Colocação de pedras ou muros não são melhor alternativa para conter  ressaca, dizem especialistas Diorgenes Pandini/Diario Catarinense

Faixa de areia sumiu na Praia do Matadeiro, em Florianópolis

Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense

Desaparecimento de faixas de areia e danos a construções à beira-mar são alguns dos impactos sentidos nos últimos dias em praias de Santa Catarina. Para evitar os efeitos da ressaca nas casas e evitar o avanço da maré, em alguns locais se constroem muros ou se colocam pedras, o chamado enrocamento, porém especialistas defendem que essa não é a melhor solução, já que há muitos "efeitos colaterais". O ideal, diz João Luiz Baptista de Carvalho, professor, pesquisador e diretor do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar), da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), seria um plano de urbanização em que as construções e ocupassem fiquem longe da praia. 

O pesquisador explica que quando acontece esse planejamento, as ondas maiores, que são comuns no outono e inverno, batem na duna de areia e as raízes da vegetação de restinga evitam que a onda avance. Essa areia vai para o mar, mas depois, gradativamente, o local vai se reconstituindo. Quando há um muro ou pedras, a onda bate e escava embaixo do muro. 

— É muito comum quando se observa uma praia, ver que a região que tem muro é mais baixa, porque ali tem processo erosivo. Imagina isso acontecendo com várias ressacas em todo inverno. Ela aumenta a erosão e a praia vai ficando menor do que deveria ficar.  Essa colocação de pedras e muros tem um efeito colateral muito grande — explica Carvalho. 

O oceanógrafo da Epagri/Ciram Carlos Eduardo Salles de Araújo acrescenta que no inverno a força das ondas é mais intensa e o nível do mar fica mais alto. Assim, a areia da praia é levada para o mar e forma um banco de areia, o que impacta na rebentação. Araújo diz que as pedras ajudam a sustentar a estrutura por um tempo, mas o ideal é planejar as construções com materiais adequados para obras costeiras

— As dunas, essa faixa da areia faz parte da dinâmica da praia. O ideal é deixar a natureza como está, a partir do momento que o homem interfere tem que planejar muito bem — diz. 

Carvalho cita que, em alguns casos, a praia não consegue se recuperar, como é o caso do Pântano do Sul. A única maneira de recuperar a faixa de areia seria o processo de engordamento artificial, mas tem que avaliar custo-benefício, alerta. 

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