Itacorubi, em Florianópolis. Segundo a médica veterinária Helena Farias, o animal foi castrado e aguarda pela adoção.

Recorrente

A gerente da Divisão de Projetos, Karina da Silva de Souza, do Centro de Valorização de Resíduos (CVR), afirma que tem sido comum o abandono de animais em caminhões coletores, nos Ecopontos e caixas estacionárias da Comcap. Também têm sido resgatados animais nos caminhões da coleta seletiva. 

— Muitas vezes a pessoa quer abandonar o animal mas não quer matar. Então, ao invés de colocar no lixo comum, esconde dentro de caixas que vão para a coleta seletiva. Mas isso é um crime ambiental — esclarece Karina.

Daiana Bastezini, gerente da Divisão de Sustentabilidade Ambiental e Serviços, conta que os casos são tão frequentes que os próprios funcionários da companhia se organizam para cuidar temporariamente dos animais e encontrar tutores. 

— Além de crime, é desumano o que as pessoas fazem ao abandonar os animais. Uma vez chegou aqui uma caixa cheia de filhotes de gatos que quase passaram pelo compactador, mas foram resgatados por um gari. Uma colega levou todos para casa para cuidar e depois doar — conta Daiana.

A Comcap está formulando procedimentos padrão para estes casos de animais sobreviventes. Quando o gari perceber o ato, ou houver registro pelas câmeras de segurança, o responsável pelo abandono pode responder por crime federal, de acordo com a Lei 9.605/98. 

Adoção de animais

A Dibea recebe cães e gatos vítimas de maus-tratos e está com a capacidade máxima ocupada, além do Fujão, há mais de 45 animais no local. A veterinária Helena Farias explica que nesta época do ano é comum a superlotação, já que mais animais são abandonados e atropelados.

Quem tem interesse em realizar uma adoção pode visitar a diretoria, localizada na SC-401, ao lado do Cemitério do Itacorubi, de segunda a sexta, das 8h às 17h. Os animais adultos são doados castrados e os filhotes já saem do local com data de castração agendada. 

Aos sábados também é possível atuar como voluntário no local, passeado com os animais durante a Cão Terapia, promovida pela ONG Oba Foripa. O projeto é realizado das 14h30min às 18h em dias sem chuva. 

Denúncia

Para denunciar, é necessário realizar boletim de ocorrência em uma delegacia. Toda a semana os registros são encaminhados para Dibea, que realiza o resgate. Exemplos de maus-tratos*:

- Não dar água e comida diariamente
- Manter preso em corrente
- Manter em local sujo ou pequeno demais para que o animal possa andar ou correr
- Deixar sem ventilação ou luz solar, ou desprotegido do vento, sol e chuva
- Negar assistência veterinária ao animal doente ou ferido
- Obrigar a trabalho excessivo ou superior à sua força
- Abandonar
- Ferir
- Envenenar
- Utilizar para rinha, farra do boi, etc

* Informações da ONG Oba Floripa

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