A gente queria saber por que vir ao Brasil e curtir uma festa com música argentina e pessoas do mesmo país? Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS

Por volta das 2h da manhã de segunda-feira, dois brasileiros reclamavam da festa Mystik, do Music Park, em Jurerê. "Vamo embora, tá uma bosta". Lógico que fomos conversar com os que deveriam ser os únicos não-argentinos do rolê - para quem não conhece, a balada é realizada por um produtor argentino em parceria com o Grupo All e divulgada entre agências de turismo que trazem turistas do país hermano para Florianópolis.

— A gente veio sem saber a proposta, não sabia que era uma festa argentina — disse Bruno Bueno, de São Paulo, que em seguida tentou se explicar:

—Também não posso criticar porque talvez a proposta não era pra mim. Mas não dizia nada na hora de comprar o ingresso na Blueticket.

O amigo Brian Santiago, de Fortaleza, que o acompanhava, concordou:

— Não entendendo nada, tentei falar com a galera mas não deu pra interagir.

Os haoles do rolê: engraçado como brasileiro tem cara de brasileiro e argentino de argentino, não é mesmo? Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS

A Mystik tem mesmo algumas peculiaridades. Nós chegamos no complexo por volta da meia noite e o Music Park parecia às moscas. "Tem uma festa aí hoje?", perguntou um Léo Cardoso desconfiado a um segurança. À 00h14min, enquanto esperávamos nossa liberação de imprensa, escutamos uma conversa no walkie-talkie: "Tem cliente esperando pra entrar?". "Uns quatro", responderam.

Os primeiros grupos só começaram a chegar mesmo por volta das 00h45min, as argentinas com suas plataformas e maquiagens naturais, os argentinos com calças ou bermudas com a barra dobrada e alpargatas. Todos bronzeadíssimos de tanta praia, é claro. Às 3h, ainda havia dois micro-ônibus chegando com turistas. Isso porque na Argentina é comum as festas começarem a bombar mesmo a partir das 2h.

TODAS as garotas estavam com sapatos plataforma como esses, sem exagero Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS

Mas o que a gente queria mesmo saber é por que vir ao Brasil e curtir uma festa com música argentina e pessoas do mesmo país?

— Primeiro que aqui é mais barato que lá. Lá é muito caro sair à noite. Segundo que a festa está dentro de um pacote de turismo, está incluída — explicou Emmanuele Carlos, de Buenos Aires.

Outro turista com quem conversamos também citou os preços mais baixos como uma vantagem para curtir uma festa hermana no Brasil. Um terceiro assumiu: "Viemos pelas mulheres".

Para o produtor e empresário Rodrigo Mangone, da Travel Planet Eventos, o conceito da Mystik é que seja uma casa para turistas.

— O brasileiro quer sair domingo e não tem nada em Florianópolis, e os gringos estão de férias. Mas ainda não conseguimos atrair o público daqui — comenta ele, que busca trazer DJs conhecidos entre o público de lá e coloca uma equipe de promotores nas praias preferidas dos argentinos para divulgar e vender ingressos para a festa.

Quando toca aquela cúmbia... Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS

A Mystik recebe cerca de 1200 pessoas por noite e ocorre sempre aos domingos, durante os meses de janeiro e fevereiro. Nesta temporada, há festas até o dia 5 de fevereiro. Uma pista "open format" toca hits pop e gêneros latinos, e a outra toca música eletrônica. Nesta madrugada, a que mais bombava era, sem dúvida, a pista pop, localizada onde é o Terraza. Os argentinos se emocionavam a cada cúmbia tocada. O animador Gastón "El Francés", uma figura curiosa de regata estampada de coqueiros e dreads loiros, se encarregava de divertir o público. Ele nos contou que seu trabalho é fazer saudações e parabenizar quem está de aniversário, por exemplo. 

— Moro em Buenos Aires. Estou de férias, faço como um hobbie. Também sou músico — contou ele, que é integrante do grupo  Los Auténticos Decadentes, tradicional grupo argentino.  

O animador Gastón "El Francés": melhor pessoa Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS

Não que os hermanos e hermanas precisassem de animação. Com a tranquilidade de quem não precisa se preocupar com a volta ao trabalho na manhã de segunda-feira, eles curtiam, dançavam muito (os homens bem mais que os daqui, vale dizer) e bebiam todas. Alguns amigos chegaram a pegar uns aos outros no colo e teve até quem deu um mortal pra trás em plena pista de dança. Ficamos impressionados e deu vontade de voltar para curtir junto. 

Esse é o cara do mortal Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS

No banheiro, uma funcionária ficou feliz ao ouvir o Léo falando português. Perguntada se existia alguma diferença entre o público brasileiro e o argentino, resumiu:

— Eles berram mais, são mais escandalosos.

As fotos da festa ficaram ótimas:

Momento selfie Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS
Esses estavam mais loucos que o Batman Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS
Amiga, parceira versão hermana Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS
Mais uma moda argentina: chuquinha da Xuxa  Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS
Esse cara era o mais animado Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS
Olha ele de novo aqui, com os amigos Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS
Crocs na balada: seria coisa de argentino? Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS
Esse grupo de amigos passou a noite brincando de se pegar no colo Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS
Beleza natural: argentinas não fazem carão e nem usam maquiagem Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS



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