As águas do Rio Iguaçu, na divisa de Santa Catarina e Paraná, são o caminho. A embarcação irá navegar por 8,7 quilômetros. Os passageiros são todos homens e não sabem o que os espera, adiante, num descampado, lado oposto de onde partem. Provável que depois de uma semana de empreitadas, esses trabalhadores com sotaques tão diferentes desejem o reencontro com as famílias. 

Mas é a morte que os aguarda. Não por afogamento, caso o vapor afunde nas águas turvas de um território contestado. Mas por degola. Deles jorrará sangue que encharcará o chão da mata. Seus corpos sequer serão enterrados. Ficarão expostos até serem devorados por animais famintos. O que aconteceu naquele sábado de 21 para 22 de novembro de 1914, em plena Guerra do Contestado, irrompe a injustiça. À luz de documentos, laudos cadavéricos, recortes de jornais, relatos do Exército e entrevistas com descendentes de quem esteve dos dois lados — vítimas e carrascos —, uma pesquisa feita pela doutoranda Viviani Poyer, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), dá cientificidade ao que até então fazia parte da história oral da região de Canoinhas. 

Na semana em que se comemora os 101 anos do acordo de limites entre os dois estados, a reportagem do DC conversa com moradores e refaz o caminho das 17 vítimas da chacina. Até encontrar no meio de um mato a vala comum onde os esqueletos foram enterrados. Confira no Caderno Nós.

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Caderno Nós Chacina de Iguaçu
Foto: Arte DC / Arte DC



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