Ideb 2017: SC aumenta índices, mas perde liderança no ensino fundamental Leo Munhoz/Diário Catarinense

Foto: Leo Munhoz / Diário Catarinense

Santa Catarina apresenta duas realidades bem distintas quando o assunto é educação. Enquanto ostenta bons indicadores nos anos iniciais, quando chega na reta final, o ensino médio, o Estado patina. Porém, SC tem perdido força no início da vida escolar e cresce abaixo da média brasileira nos anos iniciais (1º ao 5º ano) e finais (6º ao 9º ano) do ensino fundamental. É o que mostram os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2017, ferramenta do MEC para avaliar o ensino brasileiro, divulgados nesta segunda-feira (03). 

Ao considerar a média total, que integra as redes municipal, estadual e privada, SC avançou 0,2 pontos nos anos iniciais, 0,1 nos finais e 0,3 no ensino médio em relação ao Ideb 2015.

Ideb 2017: Brasil não deve alcançar metas para o Ensino Médio

No 9º ano, SC perdeu a liderança entre os Estados, conquistada no último levantamento em 2015, e caiu para terceira posição em 2017, com a segunda maior média do país, pois São Paulo e Goiás estão empatados em primeiro. Já no 5º ano, Estado manteve a segunda posição, atrás de São Paulo, porém está empatado com Paraná e Minas Gerais. Já o ensino médio foi a única etapa que o Estado aumentou o índice acima da média brasileira. Depois de duas quedas consecutivas, SC tem pequena recuperação e sai do 8º para quarto lugar. 


Mais de 73% tiram nota mais alta nos anos iniciais 

O Ideb é calculado a cada dois anos com base no fluxo escolar (taxa de aprovação, reprovação e abandono) e o desempenho de estudantes em português e matemática. Os dados levam em conta todas as redes de ensino.

O índice dos anos iniciais do ensino fundamental é o único quesito que SC cumpre a meta estabelecida pelo Ministério da Educação (MEC) e o único indicador em que SC cresceu todos os anos, desde que o Ideb foi criado, em 2007. O Estado atingiu 6,5 pontos em 2017 (em uma escala de 0 a 10), enquanto a meta é de 6. Mas na comparação com 2015, Estado cresceu apenas 0,2 pontos, enquanto o Brasil subiu 0,3 e atingiu 5,8 de pontuação, também dentro da meta nacional, de 5,5.

Se considerada a rede municipal nesta faixa escolar, SC tem 73% de municípios com nota 6 ou mais (média que corresponde ao de países desenvolvidos), é a segunda maior proporção do país, só atrás de São Paulo (88%). Nesta rede de ensino, os municípios com maiores índices são Iporã do Oeste (7,9) e Luzerna (7,7). ambos no Oeste de SC. 

A etapa dos anos finais do ensino fundamental foi a que SC menos cresceu entre 2015 e 2017: apenas 0,1 e chegou a um índice de 5,2, abaixo da meta de 5,7. Até 2011, o Estado estava dentro da projeção estabelecida pelo MEC. O crescimento mais tímido do que a média brasileira (0,2) fez com o Estado caísse da primeira para terceira colocação entre 2015 e 2017, atrás de Goiás e São Paulo. No Brasil, o índice no 9º ano é de 4,7, também abaixo da meta. 

O professor Lourival José Martins Filho, do programa de Pós-graduação em Educação da Udesc, reforça que SC sempre foi referência em avaliações educacionais de larga escala e deve continuar sendo. Mas para isso precisa investir, principalmente, na carreira docente, com salários atrativos e cursos de formação continuada, inclusive para os professores alfabetizadores, que atuam na fase inicial, onde SC tem melhores índices:

— Todas as etapas da educação básica merecem cuidado extremo e atencioso do poder público. As crianças dos anos iniciais do ensino fundamental precisam aprender com qualidade, porque se elas aprenderem com qualidade nesta etapa elas vão levar essas competências para o resto de sua aprendizagem. 

Além disso, o especialista diz que para um Estado ser referência em educação, a área precisa ser uma política de Estado e não de governo ou partido. 

A diretora de Gestão da Rede Estadual da Secretaria de Educação de SC, Marilene da Silva Pacheco, reconhece que é fundamental a formação continuada desses professores. Os docentes precisar estar preparados para a ruptura que acontece aos alunos na passagem para o 6º ano e para o ensino médio, etapas que têm maiores níveis de reprovação. 

Ela acrescenta que nos anos finais do ensino fundamental também é necessária uma política nacional do Ministério da Educação voltada para essa etapa, assim como já existe para os anos iniciais e ensino médio.  Como ações que o Estado vem desenvolvendo, Marilene cita o novo modelo de gestão implantado em 2013, no qual gestor educacional estabelece plano de ação baseado em metas do Ideb.  Além do Programa de Novas Oportunidades de Aprendizagem (Penoa), que oferece aulas de reforço no contraturno escolar. 


Ensino médio catarinense tem recuperação, mas ainda é etapa mais distante da meta

Apesar de ter crescido acima da média brasileira, o ensino médio catarinense ainda representa o cenário mais crítico. Santa Catarina, em 2017, chegou ao índice de 4,1, bem longe da meta de 5,2. Além disso, a pontuação é a mesma que SC já tinha alcançado em 2009 e abaixo da conquistada em 2011 (4,3). 

No ensino médio, SC vem perdendo posições desde 2011, quando liderava entre os Estados. Em 2013, recuou para segunda colocação e então em 2015 caiu para oitava posição. Nesta edição retomou a quarta posição, empatado com Distrito Federal, Ceará e Pernambuco. 

O professor da Udesc Norberto Dallabrida, coordenador do  Observatório do Ensino Médio em Santa Catarina (Oemesc), lembra que o ensino médio é gargalo na educação catarinense há anos e que houve pouca alteração desde que o Ideb foi implantado:

— A fragilidade começa nos anos finais e explode no ensino médio. SC tem índices menos piores do que o Brasil, mas temos que comparar com Finlândia e Coreia do Sul.  Fragilidade maior está na rede estadual e não é um problema só de SC. 

Se analisada apenas a rede estadual pública, que responde por praticamente 80% dos alunos do Estado, a pontuação cai para 3,6, praticamente a média brasileira (3,5). Além disso, SC cai para nona posição entre os Estados.

Outro dado que preocupa é as notas das escolas da rede estadual no ensino médio. Nenhuma teve índice acima de 5,2 (6 é o nível considerado dos países desenvolvidos). No país, 5,5% das escolas chegaram neste patamar. Na rede privada nesta etapa escolar, SC em 6 de índice, abaixo ainda da meta, de 6,8. 

Dallabrida defende que, além de melhorar a infraestrutura da escolas e mudança no currículo, é essencial focar na carreira docente:

— A questão de fundo da mudança estrutural é a carreira docente, tornar a carreira financeiramente atraente. O outro lado, é avaliar os professores. Hoje se paga mal e não se avalia. 

Marilene afirma que o ensino médio é uma preocupação nacional há alguns anos e que é fundamental a reforma dessa etapa para atender esse aluno que tem um novo perfil: 

— Muitos precisam trabalham, 29% dos alunos da rede estadual estudam no período noturno para trabalhar. Metodologia e currículo não dão mais conta de atender a esse jovem que chega no ensino médio, a gente precisa avançar.

O grande desafio ainda é manter esse aluno na escola. Marilene diz que a taxa de reprovação nesta etapa na rede estadual é de 14% e a taxa de abandono é de 7,1%.



O que é o Ideb

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado a cada dois anos, foi criado em 2007 para medir a qualidade das escolas e das redes de ensino no Brasil.  Ele é calculado com a combinação de dois conceitos educacionais importantes: o fluxo escolar (a taxa de aprovação, reprovação e abandono) e o desempenho de estudantes em avaliações que medem o conhecimento em português e matemática, considerados base para para as demais disciplinas do currículo escolar. 

O índice varia de 0 a 10. As metas projetadas são diferenciadas para cada unidade, rede e escola. Elas são apresentadas bienalmente, desde 2007 até 2021, de modo que os estados, municípios e escolas deverão contribuir em conjunto para que o Brasil atinja a meta 6,0 em 2022 o o mesmo patamar educacional da média dos países participantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


Para que serve

Com os resultados, o governo determina metas para a educação e planeja a distribuição de recursos. Além disso, diretores e professores ficam sabendo como está o trabalho e podem promover mudanças. 

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