Saiba como o Enem contribui para a democratização do acesso ao ensino superior Univali/Divulgação

Foto: Univali / Divulgação

A preparação dos 121.897 estudantes catarinenses que devem prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) chega à reta final. Falta um mês para a prova, que este ano será realizada pela primeira vez em dois domingos consecutivos, em 5 e 12 de novembro. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que o Enem foi a porta de entrada de mais de 9 mil estudantes em instituições de ensino públicas e privadas do Estado em 2015. Nas universidades privadas, o acesso por meio do exame cresceu 60% entre 2014 e 2015. 

Criada em 1998, a prova unificada para todo o Brasil ajudou a democratizar o acesso ao ensino superior nos últimos.Para Otavio Auler, coordenador pedagógico do Instituto Pró-Universidade, o Enem propiciou que mais municípios tivessem acesso a prova e que mais pessoas tivessem oportunidade de realizar o exame.

— O Enem deu às pessoas o direito de fazer a prova e, além de ter a oportunidade de entrar na universidade pública, ter o acesso a outros programas como o ProUni e o Fies para obter bolsas em instituições privadas — destaca.

No caso da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), instituição privada com a melhor colocação do Estado no Índice Geral de Cursos (IGC), divulgado pelo Inep, foram concedidas 12.115 bolsas integrais desde 2006 por meio do ProUni. A instituição começou a utilizar notas do Enem em 2000 como processo seletivo. Em 2006, 619 estudantes tiveram acesso à universidade por meio do ProUni, com bolsas integrais. Onze anos depois, em 2017, foram 1.691 novos alunos bolsistas, 173% a mais.

Já na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o desempenho no Enem pode ser utilizado pela primeira vez no Vestibular 2010. Na época, o aluno poderia escolher utilizar a nota do exame para ganhar bônus sobre o resultado do processo seletivo tradicional. Já no segundo semestre de 2015, 134 estudantes conseguiram obter vagas pelo Sisu. A partir do Vestibular 2016, 30% do total de vagas disponíveis na universidade passaram a ser de ingresso exclusivo por meio da nota do Enem, modelo que permanece para o Vestibular 2018. 

Trajetória do processo 

1998 - É criado como forma de avaliação da qualidade do ensino médio no país. A prova tinha 63 questões e uma redação. O objetivo era auxiliar o governo na elaboração de políticas de melhoria na educação.

2001 - Prova ganha maior adesão, com 1,6 milhão de inscritos. 

2004 - Com a criação do Programa Universidade para Todos (ProUni) pelo Ministério da Educação, o Enem passa a ter vínculo com a concessão de bolsas em universidades privadas. 

2009 - O Enem passa a servir como “vestibular nacional” e a ter 180 perguntas distribuídas em quatro áreas de conhecimento: Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Linguagens e Matemática, além de uma redação. A prova é dividida em dois dias de avaliação e começa a ser utilizada também como certificação de conclusão do ensino médio em cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA).Neste ano, o MEC decide cancelar a prova e adiá-la, após o caderno de provas ser roubado e vazar dois dias antes da aplicação do exame. Com o problema, muitas universidades desistem de utilizar a nota da prova no processo seletivo.

2010 - É criado o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ferramenta online que cruza os dados das vagas nas instituições de ensino com a nota dos alunos no exame, possibilitando que os estudantes busquem vagas em todo o país. Neste ano, dados pessoais de 12 milhões de participantes das três edições anteriores vazaram na internet. Também aconteceram falhas em gabaritos e na impressão de provas, 9,5 mil candidatos puderam realizar uma prova substitutiva. 

2011 - Depois dos problemas de 2010, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e uma empresa especializada em gestão de risco acompanham o processo de elaboração da prova. Porém, três dias antes do exame estudantes relataram um erro no cartão de confirmação do local do exame. Após a aplicação do Enem, a Polícia Federal apurou o vazamento do conteúdo do exame em um colégio particular de Fortaleza (CE) e os alunos tiveram que refazer o teste. 

2016 - A PF realiza duas operações (Embuste e Jogo Limpo) em oito Estados para desarticular organizações criminosas que vendiam o gabarito e o acesso antecipado à prova do Enem. Foram presas 11 pessoas em flagrante. 

2017 - São anunciadas mudanças no exame, as provas passam a ser realizadas em dois domingos consecutivos, ao invés de um fim de semana. Outra novidade é o fim do fornecimento do certificado de conclusão do Ensino Médio. 

Enem 2017

Número de inscritos

Brasil: 7.603.290
Região Sul: 667.550
Santa Catarina: 121.897

Nível de escolaridade dos candidatos:

59,3% - já concluiu o ensino médio
31,9% - vão concluir o ensino médio em 2017
7,8% - está cursando e deve terminar o ensino médio depois de 2017
0,9% - não está cursando e não concluiu o Ensino Médio

Sexo:

58,6% - mulheres
41,4% - homens

Fonte: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)

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