Um roteiro de 4 dias de luxo em Paris e Amsterdã hotel de l´europe/Divulgação

O Hotel D L´Europe, na Capital holandesa, é um palácio do século 19 em frente ao Rio Amstel

Foto: hotel de l´europe / Divulgação

O turismo de luxo não é ostentação, exagero ou deslumbramento. Cada vez mais o toque de requinte em viagens tem no roteiro aspectos que deveriam ser acessíveis a todos: refeições com ingredientes orgânicos e de alta qualidade, conforto nos deslocamentos, hospedagem em locais que carregam parte da história da humanidade e passeios recheados de cultura e arte em vez dos repetitivos cartões-postais.

Há ainda uma áurea de simplicidade que faz bem demais ao viajante, como, por exemplo, um tour a pé com guias descolados que sabem tudo da história do lugar. O preço? Você paga quanto quiser ao final do passeio (leia mais abaixo). 

Esse conceito guiou uma viagem de quatro dias que fiz no início de dezembro, com jornalistas de outras cidades do Brasil, para Paris e Amsterdã. Optamos por ficar mais tempo na Holanda em vez da França, porque a maior parte do grupo nunca tinha visitado a cidade holandesa – uma breve amostra que representa o viajante brasileiro. Segundo os órgãos de Turismo dos dois países, 510 mil brasileiros visitaram Paris em 2016 contra 86 mil, em Amsterdã. 

O conforto começou no deslocamento. Viajamos na classe business da Airfrance, o que garante também acesso às salas vips de aeroportos. A passagem custa de duas até quatro vezes mais do que a econômica (depende do período da viagem), e as vantagens são igualmente proporcionais: são 19 poltronas que viram cama com curvas que dão total privacidade, há acesso direto ao corredor e tem champanhe de boas-vindas. O serviço multimídia tem clipes e filmes bem interessantes. Empolguei-me ao encontrar Café Society, de Wood Allen, que ficou pouco tempo em cartaz em Floripa e não tinha conseguido ver. A viagem durou onze horas e chegamos em Paris descansados. De verdade! 

O retorno ao Brasil foi na mesma vibe. Embarcamos no "avião mais moderno do mundo e também o mais silencioso", um boeing da KLM cujas janelas são 30% maiores do que o normal, tem wi-fi e, ao fim do voo, o passageiro leva de brinde uma casinha holandesa de porcelana do século 17 da Delft Blue, com gin, a bebida oficial dos holandeses. 

O designer  Phillip Starck, assina o interior do hotel Le Royal Monceau Foto: Cris Vieira / Agencia RBS

Do aeroporto Charles de Gaulle, fomos direto almoçar no Nobu Matsuhisa, dentro do hotel-palácio Le Royal Monceau. Escrevo este texto um mês depois da viagem, e a lembrança desse almoço é de que foi o mais prazeroso do roteiro (várias refeições foram em restaurantes com estrelas Michelin). A cozinha japonesa contemporânea, comandada pelo chef Nobu Matsuhisa, é dos deuses. A unidade francesa foi inaugurada em março de 2016. 

Localizado no coração da cidade, a poucos passos do Arco do Triunfo, o Le Royal é um hotel de 1928. O DNA dos anos 1930 se funde com o toque contemporâneo do designer Phillip Starck, que assina o interior do hotel. Com a proposta de deixá-lo com cara de a "casa da gente", ele adotou sutis imperfeições como irregularidades nas listras nas paredes A lista de celebridades que já passou por lá é grande: Walt Disney, Coco Chanel, Madonna, Michael Jackson, Robert de Niro e o jogador brasileiro David Luiz, que morou no hotel por três meses.

História preciosa

Menos grandioso do que o Le Royal e seus 149 quartos, mas não menos charmoso, o Lancaster foi onde dormimos em Paris. Depois do almoço, caminhamos até o Arco do Triunfo, descemos a Champs Élysées e, em 15 minutos, estávamos no Lancaster, localizado em uma travessa da famosa avenida. O hotel tem na história a sua preciosidade. Com construção de 1889, tudo remete ao passado: a escadaria, o elevador, o mobiliário, o relógio... O hotel serviu de morada para a atriz e cantora Marlene Dietrich por três anos, e a suíte principal guarda objetos pessoais dela, inclusive o piano.

Suíte onde morou Marlene Dietrich, no hotel Lancaster, guarda objetos da atriz, inclusive o piano  Foto: Cris Vieira / Agencia RBS

Hospedados a cinco minutos da Champs Elysées, saímos para caminhar onde turistas e uma grande feira de Natal agitavam freneticamente a avenida.  Por conta dos altos níveis de poluição naquela sexta-feira, com temperatura em torno de 8ºC, e para incentivar as pessoas a andarem de transporte público, o metrô era gratuito. Entramos na estação e o deslocamento foi caótico. Trem lotado, com pessoas ficando pra fora do trem. Mas o destino, embora óbvio, é sempre atraente: era noitinha já, e a lua cheia estava estrategicamente acima e à direita de uma brilhante Torre Eiffel.   

No retorno ao hotel, um jantar preparado pelo chef com duas estrelas Michelin, Julien Roucheteau, nos aguardava. Para os aficionados por gastronomia, há a opção de jantar na cozinha enquanto Julien prepara os pratos, feitos com ingredientes frescos e orgânicos. Ao final da refeição, teve quem arriscou mais um rolê por Paris – eu preferi ir para o quarto, encher a banheira e relaxar com produtos da Clarins, enquanto rolava Vivaldi no som ambiente do rádio, sempre deixado no mode on pelas camareiras.

Manhã de sábado apaixonante

A manhã de sábado foi apaixonante. Fazia mais frio do que no dia anterior, 6ºC. Pegamos um Uber e fomos para a Fundação Louis Vuitton, localizada no romântico Parque Bois de Boulogne. A fila era gigante para comprar ingressos. Mas nós já tínhamos os nossos em mãos (é bem fácil adquirir pelo site. Você escolhe datas e horários e evita as filas que podem durar até uma hora. Custa 14 euros). Só o prédio da Fundação já é uma atração. A construção futurista, do arquiteto americano Frank Gehr, se difere das construções convencionais, brinca com a gravidade usando volumes que criam formas semelhantes a nuvens e com gigantes placas de vidro sobreposto. Veja no vídeo:

A fundação foca em mostras contemporâneas, mas mantém em exposição permanente obras da coleção de Bernard Arnault, proprietário da LV. Na última quarta (26/4), abriu uma exposição sobre arte da África. Programe-se para ir com calma — três horas de visita é o ideal —, porque o espaço fica muito cheio.

O almoço foi no Le Bristol Paris. Se a gente já tinha se encantado com o Le Royal e o Lancaster, o Le Bristol foi de cair o queixo. O lugar é um autêntico palácio, construído no século 18. Virou hotel em 1925. Em seu interior, um jardim francês e uma piscina no último andar, com uma vista deslumbrante para a cidade. Já se hospedaram por lá Woody Allen, Charlie Chaplin e Mick Jagger. A gastronomia do hotel é um caso à parte, comandada pelo prestigiado chef Eric Frechon, que cuida diretamente dos dois restaurantes, do café, do bar, além dos serviços de quarto. Não à toa, o restaurante Epicure já conquistou três estrelas Michelin e o 114 Faubourg Brasserie, uma.

Chuva, frio e o encantamento com um aeroporto altamente inteligente, com terminais organizados de maneira lógica para entrada e saída de passageiros, tecnologia na entrega de bagagens, no check in e wi-fi potente marcaram nossa chegada a Amsterdã. Ficamos hospedados no Conservatorium Hotel. A arquitetura une traços originais da construção de 1275 ao design contemporâneo, resumindo um pouco o que é a própria cidade: um lugar que sabe como poucos conservar o passado (os canais e casinhas históricas são exemplos emblemáticos) sem deixar de ser vanguardista (meca da e-music e do design). O local foi um banco e um respeitado conservatório de música, até virar hotel que, por sua história (tem um lustre confeccionado com 80 violinos), já hospedou Rihanna, Drake e Justin Bieber. Dentro do hotel, visite o Tunes Bar e prove um dos 40 tipos de drinques feitos com gin. 

Domingo de manhã acordamos cedo, contornamos a avenida, a pé, e seguimos pela Museumplein, a praça onde fica o Rijksmuseum, Van Gogh Museum e o Stekelijk. Estava um frio danado, 5ºC, e os holandeses, crianças e pais, jogavam futebol na praça. Decidimos visitar o museu Van Gogh, que abriga 200 pinturas e 500 desenhos do artista. O museu fica em dois prédios e o ticket sai por 17 euros. A loja de souvenires vale muito a "passadinha". Tem bolsas, camisetas e canecas, cheias de charme, ao estilo do pintor.


Tour por história

À tarde, pegamos um bondinho elétrico, chegamos ao Centro e fizemos um tour a pé com a Sandeman, uma empresa que reúne guias turísticos nativos. O passeio é uma aula de história descolada. O serviço existe em 13 países e os guias imprimem um estilo único ao passeio, com narrativas carismáticas. No passeio, descobrimos como a cidade chegou à legalização da prostituição e da maconha, ao passar pelas prostitutas em vitrines no Red Light District e pelos cafés onde se consome a erva. Passamos por construções históricas, ouvimos como era a aldeia à beira do Rio Amstel, que virou a cosmopolita Amsterdã. O turista paga o que quiser ao final e pode escolher o idioma do tour entre espanhol e inglês.

Após o tour, nos "mudamos" para o Hotel D L'Europe, um palácio do século 19 em frente ao Rio Amstel. Tão suntuoso que quem passa na frente não resiste a uma foto. Internamente, o restaurante Bord'Eau, do chef Richard van Oostenbrugge, carrega duas estrelas Michelin. O hotel tem ainda a maior adega de vinhos da cidade, com 9 mil garrafas e rótulos de 60 países. Converse com o simpático sommelier e conheça o porão onde ficam acomodados os rótulos. Um deles tem 26 anos e custa cerca de R$ 70 mil.

Segunda-feira com arte

Eye Museum, de 1952, é inteiramente dedicado ao audiovisual Foto: Cris Vieira / Agência RBS

O Overhoeks é um dos bairros mais novos de Amsterdã. Por lá, visitamos dois espaços incríveis: o novíssimo A'DAM Lookout, o mais alto prédio da cidade (20 andares), dedicado somente à música, e o Eye Museum, o museu do cinema. 

O acesso ao A'DAM Lookout é por um elevador, com iluminação de balada e música eletrônica. Ele acelera até o vigésimo andar em 22 segundos. Não tem como não gritar! O prédio tem desde estúdio para gravações de música, hospedagem para artistas até equipamentos multimídia com informações sobre música. Já o Eye Museum, criado em 1952, é uma imersão no cinema por meio de projeções, exibições temporárias, retrospectiva em grande escala  e equipamentos multimídia que entretêm e ensinam. A loja de souvenir é um tesouro de livros, pôster de filmes, e outras recordações charmosas.

Na última noite de luxo na Europa, jantamos no Okura Hotel, que tem quatro restaurantes – todos estrelados. Com 23 andares, o lugar garante uma vista única da cidade. O Okura também tem o melhor valor mínimo de diária, 200 euros, entre todos os hotéis visitados. No Le Bristol, por exemplo, não se paga menos de 900 euros pela hospedagem. Os valores são uma média entre as menores diárias, podem mudar em época de superpromoções ou de alta temporada. Os valores médios mínimos nos outros hoteis visitados são: Lancaster, 350 euros, Conservatorium, 400 euros, L'Europe, 350 euros e o Le Royal Monceau, 700 euros.

* Jornalista viajou a convite da Airfrance, KLM, Gol e Leading Hotels of The World, associação que reúne hotéis de luxo. 

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