Da preocupação para a catástrofe iminente: moradores do sul da Ilha cobram providências na SC-406 Cristiano Estrela/Diário Catarinense

Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

A sequência de ressacas e marés altas que persiste em parte das praias de Florianópolis desde o mês de maio, com pequenos períodos de refluxo, poderá ter graves consequências para os moradores do sul e da costa leste da Ilha de Santa Catarina. Na região conhecida como Caldeirão, próxima à praia do Morro das Pedras, o mar avançou de tal forma que ameaça danificar a estrutura da rodovia SC-406 e, consequentemente, a adutora da Casan (que passa por baixo da via), responsável pelo abastecimento de água de diversos bairros, como Campeche, Rio Tavares, Lagoa da Conceição e Barra da Lagoa.

— Está todo mundo de pelo arrepiado. Passamos do ponto de preocupação para de catástrofe iminente. Estamos pedindo a responsabilização de todas as autoridades porque são mais de 150 mil pessoas que correm o risco de ficar ilhadas e sem água potável — disse o presidente da Associação Comunitária do Morro das Pedras, Areias e Trevo do Erasmo, André Luiz Vieira.

De acordo com o líder comunitário, a população da região se mobiliza para fazer uma manifestação na quarta-feira, às 9h, com fechamento da rodovia SC-406 próximo ao Parque da Lagoa do Peri. No ato, os moradores pretendem pedir ao governo estadual uma definição sobre as obras de contenção.

— A gente é mané, mas não é bocó! Fica um jogo de empurra-empurra entre as autoridades, enquanto nós estamos preocupados com a situação. É um absurdo, a gente se sente completamente abandonado.

Nesta segunda-feira, o vice-governador de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira (PMDB), divulgou um vídeo nas redes sociais onde afirma que se reuniu com o prefeito Gean Loureiro (PMDB) para avaliar a situação. De acordo com Moreira, Casan, Celesc, Secretaria de Infraestrutura, Defesa Civil e Deinfra estão mobilizados para tomar as providências necessárias.

— Realmente, há riscos de isolamento daquela comunidade e falta de energia elétrica e abastecimento de água. Queremos começar nos próximos dias as obras do enrocamento com pedras para conter a erosão e preservar a situação que existe hoje. Depois, vamos estudar uma forma de solução mais definitiva — afirmou no vídeo.

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 02/10/2017: Celesc faz reparos no Morro das Pedras. Na foto: André Luiz Vieira. (Foto: CRISTIANO ESTRELA / DIÁRIO CATARINENSE)
Heloísa e André conversam sobre os riscos para os moradores do Sul da IlhaFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Da catástrofe urbana à catástrofe natural

Quando a fluminense Heloísa Bentes, 61 anos, se aposentou do ramo de hotelaria, achou que teria uma vida tranquila em Florianópolis. Fugindo da violência urbana do Estado do Rio de Janeiro, a moradora da cidade de Petrópolis decidiu viver na capital catarinense por sua famosa qualidade de vida. Há poucos meses de completar a mudança, o cenário é outro.

— Acabei de construir minha casa na Armação, me mudo em janeiro, mas estou muito preocupada. Venho de outro lugar de calamidade, que é o Rio de Janeiro, e agora me deparo com isso. Minha maior preocupação é o abastecimento de água, que pode acabar caso rompa a adutora.

No domingo, o prefeito Gean Loureiro foi ao Morro das Pedras, subiu o tom do discurso e cobrou ações efetivas do governo estadual, especialmente do Deinfra. Na vistoria realizada, também esteve o presidente da Casan, Valter José Gallina, que afirmou ter alternativas de abastecimento caso a rodovia seja interditada.

— Se necessário, nossos técnicos estão a postos para uma operação emergencial de deslocamento da adutora para uma área mais firme, com escoramento. Tão logo a estrada seja refeita, se essa medida vier a ser necessária, a tubulação será assentada em local definitivo — afirmou.

A adutora de 400 mm que passa sob a rodovia transporta em média 200 litros por segundo, suficiente para abastecer uma população aproximada de 150 mil pessoas.

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 02/10/2017: Celesc faz reparos no Morro das Pedras. (Foto: CRISTIANO ESTRELA / DIÁRIO CATARINENSE)
Técnicos da Celesc estiveram no local para fazer a substituição de quatro postes de iluminação e da fiação elétricaFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Obras emergenciais

O presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), Wanderley Agostini, informou que o órgão está elaborando um plano de ação para minimizar os danos causados pelo avanço da maré. Técnicos da Diretoria de Planejamento e Projeto do Deinfra foram ao local nesta segunda-feira para apresentar uma solução de engenharia com o volume de material e o recurso que deve ser utilizado para minimizar os estragos.

— Nossas equipes estão fazendo o monitoramento desde o início das ocorrências. Hoje os técnicos terão uma visão de forma responsável e criteriosa dos danos causados. As ações estão sendo feitas para que os recursos sejam bem aplicados. Outra preocupação que temos é com a questão ambiental para não cometermos nenhuma irregularidade — explicou Agostini.

Nesta segunda-feira, técnicos da Celesc também estiveram no local para fazer a substituição de quatro postes de iluminação e da fiação elétrica que transmite a energia ao extremo sul da Ilha. Se antes ficavam ao lado do mar, agora os novos postes foram colocados na outra margem da rodovia. A previsão é de que os antigos postes sejam retirados na terça-feira. Técnicos de empresas de telefonia também estiveram no local para realizar o mesmo serviço nos cabos de fibra ótica.

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