Entenda as necessidades de cães e gatos em cada fase da vida Cristiano Estrela/Diário Catarinense

Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

 A ciência já comprovou que conviver com animais de estimação faz bem ao coração, reduz o estresse, incentiva a prática de atividades físicas e estimula o senso de responsabilidade. Para lhe ajudar a retribuir tantos benefícios, reunimos as principais informações sobre os cuidados com cães e gatos, de acordo com as fases da vida de cada espécie.

Filhotes
A infância é uma fase fundamental no desenvolvimento do cão. Investir nos primeiros 12 meses de vida pode significar mais bem-estar na fase adulta e na velhice. O primeiro "passeio" que um cachorro deve fazer é ao veterinário. O profissional vai indicar as vacinas que precisam ser tomadas e a necessidade ou não de tratamento prévio, como vermífugo ou antipulgas. A imunização protege especialmente da cinomose, da parvovirose (as doenças mais comuns na infância do cão)  e da raiva. Depois dos primeiros 12 meses de vida, o reforço das doses é anual. É também na infância que a castração deve ser feita.

– Em geral, elas têm indicação de castração antes do primeiro cio, o que costuma ocorrer entre seis e sete meses de vida. Isso por que a estimulação hormonal predispõe o surgimento dos tumores de mama – diz a veterinária Mariana Teixeira.

Nos machos, como a evolução da uretra depende da estimulação hormonal, é preciso esperar até oito meses ou um ano de vida. Filhote come, obrigatoriamente, ração de filhote. Não adianta inventar.

– Atrás da produção das rações, há ciência. Os alimentos são desenvolvidos para suprir as necessidades de acordo com a faixa etária do animal – defende Isabel Silva, professora
de nutrição animal.

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Adultos
É a fase entre um e sete anos de vida. Além de manter os cuidados com alimentação e vacinação, é importante que o tutor fique atento a doenças de pele e articulares.
Vacinas como antirrábica, contra leishmaniose, tosse canina, leptospirose e a polivalente precisam ser aplicadas anualmente. Os tutores devem levar o animal ao consultório veterinário pelo menos uma vez ao ano. A administração dos vermífugos varia de acordo com o estilo de vida do cão: aqueles que ficam em sítio, por exemplo, podem precisar de três a quatro doses anuais. A mesma regra vale para antipulgas e carrapatos.

E a higiene? Dependendo da raça, pode haver indicação de banhos semanais, para não deixar os pelos embaraçados. Cotonetes não devem ser usados.

– Tem que cuidar para não entrar água nos ouvidos, fator que pode predispor à otite. Também é preciso secar bem entre as patas para evitar o surgimento de fungos – orienta a veterinária Mariana Teixeira.

Se os tutores optarem por oferecer ração, o principal cuidado é em relação à quantidade de alimento. Gulosos, os cães sempre vão pedir mais do que realmente precisam. É proibido dar aos cães as refeições da família, com temperos e aditivos que podem prejudicar o aparelho digestivo.

Idosos
A longevidade dos cães tem aumentado e muitos podem superar os 15 anos de vida. A partir dos sete anos, eles já são considerados idosos e precisam de cuidados especiais. Nessa fase, os cães tendem a ficar menos ativos: brincam menos e descansam mais.

Também aumenta o risco de doenças do coração, degenerativas (como artrose), demência e câncer. O animal precisa visitar o veterinário com regularidade – indicam-se consultas a cada seis meses. Bastante comum, os problemas relacionados à locomoção podem ser amenizados com tratamentos específicos como fisioterapia e acupuntura.

As rações para essa fase da vida recebem um reforço importante de gorduras e ômega 3 e 6. Além disso, têm fibras (facilitando a digestão), proteínas (que garantem a manutenção da massa magra) e aditivos que auxiliam a saúde mesmo com a queda no metabolismo.

Gatos filhotes
É fundamental realizar todos os testes para doenças infectocontagiosas. Se estiver tudo certo com a saúde do filhote, aos 60 dias ele pode tomar a primeira dose para doenças virais, seguida da antirrábica. Depois, os reforços devem ser anuais. Os felinos também precisam receber ração própria para sua faixa etária. 

A principal diferença em relação aos caninos é que, por questões fisiológicas,
os gatos tomam menos água.

– Eles gostam mais de água corrente do que da parada. Então, sugiro a instalação de fontes. Além disso, pode-se deixar vários potes de água espalhados pela casa – aconselha Isabel Silva, professora de nutrição animal.

É na infância que os tutores têm a oportunidade para condicionar os gatinhos à manipulação. A estimulação deve ocorrer nas primeiras semanas de vida: ele pode ser tocado, ter a boca aberta e aprender a brincar sem morder. Isso facilita, no futuro, do corte de unhas até a ingestão de remédios.

É fundamental ter telas em todas as janelas da casa para evitar fugas ou quedas.

– Se houver área externa, como coberturas ou pátios, essa atenção deve ser redobrada. Devemos tomar cuidado também na entrada e na saída de portas, pois o perigo para os gatinhos está na rua – lembra Martina Lese Hoffmann.

Gatos adultos
Todo o animal saudável deve visitar o veterinário uma vez ao ano para avaliações. Esse cuidado é fundamental para monitorar problemas que podem aparecer ao longo da vida, como doença renal, hipertireoidismo, hipertensão, pancreatite, doença do trato urinário inferior, neoplasias e diabetes.

Os gatos costumam procurar o prato de ração várias vezes ao dia, mas isso não significa que eles podem comer livremente. A porção diária deve ser oferecida de acordo com os hábitos do animal e a disponibilidade do tutor. Felinos são independentes, o que não quer dizer que eles não gostem da companhia humana.

– Muita gente escolhe gato por que não precisa passear, mas precisa brincar – comenta a veterinária Isabel Silva.

Para garantir a diversão deles, não precisa muito: uma caixa de papelão furada, varinhas com penas, bola de lã e prateleiras são suficientes. Gatos também gostam de outros gatos. Por isso, a veterinária Ceres Faraco diz que o melhor é sempre adotar uma dupla.

– Isso faz com que eles se desenvolvam e brinquem e evita o trabalho de adaptação.

Nesses casos, a dica é imitar a convivência dos peludos na natureza: fêmeas com fêmeas e machos com machos. Tutores que já têm um felino e desejam ter outro devem pedir ajuda a um veterinário sobre as melhores formas de proceder com a adaptação.

— Isso leva tempo. Precisa preparar toda a casa para que eles não se vejam – diz Ceres.

Gatos idosos
Seguem as mesmas recomendações dos gatos adultos: visita regular ao veterinário e reforço nas vacinas anualmente. Nesta fase da vida dos felinos, ocorre a perda de massa magra, que
começa a ser mais rápida após 12 anos. Por isso, é importante manter a alimentação para a faixa etária do animal e estimular as atividades físicas. Embora possam ficar mais quietos ao envelhecer, é fundamental seguir brincando com os animais. Por isso, a importância de ensiná-los na infância. 

Como escolher um pet para adotar

Estar ciente da responsabilidade que é ter um animal de estimação é fundamental antes de decidir pela adoção. Por isso, primeiro é preciso definir qual o propósito dessa nova relação. Cada raça e espécie possuem características específicas, reflexo  da evolução ao longo dos anos.

– As pessoas pegam raças sem saber quais suas particularidades e acabam tendo problemas. Se quero um cão de guarda, por exemplo, não devo buscar um pitbull, mas, sim, um rottweiler – explica Tiago Pacheco, profissional especializado em adestramento e comportamento animal.

Esse tipo de avaliação fica prejudicada quando o cão não tem raça definida – os queridos e populares vira-latas. Mas sempre vale apostar na criação.

– Uma boa educação gera bons cães, independentemente do perfil – afirma Tiago.

Ao adotar, vale lembrar também que a expectativa de vida de um cachorro é de, pelo menos, 10 anos.

– É um comprometimento. As pessoas precisam se responsabilizar ao longo de toda a vida do animal – destaca a veterinária acupunturista Wanessa Beheregaray Gianotti.

A médica veterinária Martina Lese Hoffmann lembra que, quando bem cuidados e sem acesso à rua, os gatos podem ultrapassar os 18 anos de vida.

– É importante levar em conta que serão anos de responsabilidade por aquele gatinho. Apesar de serem animais muito independentes, são também muito apegados aos seus tutores e precisam de diversos cuidados – destaca.

Independentemente da idade do bichinho, o recomendado é que, assim que ele chegar ao novo lar, seja levado ao veterinário, pois gatos com acesso às ruas são bastante suscetíveis a doenças infectocontagiosas.

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