Com o ensino médio integral, vínculo com os professores cresceu, avaliam alunos de Joinville Maykon Lammerhirt/A Notícia

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Bruno Nogueira da Cruz, 16 anos, cursa o primeiro ano do ensino médio pela segunda vez. No ano passado, ele não conseguiu nota suficiente em física e foi reprovado. Por indicação de uma tia, a mãe ficou sabendo que a EBB Eng.º Annes Gualberto passaria a oferecer aulas em tempo integral e matriculou o adolescente – que inicialmente, confessa, ficou muito bravo com a ordem materna.

Agora, Bruno já está acostumado a passar o dia na escola. Ele recorda que, no ano passado, depois que chegava em casa, não fazia nada durante a tarde, a não ser dormir e, às vezes, ajudar o padrasto no trabalho.

– Não fazia nada, nem as lições. Neste ano, mesmo quando chego à noite, eu vou estudar quando faltou alguma coisa – afirma.

No período extra em que estão na escola, os alunos do integral têm períodos de estudos orientados. É o momento em que podem estudar para as provas e fazer as lições e os trabalhos das disciplinas regulares. Cada sala conta com dois professores, que os acompanham e orientam nos estudos, indicando os caminhos para encontrarem as respostas para os assuntos ainda não compreendidos.

– Quando realizam estas tarefas em casa, não podemos ajudá-los. Com o tempo em sala de aula, de 40 a 50 minutos, não é possível detectar as dificuldades de cada um. Há uma grande diferença no ensino ter este tempo a mais, além do vínculo que desenvolvemos com os alunos – analisa a professora de espanhol Cecilia Eggert.

A professora de história Anita Borba Silva, que divide com Cecilia a orientação da turma de Projeto de Vida, da qual Bruno e outros dez alunos fazem parte, concorda com a evolução percebida nos seis primeiros meses do programa. Ela acrescenta que, desta forma, conseguem acompanhar cada etapa do aprendizado e garantir que ele ocorrerá.

– Conseguimos avaliar na totalidade, e não só com notas. O primeiro ano é sempre um problema, porque chegam muito imaturos, não compreendem a importância de se dedicarem à escola – diz.

Bruno começa a entender. Até pouco tempo, ao ser perguntado o porquê da reprovação em 2016, a culpa era da professora, que “não o entendia e não conseguia ensiná-lo”. Neste ano, ele começou a se responsabilizar por seus erros e acertos, e a relação com os professores melhorou.

– Eu não conversava com os professores, não tinha intimidade para isso. Nem os via como pessoas “de verdade”, achava que estavam ali só para passar o conteúdo – assume o garoto.

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