Sociedade Brasileira de Pediatria lança guia para pais sobre orientação sexual Marco Favero/Diário Catarinense

Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) apresentou um manual que visa ajudar os pediatras sobre como atuarem nos casos de “disforia de gênero”, condição marcada pelo descompasso entre o sexo biológico e a identidade de gênero. Elaborado pelo Departamento Científico de Adolescência da entidade, o texto tem como objetivo  assegurar o atendimento e o encaminhamento correto de crianças e adolescentes com sinais de transtornos de gênero, de forma a garantir sua acolhida na rede de saúde e evitar preconceitos. Na última semana,  O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou de forma unânime parecer que autoriza travestis e transexuais a utilizar o nome social em escolas da educação básica.  

Também visa evitar o uso indevido de medicamentos, como o emprego precoce de hormônios sem orientação. “Esse assunto não pode ser visto como um fenômeno de moda. É necessário extrema cautela e zelo”, diz em nota a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva. 

Em geral, crianças com sinais de disforia de gênero podem expressar a certeza de serem do sexo oposto ou forte desconforto com suas características sexuais, preferindo roupas, brinquedos, jogos e atividades culturalmente ligadas ao outro sexo. O documento apresenta os critérios que devem ser observados pelos pediatras para auxiliar no diagnóstico e orienta sobre o tratamento. 

A cartilha recomenda ainda que os casos sejam avaliados e diagnosticados em conjunto com equipes multidisciplinares para decidir sobre as estratégias que devem ser adotadas. 

Uma delas é a possibilidade de suspensão da puberdade, o que pode ocorrer em casos específicos. Neste caso, o pré-adolescente consegue ter mais tempo para avaliar sua identidade sexual. 

A medida segue parecer de 2013 do Conselho Federal de Medicina, que recomenda que, no caso de diagnóstico da disforia de gênero ainda na infância, o tratamento pode ser iniciado ainda na fase da pré-adolescência para supressão da puberdade. Caso a disforia persista até os 16 anos, a puberdade do gênero desejado pode passar a ser induzida. Em ambos os casos, é necessário o consentimento dos pais. 

Segundo o documento da SBP, entre seis e nove meses, crianças conseguem diferenciar vozes e faces quanto ao gênero. Por volta dos dois anos, conseguem se identificar como meninas ou meninos e apresentam brincadeiras relacionadas ao seu gênero.  A construção da identidade de gênero, porém, começa por volta dos dois a três anos. 

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