Campanha de vacinação contra sarampo e pólio começa nesta segunda-feira Rodrigo Philipps/Agencia RBS

Foto: Rodrigo Philipps / Agencia RBS

Pelo menos 322,8 mil crianças devem ser vacinadas contra o sarampo e poliomielite em Santa Catarina até o final de agosto. Essa é a meta da Campanha Nacional de Vacinação , que começa nesta segunda-feira e segue até o dia 31 de agosto. O objetivo da mobilização é imunizar, no mínimo, 95% das 339,8 mil crianças de um a menores de cinco anos do Estado. 

Neste período todas as crianças dessa faixa etária devem comparecer a uma das 1.102 salas de vacinação catarinenses. O Dia D de mobilização nacional será no sábado, dia 18 de agosto, em que todos os postos estarão abertos das 8h às 17h. Mesmo as crianças já vacinadas devem tomar nova dose:

— Hoje com o advento do sarampo novamente no país e com a possibilidade de volta da circulação da pólio, é preciso criar uma barreira sanitária. A vacinação indiscriminada é para garantir que todas crianças estejam vacinadas, inclusive aquelas que não tiveram uma boa resposta imunológica — explica a gerente de Imunização da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) de SC, Vanessa Vieira da Silva.

Ela acrescenta que a faixa etária foi definida porque é o grupo que mais transmite o vírus e o dissemina com facilidade. Então vacinando essa faixa, os demais também estão mais protegidos.

Para a poliomielite, as crianças que não tomaram nenhuma dose durante a vida, receberão a Vacina Inativada Poliomielite (VIP). Já os menores de cinco anos que já tiverem tomado uma ou mais doses da vacina, receberão a Vacina Oral Poliomielite VOP, a gotinha. Em relação ao sarampo, todas as crianças receberão uma dose da vacina tríplice viral, independente da situação vacinal, desde que não tenham sido vacinadas nos últimos trinta dias. A dose, além de sarampo, protege contra rubéola e caxumba.

Vanessa reforça que é importante levar a caderneta de vacinação ao posto de saúde, para já fazer a atualização de outras doses. Cada município pode estabelecer estratégias para atingir o público-alvo da campanha, como ações em creches, por exemplo.


Campanha motivada por baixa cobertura vacinal


Em 24 anos, foram realizadas seis campanhas de vacinação contra o sarampo para crianças de um a menores de cinco anos no país. A doença grave, que é extremamente contagiosa e pode matar, voltou a circular no país neste ano. Já são 822 casos confirmados no Brasil, com surtos em Roraima e Amazonas, além de casos isolados em estados como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. Em Santa Catarina, o último caso de sarampo registrado foi em 2013, importado de São Paulo. Mas no ano passado a vacina tríplice viral ficou pela primeira vez abaixo da meta (95%) no Estado. Apenas 85% das crianças tomaram a dose em 2017. 

Isso significa que uma boa parte das crianças catarinenses está suscetível à doença 
Em relação a polimielite, a situação também é preocupante. Apesar de não haver circulação do vírus no país desde 1990, em 2017, essa imunização alcançou apenas 82% das crianças menores de um ano em SC. Em julho, o Ministério da Saúde fez um alerta: 312 municípios brasileiros estavam com cobertura vacinal muito baixa contra poliomielite nesta faixa etária em 2018. Das oito cidades catarinenses que aparecem na lista, Palhoça tem a pior taxa, 28,8%. Florianópolis também estava na relação, com 40,9%.

Vacinadores: responsáveis pelo bem mais valioso de muitas mães

Quando e onde ocorre a campanha? 

Entre 6 e 31 de agosto, com o Dia D agendado para 18 de agosto, em postos de saúde de todo o país. No Estado, cerca de 2.850 unidades básicas de saúde participam da campanha.  A prefeitura de Porto Alegre deve divulgar na tarde desta sexta-feira (3) o número de postos que vão aplicar as doses.

Qual o foco da campanha? 

Crianças com idade entre 1 ano e 5 anos incompletos (4 anos e 11 meses). 

Qualquer um pode se vacinar gratuitamente? 

Embora as entidades médicas estejam estimulando a vacinação para adultos, a campanha tem foco nas crianças.  

Por que só as crianças são o público-alvo? 

Segundo Cunha, as crianças têm mais risco para todas essas doenças.  

Crianças que já foram vacinadas anteriormente devem ser levadas aos postos? 

Sim. Todas as crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos devem comparecer aos postos. Quem estiver com o esquema vacinal incompleto receberá as doses necessárias para atualização e quem estiver com o esquema vacinal completo receberá outro reforço. 

Há riscos de tomar doses a mais? 

Cunha garante que não há riscos em tomar novas doses mesmo para aquelas crianças que estão com o esquema vacinal em dia. 

Qual a vacina usada contra a pólio? 

Crianças que nunca foram imunizadas contra a pólio vão receber a Vacina Inativada Poliomielite (VIP), na forma injetável. Crianças que já receberam uma ou mais doses contra a pólio vão receber a Vacina Oral Poliomielite (VOP), na forma de gotinha. 

Qual a vacina usada contra o sarampo? 

A vacina contra o sarampo usada na campanha é a Tríplice Viral, que protege também contra a rubéola e a caxumba. Todas as crianças na faixa etária estabelecida vão receber uma dose da Tríplice Viral, independentemente de sua situação vacinal, desde que não tenham sido vacinadas nos últimos 30 dias. 

As vacinas são seguras? 

Conforme Cunha, elas são seguras e eficazes. Contudo, em raros casos podem ocorrer eventos adversos. 

Alguma delas tem contraindicação? 

Apenas crianças imunodeprimidas não poderiam, por regra, ser imunizadas. No entanto, em algumas situações elas podem ser feitas. Portanto, Cunha recomenda que um médico seja consultado para avaliar cada caso. 

No caso da tríplice viral, também é preciso respeitar o período de 30 dias entre vacinas. Ou seja: a criança só pode tomar o reforço após esse intervalo. 

— Ela é uma vacina com vírus vivo atenuado injetável, por isso precisa desse tempo — explica o pediatra. 

Elas podem provocar efeitos colaterais? 

Na maioria dos casos, não. Porém, no caso da tríplice viral, pode ocorrer um quadro semelhante ao de uma virose. 

— Não costuma acontecer, mas de cinco a 12 dias depois da vacinação, a criança pode ter febre e ficar com pintinhas no corpo. Isso pode durar de dois a três dias. 

Adultos participam da campanha? 

Não. A campanha tem como foco crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos. 

Mesmo não sendo foco da campanha, adultos precisam de alguma das duas doses? 

Sim. Conforme previsto no Calendário Nacional de Vacinação, adultos com até 29 anos que não tiverem completado o esquema na infância devem receber duas doses da Tríplice Viral e adultos com idade entre 30 e 49 anos devem receber uma dose da Tríplice Viral. O adulto que não souber sua situação vacinal deve procurar o posto de saúde mais próximo para tomar as doses previstas para sua faixa etária. 

Quais são as consequências da não vacinação? 

Individualmente, diz Cunha, a consequência é que a pessoa não estará protegida. Coletivamente, isso amplia situação de surto. 

— A baixa cobertura facilita a disseminação das doenças — diz o médico. 

* Com informações Gaúcha ZH e Agência Brasil

Leia mais

Vacina contra a meningite chega aos postos de Florianópolis

Destaque no país, SC conta com trabalho de vacinadores para ser referência em cobertura vacinal

Ministério da Saúde confirma 822 casos de sarampo no Brasil

Vacinação diminui e novos surtos ameaçam o Brasil. Afinal, o que explica esse retrocesso?

 Veja também
 
 Comente essa história