Últimas três escolas interditadas em Sombrio e Balneário Gaivota são liberadas pela Justiça Caio Marcelo / Especial/Especial

Normélio Cunha foi uma das primeiras escolas a reabrir, na quarta-feira passada

Foto: Caio Marcelo / Especial / Especial

Toda a rede estadual de ensino de Sombrio e Balneário Gaivota, no Sul do Estado, está de volta às aulas a partir desta quarta-feira. Depois de dois meses, seis das sete escolas interditadas a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) tiveram os prédios liberados pela Justiça depois da retirada dos alvarás do Corpo de Bombeiros, da Vigilância Sanitária e de funcionamento. Com isso, cerca de 3,5 mil alunos estão de volta às salas de aula, e no prazo de 120 dias todas as obras maiores devem ser concluídas nas unidades escolares.

Somente o prédio onde estavam os alunos da Catulo da Paixão Cearense, que era alugado, não passou por melhorias. Para realocar os cerca de 300 estudantes, o Ensino Fundamental passou a funcionar desde segunda-feira na escola Irineu Bornhausen. Já os alunos do Ensino Médio retornam nesta quarta no espaço físico da escola Macário Borba, uma das três reabertas. Quem também retoma as aulas nesta quarta são os alunos da Protásio Joaquim da Cunha, de Sombrio, e Praia da Gaivota, de Balneário Gaivota.

O trabalho de reabertura das escolas foi conjunto entre Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) Araranguá e Secretaria de Estado de Educação. O secretário executivo da Agência, Heriberto Afonso Schmidt, e o técnico José Hipólito da Silva explicam que a união de esforços culminou nas desinterdições. Em nota, agradeceram o empenho de empresas, órgãos fiscalizadores, MP e Justiça para encaminhar a reabertura dos prédios.

Pais frustrados com problemas na Catulo

Aluna do nono ano do ensino fundamental na escola Catulo, Maria Luíza Caetano, 14 anos, está na Irineu Bornhausen desde segunda-feira. Ela foi uma das alunas entrevistadas na reportagem que mostrou o problema vivido pelas famílias com as escolas interditadas, e sem as obras no prédio alugado, precisou se adaptar mais uma vez. Os estudantes recém chegados na nova escola são vistos como estranhos por quem já estuda lá há mais tempo, o que tem preocupado os pais.

— Ela chegou da escola chorando e comentou sobre a maneira como estão sendo tratados. Fui até a escola e pedi que fosse explicado para os alunos do Irineu que o pessoal do Catulo não está lá porque quer, mas porque foi levado para lá, mas me foi dito que as crianças não têm culpa — lamenta a mãe, Renilda Espíndola de Oliveira.

O prédio original da Catulo, que tem 70 anos e pertence ao Estado, irá passar por reformas no valor de R$ 3,8 milhões. A empresa a ser contratada em edital será definida no dia 6 de junho. A previsão da Secretaria de Estado de Educação é de que obras fiquem prontas dentro de um ano.

Relembre o caso

Sete escolas estaduais de Sombrio e Balneário Gaivota foram interditadas, na metade de março, por não terem alvarás dos Bombeiros, sanitário e de funcionamento, e apresentarem riscos a quem estuda ou trabalha nelas. As instituições foram fechadas a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Falta de extintores, caixa d'água sem limpeza, instalações elétricas irregulares, iluminação insuficiente nas salas, cozinhas interditadas, entre outros problemas, culminaram na decisão da Justiça de acatar o pedido do MP. Com a interdição dos prédio, 3,5 mil alunos ficaram dois meses sem aulas.

Leia mais:
Mais 130 alunos retornam às aulas em Sombrio, no Sul do Estado
Depois de dois meses interditadas, três escolas do Sul do Estado reabriram nesta quarta-feira
Estudantes de escolas estaduais de Sombrio e Balneário Gaivota completam 45 dias sem aulas por negligência do Estado

 Veja também
 
 Comente essa história