Espécie de terapia potencializada, constelação familiar tem ganhado adeptos em SC Cristiano Estrela/Diário Catarinense

Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Além de ser aplicada no Judiciário, a constelação sistêmica familiar também encontra público em quem não tem processo judicial tramitando, mas que possui um problema pessoal, profissional ou até de saúde que parece não ter solução. 

Importado do alemão Bert Hellinger, esse é um método no qual um cliente apresenta de maneira breve um problema ao terapeuta que, por sua vez, solicita a representação dessa história por pessoas desconhecidas, geralmente voluntários, em uma espécie de teatro. A disposição dos voluntários na cena se dá conforme o cliente sente que se apresenta a relação entre tais membros. A partir das reações desses representantes, do conhecimento das chamadas "lei do amor" (leia mais abaixo) e da conexão com o sistema familiar do cliente, o facilitador conduz até uma imagem de solução. Nesse cenário, todos os "atores" têm um lugar e se sentem bem dentro do sistema familiar.

O psicólogo catarinense formado pela Hellinger Schulle na Alemanha, Paulo Pimont, explica que a abordagem não substitui, mas pode potencializar o efeito de uma psicoterapia convencional, principalmente em conflitos que se prolongam por anos.

— Nós trazemos todos os traumas, as histórias e os acontecimentos marcantes de nossa família de origem. E isso pode vir de várias gerações. Nesse campo morfogenético que se mostra na constelação, os representantes percebem no corpo, através de sensações, as informações daquilo que acontece no contexto de dificuldade da pessoa. Esse movimento bem simples, suave e silencioso mostra algo que até então estava escondido. Ela vê e sente no corpo como se mostra a solução — diz o facilitador, que também atua com constelações no Tribunal de Justiça de Santa Catarina. 

Apesar de o nome induzir a essa interpretação, Pimont nega que haja misticismo ou religião nas constelações sistêmicas. Reforça que são métodos baseados na fenomenologia, que é a reflexão sobre um fenômeno que se mostra na relação estabelecida com as outras pessoas e o mundo. O especialista garante que o processo acontece com todos os participantes lúcidos e que a carga emocional levantada é incapaz de gerar novos traumas. 

Inicialmente por curiosidade, Luciana Xavier de Oliveira, 40, procurou a constelação familiar para lidar com um problema que tinha com o pai. Passou a enxergar as situações com outro sentimento depois da vivência.

— Quando você olha o outro com amor, você percebe que ele pode estar repetindo um padrão de forma inconsciente. De modo que você olha para seus pais e diz: nossa, eu faço igual ao meu pai e reclamo dele. E aí você desperta, conecta e cria um campo de amor com tudo isso. O que a constelação traz é olhar para essa inconsciência e abraçá-la para que se possa seguir a vida — relata. 

Em Santa Catarina, as sessão de constelação sistêmica familiar vão de R$ 100 a R$ 580.

A CONSTELAÇÃO

Criada em 1980 pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, a técnica da constelação familiar consiste em uma nova abordagem da Psicoterapia Sistêmica Fenomenológica. Permite a reconstrução da árvore genealógica de uma pessoa que possui um problema a partir de um desenho vivo, energético e sensorial. A ideia é que sejam visualizados e, posteriormente, dissolvidos antigos padrões (como conflitos e até mesmo doenças) que se repetem e impedem o livre fluxo de amor entre os membros de um sistema familiar. A solução torna-se possível quando a ordem básica sistêmica é restabelecida, os familiares excluídos voltam a ser respeitados e a herança familiar é aceita.

AS LEIS DO AMOR

Hellinger descobriu alguns pontos esclarecedores sobre a dinâmica da sensação de "consciência leve" e "consciência pesada", e propôs uma "consciência de clã", que se norteia por "ordens" arcaicas simples, que ele denominou de "ordens do amor". O filósofo também demonstrou a forma como essa consciência enreda inconscientemente uma pessoa na repetição do destino de outros membros do grupo familiar. Essas ordens do amor referem-se a três princípios norteadores:

1 - Pertencimento: a necessidade de pertencer ao grupo ou clã;
2 - Equilíbrio: a necessidade de equilíbrio entre o dar e o receber nos relacionamentos;
3 - Hierarquia: necessidade de hierarquia dentro do grupo ou clã.

Para Hellinger, as ordens do amor são forças dinâmicas e articuladas que atuam em famílias ou relacionamentos íntimos. A desordem dessas formas é percebida sob a forma de sofrimento e doença. O fluxo harmonioso, por sua vez, aparece como uma sensação de bem-estar no mundo.

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