Após reabilitação, 19 pinguins voltam para o mar em Florianópolis Diorgenes Pandini/Diário Catarinense

Animais foram soltos na praia na manhã desta segunda-feira após um período de reabilitação em Florianópolis

Foto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinense

A manhã desta segunda-feira marcou um recomeço para 19 pinguins-de-magalhães (Spheniscus  magellanicus) em Florianópolis. Após um período de reabilitação no Parque Estadual do Rio Vermelho, quando ficaram sob cuidado dos médicos veterinários da Associação R3 Animal, as aves foram soltas no mar da praia do Moçambique por volta das 8h30min. 

O ponto escolhido para a soltura foi próximo ao Canto das Aranhas porque há poucas pessoas e o mar, geralmente agitado na praia do Moçambique, é mais tranquilo. Alguns moradores até estavam no local e acompanharam a caminhada dos pinguins para o mar, mas nada que atrapalhasse a ação realizada pela Associação R3 Animal em parceria com o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina e a Polícia Militar Ambiental. 

Conforme a presidente da R3 Animal, Cristiane Kolesnikovas, é comum que os pinguins apareçam no Litoral catarinense durante o período de inverno. As aves deixam a Patagônia para seguir as correntes marítimas de água fria à procura de comida. Algumas não conseguem voltar às colônias de origem e são encontradas nas praias catarinenses cansadas e debilitadas, muitas delas até com quadro de pneumonia. 

Os animais são levados para o Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM), no Rio Vermelho, onde passam por um período de recuperação — o qual varia de acordo com o estado em que cada ave chega ao Litoral catarinense. Cristiane Kolesnikovas explica que os pinguins soltos nesta segunda-feira ficaram, em média, 45 dias no local.

— Os animais chegam bastante debilitados e magros, então inicialmente são mantidos em aquecimento para recuperar a temperatura corporal e são devidamente hidratados. Depois,  aqueles que necessitam de cuidado especial ou medicação são tratados pelos veterinários. Na última etapa eles precisam ganhar peso e realizam exames para comprovar que estão sadios e saudáveis — explica a presidente da Associação R3 Animal.

Após a soltura, os pinguins devem seguir para alto mar com objetivo de retornar para a Patagônia, habitat natural desses animais. Cristiane Kolesnikovas ressalta que esse é um bom período para migração, já que na primavera a corrente marítima de águas frias começa a se retrair em direção ao Uruguai e Argentina — o que pode facilitar o deslocamento das aves.

Não há garantia, porém, que os animais consigam retornar para a Patagônia. Caso a corrente marítima não seja favorável ou algum pinguim se perca no caminho e volte para o Litoral catarinense, ele deve ser devidamente identificado pela equipe de resgate por conta de um microchip inserido nos animais durante o período em que passam pela reabilitação.

 Nesta segunda-feira, 10 de setembro, chega ao fim o período de reabilitação para 19 pinguins-de-magalhães (Spheniscus  magellanicus) que estão sob os cuidados da Associação R3 Animal através do Projeto Local: Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM). Rio Vermelho
Pinguins soltos nesta segunda-feira ficaram, em média, 45 dias no centro de reabilitação no Rio VermelhoFoto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinense

Mais 15 pinguins devem ser soltos nas próximas semanas

Além dos 19 pinguins soltos nesta segunda-feira, há 15 animais que ainda estão em tratamento no centro de recuperação da R3 Animal. A presidente da associação explica que as aves estão na última fase de reabilitação, precisando ganhar peso e realizar os exames finais. Ela considera que os animais devem permanecer no local por ao menos 15 dias antes de serem reinseridos na natureza.

Cristiane Kolesnikovas destaca que o trabalho de recuperação é importante porque muitos animais são encontrados no Litoral catarinense em estado muito crítico. Tanto que algumas aves soltas nesta segunda foram encontradas praticamente no mesmo período em que mais de 100 pinguins chegaram mortos às praias do Norte de Florianópolis. 

Entenda o projeto

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), que tem Cristiane Kolesnikovas como coordenadora em Florianópolis, faz parte de uma série de exigências feitas pelo Ibama para que a Petrobras pudesse explorar o pré-sal na Bacia de Santos — desde Ubatuba (SP) até Laguna (SC). O objetivo é avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos.

Ele é coordenado pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), no Litoral Norte catarinense, e possui parceria com 11 instituições ligadas ao meio ambiente em Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Uma delas é a Associação R3 Animal e o Instituto Australis/Projeto Baleia Franca, que fica em Imbituba mas também monitoram algumas regiões da Grande Florianópolis. 

Serviço

A orientação é que quem encontrar um animal marinho ferido ou morto mantenha distância e ligue imediatamente para o projeto de monitoramento pelo telefone 0800 642 3341. 

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