Manifestantes protestam contra a "cura gay" em Florianópolis Leo Munhoz/Diário Catarinense

Cartazes cobraram respeito ao público LGBT e enfatizaram que homossexualidade não é uma doença

Foto: Leo Munhoz / Diário Catarinense

Bandeiras arco-íris, performances e rostos pintados com glitter marcaram a manifestação contra a  liminar que possibilita a utilização de terapias de reversão sexual na noite desta sexta-feira, em Florianópolis. Comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgênero), simpatizantes e coletivos se reuniram no Largo da Alfândega para protestar contra a "cura gay". 

A manifestação, que começou às 18h30min, teve performances com interação do público. Um grupo  simulou um "paredão da cura", onde pessoas eram convidadas a jogar água nos "doentes".  No evento que segundo a Polícia Militar, reunia 150 pessoas às 19h30min, também anunciaram uma aula pública sobre a o tema. O evento contará com a presença de psicólogos, professores e estudantes na quarta-feira, 27, ao meio-dia no Ticen. 

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 22-09-2017:  Protesto contra a cura Gay.
Foto: Leo Munhoz / Diário Catarinense

Thomas Dadam, representante da Bapho Cultural, um dos coletivos que organizaram o evento Chuva de glitter - A comunidade LGBT resiste!, diz que houve um ato de resistência, com a ocupação de espaço público, além do empoderamento feminino, negro e LGBT. Ele defende que esse tipo de iniciativa é fundamental para combater o preconceito:

— Sozinhos estamos mais vulneráveis à violência. Em grupo, ganhamos força, somamos. É uma luta imensa, estamos perdendo espaço que conquistamos. Hoje, mais que ontem, precisamos juntar forças.

 

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 22-09-2017:  Protesto contra a cura Gay.
Grupo simulou paredão da cura com a ajuda de baldes de águaFoto: Leo Munhoz / Diário Catarinense

Representantes do Conselho Regional de Psicologia (CRP) também participaram do protesto. Ematuir Teles, da Comissão de Direitos Humanos do CRP e Conselho Federal de Psicologia, reforçou que apoiam o protesto e que é necessário combater esse olhar de que a homossexualidade é uma doença. 

— Para a psicologia a orientação sexual é uma expressão humana — define.

Laurinha Brelaz, militante do movimento das pessoas com HIV, diz que a preocupação deveria ser com as doenças que, de fato, existem: 

— Ao invés de parlamentares estarem preocupados com a cura de doenças, como a Aids, querem achar cura para o que não é doença. A população LGBT já é vulnerável e agora tem mais isso. Imagina quantas pessoas o SUS teria que atender — defende 

A travesti Vulcânia carregava um cartaz lembrando que na Classificação Internacional de Doenças (CID) ainda consta o "transexualismo". Para ela, esse é outra grande desafio: fazer com que a transexualidade não seja vista como patologia.  

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