Relógio que simboliza risco de o mundo acabar avança e marca dois minutos para "juízo final" Brendan Smialowski/AFP

Relógio que simboliza risco de guerra nuclear avança e marca dois minutos para "juízo final"

Foto: Brendan Smialowski / AFP

O Doomsday Clock (relógio nuclear), que simboliza a iminência de um cataclismo mundial, avançou e está a dois minutos da meia-noite, em razão do risco crescente de uma guerra nuclear e do quão "imprevisível" pode ser o presidente americano, Donald Trump. O Boletim dos Cientistas Atômicos revelou, na quinta-feira (25), que o relógio avançou 30 segundos, ficando pela segunda vez na história no ponto mais próximo do "apocalipse" já registrado.

"Em 2017, os líderes mundiais falharam em responder de maneira efetiva ao aparecimento de ameaças como uma guerra nuclear e a mudança climática, tornando mais perigosa a segurança global do que havia sido um ano antes e como não era desde a Segunda Guerra Mundial", informou declaração de um grupo de intelectuais das áreas de Relações Internacionais, Ciências, Meio Ambiente e Segurança.

A última vez que o relógio esteve dois minutos antes da meia-noite foi em 1953, quando os Estados Unidos e a antiga União Soviética realizavam testes de bombas de hidrogênio.

— Nas discussões deste ano, mais uma vez, os assuntos nucleares se colocaram no centro do cenário — disse Rachel Bronson, presidente e diretora-executiva do Boletim dos Cientistas Atômicos.

Rachel mencionou os novos testes realizados pela Coreia do Norte, um maior compromisso com as armas nucleares de China, Paquistão e Índia, assim como as "imprevisíveis" declarações de Trump no Twitter.

O Doomsday Clock foi criado em 1947. O horário já mudou 20 vezes desde então, em uma faixa que vai de dois minutos para a meia-noite a17 minutos antes da meia-noite, em 1991.

Robert Rosner, professor do Departamento de Astronomia, Astrofísica e Física da Universidade de Chicago, assinalou que a administração Trump por suas "inconsistências" pioram os riscos nucleares e "constituem um grande desafio" para "a estabilidade global".

As relações tensas entre Estados Unidos e Rússia também são uma ameaça, disse Sharon Squassoni, professor do Instituto para a Ciência Internacional e Políticas de Tecnologia na Universidade George Washington.

— Pela primeira vez em muitos anos não estão em marcha negociações sobre o controle de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia — indicou.

A mudança climática também é um fator de preocupação. Em 1953 "era uma ameaça hipoteticamente distante", sustentou Sivan Kartha, cientista do Stockholm Environmental Institute. Desde então, o dióxido de carbono aumentou seis vezes e o meio ambiente aqueceu cerca de 1°C.

No ano passado se viu um aquecimento extremo no mundo, danos catastróficos de furacões no Caribe e incêndios devastadores, afirmou Kartha. 

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