Meses antes de inaugurar a Ponte Hercílio Luz, em 1926, o então governador de Santa Catarina, Antonio Pereira da Silva Oliveira, contratou um estudo para avaliar se a obra da empreiteira American Bridge estava de acordo com o projeto. Os engenheiros Oscar Machado da Costa e Mario de Faria Bello, renomados no Estado na época, referendaram o relatório de 23 de abril daquele ano. Entre cálculos e levantamentos, a dupla não poupou adjetivos à construção recém-inspecionada: “Essa majestosa e monumental obra de arte, no gênero a mais importante da América do Sul e, na espécie, a única construída até hoje em todo o mundo”. O texto descreve a estrutura como a mais importante, até então, em que foram usadas barras de olhal (peças de suspensão do vão pênsil e responsáveis pelas conhecidas curvas arquitetônicas). Por fim, aconselha pelo aceite da primeira ligação entre a Ilha e o Continente na Capital do Estado, mas faz uma ressalva: recomenda vigilância para a conservação da estrutura.

O descumprimento dos conselhos dados pelos engenheiros levou o principal cartão-postal de Santa Catarina a ser interditado pela primeira vez em 1982. Em 35 anos, foram diferentes contratos de manutenção e restauro até o atual, do governo Raimundo Colombo, com a construtora portuguesa Teixeira Duarte. Acionada sem licitação, a equipe europeia chegou a Florianópolis em 2015 para terminar as bases provisórias. No ano seguinte, iniciou a reforma definitiva da ponte a um custo de R$ 263 milhões, depois aditado em mais R$ 11 milhões. 

A complexidade e o ineditismo da reforma surpreendem engenheiros no exterior, mesmo os acostumados com obras de envergadura semelhante. No mundo, além da Hercílio Luz, que tem o vão central suspenso por uma barra de olhal, havia somente duas pontes similares, ambas nos Estados Unidos: uma desabou e outra foi desmontada.

— É uma das maiores obras de reabilitação já realizadas pela Teixeira Duarte. Fizemos outras, mas esta, em termos de dimensão, é maior, mais complexa. São trabalhos de muitas especialidades, diferentes áreas — resume Pedro Faro, um dos engenheiros portugueses responsáveis pela obra.

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