Grupos de pais no WhatsApp ajudam na troca de experiências, mas não substituem o diálogo Marco Favero/Diário Catarinense

Karina Benedicto participa de grupo diferentes da classe de cada um dos três filhos

Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

Definir o que cada um vai levar no lanche coletivo, marcar encontros fora da escola, compartilhar dicas de como lidar com a virose que atingiu quase toda a classe e até debater mudanças na proposta pedagógica. Esses são alguns dos assuntos tratados pela biomédica Karina Benedicto, de Florianópolis, mãe de três meninos, com outros pais através de grupos de WhatsApp. 

Para Karina, esses canais de interação criados por pais de uma mesma turma – e que são cada vez mais comuns –, têm inúmeras vantagens. Prova disso é que a moradora da Capital é integrante de cinco grupos do tipo: um para cada turma dos filhos, além de outros de escolas anteriores:

– Eles auxiliam e muito nas questões de organização e troca de experiências, além de ajudar a trazer melhorias para a escola. Um dos grupos até fugiu do tema. O que antes era de mães da mesma classe, agora é um grupo de amigas – justifica Karina.

Coordenadora de ensino do Colégio SATC, em Criciúma – maior escola privada de SC segundo o sindicato da categoria –, Mafalda Rosso Izidoro diz que é comum a criação desses grupos, principalmente entre os pais dos alunos mais novos. Ela destaca alguns aspectos positivos dessa interação:

– Esses grupos facilitam, criam mais afinidade, compartilham informações e muitas vezes tiram dúvidas entre eles ou solicitam o contato de outra criança. 

Informações distorcidas

Em meio à enxurrada de áudios, fotos e mensagens, os grupos não podem substituir o diálogo com os pequenos ou com a escola, alerta a especialista. Mafalda acredita que a distorção de informações é um dos aspectos negativos:

– Muitas vezes a impressão de uma mãe pode não ser igual para todos, uma gota d’água se transforma em uma tempestade por má interpretação. Piora pois elas não vêm tirar satisfação com as pessoas interessadas, professores ou coordenação da escola. 

A coordenadora cita que em muitos casos a instituição de ensino chega a ser convidada para participar dos grupos, mas prefere não entrar para manter a liberdade de expressão e privacidade dos pais. Porém, deixa um conselho valioso para os participantes:

– É importante perguntar para o filho como foi o dia na escola. Não podemos deixar a tecnologia substituir esse diálogo e a presença, que são fundamentais nesta fase da vida dos filhos.

Karina, a mãe de uma escadinha de meninos – Lucas, sete anos, Fabrício, três, e Murilo com um – garante que acompanha de perto a rotina dos pequenos. E diz que, graças ao grupo de pais, já conquistou mudanças significativas, inclusive no ensino. Em um dos casos, debateu com os pais da classe do filho do meio e chegaram a conclusão que não estavam percebendo avanço no aprendizado das crianças. Levaram a reclamação à direção e houve mudança da metologia. Karina acrescenta que os pais também ficam mais unidos e têm conhecimento das situações:

– Eu sempre levo e busco as crianças no colégio, mas para as mães que trabalham em período integral a troca de informações é uma mão na roda. Elas não estão presentes, mas sabem o que está acontecendo – reforça.

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL - 11/10/2017Mães que participam de grupos no WhatsApp. Na foto, Karina com seus filhos Murilo (de chupeta), Fabrício (de amarelo) e Lucas (de preto)
Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

Envolver a escola é fundamental

No caso da empresária Thaylin Sedrez Adami, de Itajaí, a experiência com o grupo de WhatsApp de pais dos colegas do filho Felipe, de cinco anos, acabou em dor de cabeça. 

– Fomenta muita confusão. Surge uma reclamação e acaba em conflito. Além disso, eram muitas mensagens e não tinha tempo hábil para ler todas – desabafa. 

Com o fim do ano letivo, o grupo se desfez e não foi retomado. Agora, o meio de comunicação é um grupo fechado no Facebook, mas com a presença da professora que coordena as publicações. Ali o espaço é voltado exclusivamente para avisos, fotos e situações do colégio. 
Os grupos com participação da escola é uma das soluções apontadas pela pós-doutora em educação e professora da Universidade do Vale do Itajaí Claudia Kuinta Dias Hohmann. 

Ela defende que os colégios também implantem aplicativos para integrar professores, gestores e pais. Mas a especialista diz que pesquisas mostram que grupos de pais no WhatsApp aumentam a possibilidade de interpretações distorcidas, que causam confusão e desentendimentos entre os responsáveis e com a escola. Por isso, sempre deve ser priorizada a comunicação cara a cara:

– O aplicativo oferece uma comunicação simples, barata e rápida. A escolaridade é uma comunicação complexa, exige investimento, é processual. A experiência escolar tem mostrado que a participação dos pais é de fundamental importância para o bom desempenho escolar e social das crianças. Entretanto, considero que esses grupos de pais perdem significativa mediação da escola.

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