Infestação do mosquito da dengue preocupa em SC Salmo Duarte/A Notícia

Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Santa Catarina registrou o maior número de municípios infestados pelo mosquito Aedes aegypti de sua história: são 75. Além disso, o Estado atingiu recorde no total de pontos com a presença do inseto que transmite doenças como dengue, zika vírus e chikungunya. Em 2018, até novembro, foram contabilizados mais de 14,5 mil focos de Aedes, o que representa um número 28 vezes maior em relação a 12 meses de 2009, quando eram 507 locais.

— É uma situação de altíssimo risco. A cada ano, infelizmente, tem aumentado o número de municípios infestados e de focos. Não vemos um cenário nada animador e nem de melhora da situação, ao contrário. Tem o aumento de temperaturas e abundância de água, além da biologia do mosquito. O ovo pode ter sido posto há um ano e, com a vinda da chuva, ele vai eclodir — diz Suzana Zeccer, gerente de Zoonoses da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC (Dive-SC).

Suzana explica que diversos fatores podem explicar esse aumento da proliferação do inseto no Estado, além do clima. Problemas nas atividades de combate, com grande rotatividade dos agentes de controle de endemias nos municípios, falta de saneamento e de conscientização por parte da população são alguns dos principais:

Um dos cenários mais preocupantes aparece em Balneário Camboriú, que tem maior número de focos registrados em 2018 no Estado. Foram 1069 criadouros do Aedes aegypti identificados.

— Hoje o município está em primeiro colocado em número de focos, mas, em comparação com o ano passado, a gente tem uma redução, estamos com praticamente metade dos focos de 2017 — diz Rafael Neis da Silva, coordenador do programa de combate à dengue em Balneário Camboriú.

A maior dificuldade ainda é a eliminação de focos dentro de residências e comércios. Neste ano, até outubro, foram 4,7 mil de denúncias da comunidade e de agentes sobre locais que representam risco à saúde. A partir dessas vistorias, foram 227
intimações, 92 infrações aplicadas e até um local interditado por não adotar as medidas de eliminação recomendadas.

Cidades do Oeste têm alto risco

Três municípios da região Oeste apresentam alto risco para transmissão de dengue, zika e chikungunya, de acordo com o Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa), feito pelas prefeituras. São eles: Águas de Chapecó, Palmitos e Quilombo. Todas as cidades infestadas devem realizar esse balanço duas vezes ao ano, normalmente nos meses de abril e novembro.

O objetivo do LIRAa é a identificação do tipo e a quantidade de depósitos encontrados que possam ser potenciais criadouros do inseto, e esses três municípios tiveram os índices mais altos de infestação no Estado. E um dos grandes problemas apontados ainda é a falta de conscientização.

— Muitos não acreditam que é verídico, que o mosquito pode transmitir essas doenças. O pessoal precisa estar consciente de que esse é a nossa realidade — diz Marlei Beatriz Schlosser, que até esta semana é coordenadora do Programa do Combate à Dengue de Palmitos.

Marlei diz que pelo menos em cinco locais foi necessário recorrer ao Ministério Público para autuar proprietários para adotarem medidas e evitar a proliferação do mosquito. No município, cinco agentes vistoriam 6,3 mil imóveis a cada dois meses.

Já em Quilombo, a supervisora do programa e um agente vistoriam 2,6 mil imóveis neste período. A dificuldade também é contar com ajuda dos moradores para combater os focos, diz a supervisora do Programa de Combate à Dengue do município, Josete Serrari. Para tentar minimizar os focos, realizaram três mutirões neste ano para recolher entulhos e lixos, distribuir material informativo e o auxílio de empresas da região para limpar as vias de acessos à cidade.

No LIRAa, realizado em 74 cidades infestadas de SC (Santiago do Sul ficou fora porque entrou nesta categoria só no final de outubro), foram identificados 76,9 mil depósitos que continham água parada, ou seja, que são potenciais criadouros do mosquito Aedes aegypti. A maioria era lixo ou sucata (35,8%) e depósitos móveis, como balde e prato de planta (34,5%).


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