Este foi um ano de perdas. De lições. De incertezas.

Um ano em que nos separamos. Que brigamos por política. Gritamos até ficar sem voz e, no barulho das manifestações, deixamos de escutar o outro – e, às vezes, até nossa própria consciência. 

Nas ruas, milhares empunharam bandeiras. Nas sacadas, bateram panelas, pedindo a saída da presidente. As pedaladas perderam o sentido ciclístico para ganhar significado fiscal e político. Em nome de Deus, da família, dos filhos e até de um finado torturador da ditadura militar, os deputados aprovaram o impeachment. A sangria se estendeu até o ato final no Senado. No fim das contas, pagamos o pato (mas as instituições permanecem funcionando).

A Lava-Jato continuou jorrando e a capacidade de Brasília aprofundar a crise política e econômica não arrefeceu. Em um mundo pós-fato, em que as mentiras sinceras interessam mais do que verdades inconvenientes, assistimos à cisão da União Europeia com a saída voluntária da Grã-Bretanha e os norte-americanos elegerem um milionário republicano disposto a erguer um muro. 

Ficamos exaustos e desapontados com um mundo que bombardeia crianças e atira pelas costas em retaliação. Um ano em que o terror atropelou a paz, com o Ocidente na mira do Estado Islâmico.

Este foi um ano de adeus. Choramos. Nos despedimos sem querer de grandes amigos. Vidas foram interrompidas precocemente por negligência e soberba. Uma constelação de estrelas da música, da política e da fé nos deixou. Há muito tempo o mundo não perdia tantos nomes brilhantes. Reflexo do fim de uma época de ouro da música e da cultura pop. 

Mas este também foi um ano de superação. Força, agilidade, velocidade e precisão. Músculos e ossos no extremo em busca da vitória. Nos Jogos Olímpicos, mulheres e homens moveram-se no limite e criaram novas fronteiras. Superação que nos inspira a seguir. Não, a gente não desiste. Um novo ano está para nascer. Ganhamos outros 365 dias para acertar.

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