Em entrevista para a NSC TV na quarta-feira, o secretário de Estado da Saúde, Vicente Caropreso, falou pela primeira vez com a imprensa sobre a crise na Saúde após 10 dias de férias. Ele reconhece que existem problemas na área, chama de ‘a verdadeira caixa preta’ a questão da judicialização da Saúde no Estado e define como um problema o fato de o dinheiro destinado para o setor ser administrado pela Fazenda. 

O secretário-adjunto se reuniu com a comissão de saúde da Alesc e os deputados questionaram o valor da dívida da secretaria de Saúde, que oficialmente é de R$ 508 milhões. Afinal, qual é o valor exato?

Alguns desses valores podem ainda vir à tona. São valores que estão sendo questionados junto a alguns grandes hospitais e com alguns setores que dizem ‘isso é de Pedro, isso é de Paulo’. É lógico, esses valores ainda não foram contabilizados no montante e também a questão dos repasses que estão vindo dentro daquele patamar dos 13%, que SC foi o único Estado que mudou a aplicação dos recursos em Saúde. Então, no ano passado era 12%, esse ano, 13%. O que significa 13%? São praticamente R$ 96 milhões por mês e essa quantia não foi atingida em nenhum dos meses desde o início da minha presença há pouco mais de meio ano. Nós esperamos que esse valor seja reposto, mas essa diferença também tem que ser integralizada a esse percentual. É isso que está dificultando o dia a dia, o jogo de cobrir todas as manutenções, principalmente dos hospitais públicos, que são estruturas caríssimas, complexas, que têm que resolver praticamente tudo de todas as especialidades. Você tem em casa uma televisão, essa televisão às vezes pifa, para mim não pode pifar, se pifou já tem alguém lá telefonando. Entende? Tem que manter a calma, tranquilidade, assim como a gente tem feito em todos os setores.

Esse percentual de 13% é o que é o mínimo pela Constituição. Por que o Estado não investe mais em saúde?

O Estado passou 2015 e 2016 numa penúria financeira muito grande, isso ficou claro quando eu assumi no início do ano, ficou um montante para pagar. Boa parte disso eu paguei, mas isso me fez falta durante o ano para eu repor o dia a dia das necessidades da saúde e a coisa foi evoluindo, cada mês foi passando e o déficit foi aumentando. E daí se vê, em determinados setores, a falta de abastecimento, a correria de vez em quando. Essa é uma situação que a gente está vivendo e que temos procurado amenizar.

O senhor considera que o  investimento em saúde é uma prioridade hoje do governo do Estado? 

Eu acho que, lógico que há uma prioridade. SC é o único que mudou a Constituição para prover mais recursos para o Estado. Só que a nossa estrutura de saúde é direcionada a algumas instituições cujos gastos são muito grandes. Somente nos 13 hospitais públicos, por exemplo, vai um terço do orçamento da saúde. As organizações sociais consomem quantidade muito grande de dinheiro. O que eram essas organizações sociais? Hospitais públicos também. SC é um dos Estado que mais tinham hospitais públicos e isso implica em estabilidade do funcionalismo, em gastos que se tornam cada vez maiores. O Estado teve, pela dificuldade dos municípios, que dar também auxílio, subsídio, tanto para cidades como para hospitais filantrópicos. Poucos Estados fazem isso. Só que a conta agora está com dificuldade. Então agora temos que prover mais recursos de outras fontes. 

Quando o senhor assumiu a dívida declarada era de R$ 315 milhões. Agora foi divulgado que ela passa dos R$ 500 milhões. O que aconteceu?

Quando me foi passado era de mais ou menos isso, era R$ 333 milhões que eu me lembro que a financeira me passou ‘ó, nós estamos devendo isso aí’. Só que quando a gente foi viajar para um lado e para outro desse Estado, conversar com donos de hospitais, com grandes hospitais e estruturas, a gente viu que a coisa não era assim. Eu provoquei na secretaria uma grande reunião para dizer ‘o número não bate com aquilo que foi dito’. E é esse o número. Esse é um grande desafio que o administrador hoje, tanto o governo, tesouro do Estado, quando o secretário de Saúde, debate a realidade do dia a dia. E o mais importante que eu vou dizer: a saúde não pode ser apenas uma situação de contabilidade, eu tenho que ter o meu financeiro funcionando e suficiente para manter as estruturas essenciais funcionando, essa é a  minha angústia do dia a dia, isso que me tira os poucos cabelos que tenho para fazer funcionar as coisas. Essa é a minha dedicação, do doutor Marcelo, do Basso. Nem na minha residencia médica, que é a época que os médicos mais trabalham na vida, eu trabalhei tanto como agora. Se a gente analisar o primeiro semestre do ano passado em relação a esse na adminsitração dos 13 hospitais públicos, nós economizamos R$ 68,7 milhões. Você acha que é pouco? Isso que nós estamos fazendo é gestão. Ficando mergulhados dentro das nossas dificuldades para melhorar a condição sobrar um dinheirinho. O interesse é que haja condições e justiça para a distribuição dos recursos para todas as regiões.

No ano passado o Conselho Estadual de Saúde não aprovou o orçamento que o Estado apresentou, mesmo assim ele foi aprovado e aplicado. Essa reprovação não foi levada em consideração? 

Todas as situações têm que ser bem avaliadas, tem que saber direitinho o por que de todas essas restrições, mas vamos nos debruçar sobre isso. Aliás, isso tem sido motivo para de uma preocupação para aperfeçoamento e assim, de antemão, tem coisas que nós vamos e estamos organizando que é a outra verdadeira caixa-preta da saúde dos municípios, da União e do Estado que é a questão da judicialização. Nunca tinha sido feito uma auditoria interna e uma análise de acompanhamento de todos esses casos, para SC isso é muito impactante O dinheiro  que está indo para esse setor, nos faz falta para o orçamento.

Por que o dinheiro da saúde é adminsitrato pela Fazenda?

Essa é uma situação que tem sido um debate muito grande. É um problema que nós vivemos e tem sido uma ginástica grande fazer esse acerto, esse ponteamento de fazer a escolha de sofia diária dentro da área da saúde, mas quem não vive desafios acaba não vivendo e tomara que esses desafios que eu estoupassando com várias outras pessoas dedicadas, que dispõem praticamente da sua vida e da sua saúde, e abriram mão da sua vida familiar fora, tomara que esse esforço valha a pena e que a gente apresente resultado para as pessoas, de melhor qualidade de atendimento, de mais humanização e que não falte mais tantas coisas. 

 Confira a reportagem completa sobre a "Crise na Saúde em SC" 

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