Exclusivo: "Não sou muito bom, os outros é que são horríveis", diz Bolsonaro  Marco Favero/Diário Catarinense

Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

Com ele há polarização. Ou ama, ou odeia. Ou a pessoa capta suas ideias a ponto de idolatrá-lo em aeroportos, eventos, ou se sente isolado por seus conceitos. Graças às opiniões fortes e frases de impacto, ganhou espaço principalmente junto à direita conservadora. Nos últimos meses, porém, Jair Messias Bolsonaro (PSL-RJ) diminuiu o tom e amenizou os discursos que pudessem ter o quê polêmico, tão comum a ele. Diz que é para evitar problemas e debates fúteis no plenário às vésperas da eleição presidencial – da qual é pré-candidato há um bom tempo –, mas é inevitável dizer que essa mudança de postura tem como objetivo surfar entre eleitores indefinidos. Em entrevista exclusiva concedida à NSC Comunicação, Bolsonaro abordou os temas que o colocaram em evidência desde o início da década e o transformaram em sinônimo de oposição à esquerda. Confira:

O senhor demonstrou força no ano passado, durante a passagem por Santa Catarina. O Estado historicamente é opositor e nos últimos anos vem pendendo com mais intensidade à direita. Como se aproveitar disso para consolidar esse cenário até as eleições?
O primeiro Estado em que fiquei na ponta nas pesquisas foi Santa Catarina. Um Estado que tem uma economia saudável, que na educação está na dianteira, que nos demais índices também está na frente em relação a outros do Brasil. Então acredito que a questão da educação, do livre mercado, de querer um comércio mais aberto, do produtor se identificar comigo pela questão do agronegócio, isso me leva a estar na frente da pesquisa lá. Mas eu não quero tirar proveito de Estado A, B ou C, a intenção não é essa. Estou andando o Brasil buscando fazer uma política que agregue a todos.

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Mas é inevitável dizer que Santa Catarina tem força para o senhor.
O deputado Peninha (Rogério Peninha Mendonça, do PMDB-SC) me levou para lá, e obviamente se ele me levou é porque sentia que tinha uma certa afinidade entre as minhas propostas de anos na Câmara, com vocês lá. Então isso foi importante e foi um grande impulso, muito embora o primeiro Estado em que eu fiz uma grande incursão foi o Ceará, onde inclusive há um pré-candidato que vem por lá. Mas a minha aceitação é por estar de forma uniforme no Brasil todo, inclusive no Nordeste. E eu como faço uma campanha sem obsessão, e basicamente sozinho, com alguns amigos do lado, isso nos fortalece e nos anima para continuar a fazer esse trabalho.

Após Collor, FHC, Lula e Dilma eleitos, o senhor se considera a renovação que o país precisa no Planalto?
Eu tenho o que eles não têm, que é o povo do meu lado. Isso se sente quando eu pouso em aeroporto, quando participo de palestras como fiz várias em Santa Catarina no ano passado. Partindo desse princípio, eu acho que está acontecendo comigo uma missão de Deus.

Esses aeroportos lotados, gritos de “presidente”, outdoors bancados por movimentos que lhe apoiam: nesse contexto, a sua candidatura à presidência pelo PSL já é definida?
Da minha parte é definida. Costumo dizer: eu não sou muito bom não, é que os outros são horríveis. Te pergunto, qual o candidato que vai iniciar a campanha com ministério pronto? Ninguém. Você não pode continuar fazendo política atendendo interesses partidários e não da população. Pretendo ser o cara diferente e acho que tem tudo para dar certo.

Há muitos jovens que o apoiam, mas há outra parcela que não gosta do senhor. Como convencer quem está entre o oito e o 80?
A minha maneira franca de falar, de ocupar a tribuna com muita insistência até o ano passado e que segurei agora para evitar uma frase errada e ser fuzilado, trouxe a confiança dessa faixa etária da sociedade. Hoje eu acredito que em torno de 40% da garotada entre 16 e 24 anos está comigo. Eles se livraram daquela mentira da perfeição hipotética da esquerda que sempre teve a solução para tudo, mas na prática é com pletamente diferente. Eu era aquela figura dantesca, pitoresca, muitas vezes ignorada, levada até para a zombaria, mas com o tempo o pessoal foi vendo que não era bem assim. Aí acabaram descobrindo quem é o JB, ou Johnny Bravo para os íntimos.

 BRASÍLIA, SC, BRASIL - 10/04/2018Jair Messias Bolsonaro, deputado federal e candidato à presidência
Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

Nos últimos anos nomes graúdos foram para trás das grades, inclusive alguns colegas de Câmara. Que momento é esse que a política vive?
Quando começou lá atrás o Mensalão, o Joaquim Barbosa fez um levantamento das votações importantes daqui, levando em conta as datas, e um dos votos dele foi claro, em que disse que da base aliada ao governo eu fui o único que não foi comprado pelo PT. Compra de voto não é democracia. Um vereador que na ponta da linha compra um eleitor que passa por dificuldades está errado, bem como o governo dessa maneira.Honestidade não é virtude, é obrigação. E isso foi pegando no meio da molecada. A questão do “mito” eu não sei de onde surgiu. Meu apelido de infância era “parmito”. Não palmito. “Parmito”, com “erre” mesmo. Talvez seja daí.

E o Lula, deputado? A prisão dele enfraquece a candidatura do senhor?
Acho que fortalece a Justiça e espero que ela não desfaça o que fez com uma possível nova decisão do Supremo (Tribunal Federal) no tocante à perda de liberdade na segunda instância. Eu não estou preocupado se o Lula seria ou não seria, vai ser ou não vai ser candidato. Eu entrei em campo. É igual em São Paulo. Para o Palmeiras não valeu o campeonato, só para o Corinthians. Quem ganhou em Santa Catarina, foi a Chapecoense? Ah, o Figueirense. Então, para Chapecoense não valeu o campeonato, já que só tem uma taça. Mas não estou preocupado. Só tenho que ajoelhar, agradecer a Deus pela oportunidade, pedir a Ele força para cumprir a missão. Mas (a prisão do Lula) me fortalece. Espero que a esquerda diminua sua bancada, PT, PCdoB, PSOL, para facilitar o trabalho de quem quer ver o Brasil livre, mais feliz, saindo dessas amarras da esquerda, parta para o livre mercado, abandone o viés ideológico junto ao Mercosul, se aproxime de potências que economicamente são melhores do que nós. Inclusive na semana que vem tenho um almoço com 20 embaixadores de países maravilhosos, algo proposto por eles. 

Intervenção federal no Rio de Janeiro. Uma medida paliativa que não trará solução, ou o início de um movimento de combate mais ostensivo à criminalidade e ao tráfico de drogas?
Votei favorável ao decreto. Antes isso do que nada. Mas foi feito sem qualquer planejamento. Foi uma intervenção política, para desviar a atenção. Inclusive até cogitou-se a possibilidade de que se desse certo, o desarmamentista e comunista Raul Jungmann que agora é ministro da Segurança Pública concorresse ao governo ou até a deputado federal, porque em Pernambuco a situação não está boa para ele. Mas enfim, todo mundo fala que no Rio estamos em guerra. Que guerra é essa em que só um lado pode atirar? Um presidente da República fraco, que não tem coragem de assumir o papel de presidente. Que não tem coragem de ser protagonista. Para assumir uma intervenção dessas, você primeiro precisa definir a forma de engajamento. Está armado na rua usando artefatos de guerra? Você tem que atirar primeiro e perguntar depois, e não da forma com que se está fazendo. Tanto é que não está havendo confronto e a violência em várias áreas cresceu no Rio de Janeiro. É mais um pano quente em uma ferida que tem que ser tratada com muito carinho e dedo muito leve no gatilho para que se tenha uma solução concreta lá na frente.

Qual seria a solução, então?
Primeiro, o policial precisa ter a garantia de que uma vez em operação, ao término da missão, tem que ser condecorado, não processado, o que é muito comum. Hoje se processa o soldado que dá dois tiros em um cara que está com um fuzil no peito e uma granada no bolso. É preciso também permitir a posse de arma de fogo para o cidadão de bem, além de flexibilizar e muito o Estatuto do Desarmamento para o cidadão de bem, também com uma retaguarda jurídica e mexendo em algumas questões do Código Penal, beneficiando quem está ao lado da lei, e não o marginal.

De que forma o senhor vai rebater, principalmente em debates, quando questionado sobre ideologia de gênero nas escolas?
Você pode perguntar para uma grande parte da sociedade o que é “ideologia de gênero” e ela não sabe. São nomes fantasia que as pessoas usam para atingir seus objetivos. Na realidade isso é o kit gay. E isso aconteceu em 2010. Um conjunto de materiais, livros, cartazes, filmes que era para passar para criancinhas a partir de seis anos para combater a homofobia. Quando os pais foram tomando conhecimento do que era isso, se revoltaram. Eu tenho uma filha de sete anos e não quero que ela assista ao filmete Encontrando Bianca, ou o Probabilidade, que tem meninos se acariciando, meninas se beijando. Para minha filha de sete anos? Não. Quem ensina sexo para a criança é o papai e a mamãe. Jogamos pesado nisso, apanhei muito, fui processado, tem ações minhas correndo aí por danos morais, por ter ofendido a comunidade LGBT, e lamentavelmente com parte do Judiciário aparelhada para isso também. E eu sou o único deputado federal para o qual não vale o artigo 53 da Constituição, que diz que “somos invioláveis por quaisquer palavras, opiniões ou votos”. Veja bem, “por quaisquer palavras, opinião ou votos”. Eu sou processado em primeira instância. Mas os pais e mães entenderam, e mais da metade da população sabe qual foi essa luta minha. E eu tenho uma máxima, sempre digo. Um pai, não que prefira, mas ele fica mais satisfeito de ver o filho com braço quebrado por estar jogando bola, do que ver o filho brincando de boneca por influência da escola. É isso. Qual o patrimônio de um pai e de uma mãe? Os filhos. A gente dá a vida por nossos filhos e quando vemos que na escola começam a ensinar sexo, ficamos revoltados. 

Então a ideologia de gênero é um “mimimi” de uma geração que não foi orientada pelos pais sobre sexualidade?
Nós estamos falando de crianças de seis ou sete anos de idade. Não tem cabimento você passar um filme para uma criança onde tem duas meninas se beijando, ou um homem sentado no colo do outro e se acariciando. Quando um pai leva o filho à escola é para ele aprender Física, Química, Matemática, História, e não isso daí. 

E a revogação do Estatuto do Desarmamento? Qual ideia o senhor vai defender?
Primeira coisa é a posse de arma de fogo, para você ter uma arma dentro de casa. Para isso você tem alguns poucos requisitos. Não tem que ter muito critério para isso. Um exame psicotécnico, um mínimo de habilidade, bons antecedentes e ponto final. E a arma dentro da residência, não pode nem colocar no carro e ir para a rua. No tocante ao porte, tendo um curso de manuseio, para quem serviu às Forças Armadas, vigilantes. Dar uma idade, talvez 21 anos, esteja de bom tamanho. Mas ao mesmo tempo você tem que prever uma pena rigorosa para quem faz mau uso da arma. Nos Estados Unidos, cada Estado faz a sua lei, mas em alguns se você apontar a arma para um policial, já pega 20 anos de cadeia e lá não tem essa historinha de progressão. O cara se quiser sacar uma arma, tem que saber que o bicho vai pegar para o lado dele. Não vai poder reclamar que a cadeia não recupera ninguém e que está superlotada.

Deputado, bandido bom é bandido morto? Como o senhor avalia a questão do sistema prisional no Brasil e qual a solução hoje?
Todo mundo sabe que a cadeia é a antessala do inferno. Mas para alguém ir para lá, tem que fazer muita besteira. Pensa duas vezes antes. Eu não quero ninguém sofrendo, sendo torturado, passando fome ou comendo barata. Mas eu prefiro uma pessoa nessas condições presa do que aqui fora estuprando, sequestrando, assassinando, roubando. Muitas coisas que eu falo vão depender do parlamento aqui. Nós temos uma bancada que está crescendo, não sei se vai ter número suficiente para aprovar o que a gente quer no ano que vem. O Brasil é um país que encarcera pouco.

Então, bandido bom é bandido o quê?
Se ele reagir, tiro nele. Se morrer é problema dele. Não estou preocupado com bandido morto. Eu acho que policial bom é policial vivo. Se ele tem uma arma e fizer uso dela, não pode ser punido.

Justiça com as próprias mãos. As pessoas fazem isso porque a Justiça não é justa? São criminosos?
O linchamento está muito comum, até porque viraliza muito fácil com o WhatsApp. Mas você pode ver: em comunidades no Rio o elemento não furta banana, não estupra, não faz maldade, porque sabe que a justiça funciona imediatamente lá dentro. É um tiro na mão, a morte, esmigalham órgãos genitais. Teve uma mulher esses dias, não que eu defenda isso, que fique bem claro, que teve o cabelo e a sobrancelha raspados porque deixou o filho em casa para ir a um baile funk. Então lá a justiça é muito rápida. E você pode ver, tem duas ações no Supremo agora, uma é do PEN/Patriotas, e esse foi o motivo pelo qual não fui para lá, que leva para terceira instância (a prisão), ou seja, o STJ. A outra é da OAB. Sempre a OAB do lado de quem está errado. Sempre. É uma regra. Se passar isso aí, é uma festa, não só para colarinho branco, mas para todo mundo que tenha dinheiro.

O que tem a OAB nessa história?
Quanto mais recursos, mais empregos para seus advogados. Advogados renomados, para deixar bem claro. Porque o miserável é condenado em primeira instância, não tem como recorrer à segunda instância e vai cumprir a pena.

E a prisão em segunda instância?
Um parlamentar colheu assinaturas há uns 10 dias para uma PEC sobre esse assunto. Aí ele me perguntou se eu assinei, eu disse que sim. Aí ele falou: “que bom, daqui uns 30 anos passa na CCJ”. É uma realidade. Não adianta você falar que quer assim, quer assado. É igual à reforma da Previdência. Eu falei que não ia passar. Não é o que eu quero, o que o Temer quer, o que o mercado financeiro quer, o que o (Henrique) Meirelles quer. É o que essa Casa permite permear entre ela. Essa questão da prisão em segunda instâncias, assim como tem prazos para algumas coisas, entre um julgamento e outro tem que ter um prazo. Não julgou, o cara vai para trás das grades. A primeira e segunda instância é que tratam de coleta de provas. Quando vai para o STJ você não pode agregar algo novo ali. É uma nova discussão em cima do que está nos autos. Agora, com todo respeito, eu tenho pena de alguns que estão aqui (na Câmara dos Deputados) e que eu conheço bem, mas pisaram na bola. É igual aquele cara que pulou a cerca. Pisou na bola, arca com as consequências. Não interessa se é homem ou mulher. Vai pagar a conta.

Alguns pré-candidatos vêm comentando sobre a reforma tributária. Algo meio Robin Hood. É assunto para o liberal Jair Bolsonaro nos seis meses que virão pela frente?
Eu vejo os caras falando muitas vezes que o rico não paga imposto. Meu Deus do céu. Eu não quero defender os ricos, mas o imposto é igual. Quando você compra pizza, quando vai no mercado, ISS, ICMS, IPTU. Pô, todo mundo paga imposto no Brasil. Se você começar a taxar grandes capitais, fortunas, o pessoal vai jogar dinheiro lá fora. Quero um país com mais ricos e não com mais pobres. Como você faz isso? Desburocratizando. Eu tive vontade de abrir uma empresa no passado e desisti no meio do caminho. Com a quantidade de burocracia, uma pessoa humilde não vai chegar a lugar nenhum. Temos que liberar muitas coisas, privatizar também, mas com muito cuidado no modelo e facilitar a vida do empreendedor, de quem quer deixar de ser empregado e quer ser patrão. Eu não quero ser patrão. É coisa de herói. Dor de cabeça, dada a burocracia e a quantidade de direitos. Aí a esquerda me acusa, diz que eu quero acabar com direitos, mas desse pessoal da esquerda ninguém é patrão. Só são bons para empregar cargos comissionados. Na verdade o salário é muito para quem paga, pouco para quem recebe e o empresariado tem dito uma coisa que é preciso levar em conta: o empregado vai ter que decidir um dia entre menos direitos e mais empregos, ou muitos direitos e nenhum emprego. A reforma trabalhista que fizemos há pouco e que votei favorável já deu um certo alívio. No ano retrasado foram 4 milhões de ações trabalhistas no Brasil, mais do que no mundo todo e a projeção para este ano é menos da metade. Então já dá um alívio para quem está empregado, não que queira tirar dinheiro. Não é fácil ser patrão no Brasil.

Nesse caso então, deputado, onde se encaixam os programas criados no governo do PT. Há quem diga que se o senhor chegar ao governo, acaba com tudo. Bolsa Família, por exemplo?
Há três anos, no município de Marau no Rio Grande do Sul, um prefeito resolveu fazer uma auditoria. Uns 300 recebiam o Bolsa Família. Um terço estava na base da fraude, gente que tinha salário. O outro terço ele conseguiu reinserir no mercado de trabalho e o outro terço não tinha o que fazer. Como é um município, não dá para fazer projeção para o país todo. Mas pelo menos uns 20% do Bolsa Família é fraude hoje em dia, tem que atacar isso aí. Teve uma auditoria recente que mostrou que tinha até vereador ganhando Bolsa Família. Se o governo conseguir facilitar a vida de quem quer produzir, de quem quer empregar, de quem quer ser empregado, começar a rodar a máquina da economia com menos regulamentações, menos burocracia, você tira boa parte dessas pessoas desses programas. No ano retrasado o Brasil gastou R$ 29 bilhões com o Bolsa Família. Metade dessa despesa poderia ser reduzida e de forma digna.

 BRASÍLIA, SC, BRASIL - 10/04/2018Jair Messias Bolsonaro, deputado federal e candidato à presidência
Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

A meio ano do pleito, o senhor já tem nomes para ministérios, braços direitos, ou até mesmo um vice?
Dia 1º de janeiro ou estarei no Planalto, ou estarei na praia tomando uma água de coco, não tem outra alternativa. Eu talvez seja o único na história do Brasil que pretende começar a campanha com seus ministros escolhidos. Na Economia e Planejamento, que vamos fundir os ministérios, é o Paulo Guedes. Na Defesa, alguém indicado pelo general Augusto Heleno, desde que seja um oficial general quatro estrelas. Na Ciência e Tecnologia, um perfil do tenente-coronel da Aeronáutica, o astronauta Marcos Pontes. E outros nomes que aparecerão, civis e militares. Eu quero os melhores. Sei que para muitos o salário não é compensador, na iniciativa privada eles faturam mais do que isso, mas esses com quem eu conversei e mais alguns que por enquanto não posso revelar o nome, dizem que fazem isso pelo Brasil. Nós temos que ter um bom ministro da Educação para expulsar o Paulo Freire de lá, para que a gente volte à educação de 40 anos atrás, porque na de hoje em dia ninguém aprende absolutamente nada. Para que acabe ideologia de gênero, que não se discuta política partidária em sala de aula, volte a educação moral e cívica, para que na capa dos cadernos volte a ter o Hino Nacional, bandeira do Brasil, caderno de caligrafia. Que nós possamos dar direito aos professores de tirar o aluno de sala de aula, dar autoridade, cantar o hino uma vez por semana. Você pode ver: as escolas que estão dando certo no Brasil ficam no Amazonas e Goiás, que são as militarizadas, onde impera a hierarquia e disciplina. É quase um quartel, sim. E os pais não querem tirar os filhos de lá. E eles não são obrigados. Há filas quilométricas para colocar a garotada para dentro. O maior percentual de aprovação vem dessas escolas. Se você não fizer com que o garoto tema o professor, e tema mesmo, ele não aprende. 

E vice?
Estamos namorando o Magno Malta, isso não é novidade, e você tem que ter um vice que agregue. Não interessa sexo, cor de pele, região do Brasil. O cara tem que agregar, somar. Alguns falam que eu tenho que pegar um vice de tal região, ou mulher, ou isso, ou aquilo. Não interessa, tem que pensar semelhante e não apenas para colocar uma pessoa na TV. Estampa não vale nada. Tem que ser alguma pessoa com interior.

Como se comportar em campanhas nos territórios hostis que até quatro anos atrás foram pilares para a eleição de petistas, como o Norte e o Nordeste?
A entrada lá é normal. Eu não tenho nenhum governador comigo. Prefeito é um ou outro de cidade menor, nenhum ministro, nenhum líder partidário e alguns ainda me olham enviesados aqui dentro. Mas eu tenho a simpatia da população, coisa que os outros candidatos não têm. E isso soma. Eu não tenho muitas coisas que eles têm, mas eu tenho uma coisa: o povo. Estamos em uma crescente. Teve alguns jipeiros de Natal que escreveram nas dunas a inscrição “Bolsonaro 2018”. Isso é espontâneo, não tem um centavo meu. Tem muita gente que acha que se não mudar comigo, não muda mais, porque com todo respeito aos demais, eles são muitos parecidos. Nenhum foi contundente com a prisão do Lula, ficam em cima do muro, até porque eles devem, né? Teve um de São Paulo que defendeu o combate à corrupção e a prisão imediata. Aí alguém foi lá e comentou perguntando se ele ia se entregar. Não quero citar nomes, mas acho que você entendeu, né? (risos). O que o eleitor do Nordeste vê é alguém que possa facilitar a vida dele, não é ideológico.

E o rótulo de fascista?
A massa não sabe o que é isso. Tudo pelo Estado, nada fora do Estado. Eles (a esquerda) são isso, defendem essas propostas. Você pode ver. O PT idolatra o regime da Venezuela, o PCdoB tem convênio com a Coreia do Norte, e isso é uma ditadura, comunismo, fascismo. É o Estado dominando o destino de um povo. Agora é comum da esquerda, né? Xingue do que você é, acuse o que você faz. A esquerda não vive sem mentir, sem tentar enganar o próximo, sem querer transparecer a ideia de que fora deles não existe democracia, não existe vida. Você não acha um empresário no meio deles. Quase todos vivem pendurados no estado. Eles pode falar que sou fascista, racista, homofóbico, xenófobo, misógino. Me acusaram de ter um funcionário fantasma também. Aí liguei para um funcionário e disse que tinha saído na Folha (de S. Paulo) de uma funcionária minha que estava vendendo açaí em Angra dos Reis. Aí abri o boletim administrativo e vi que ela estava em férias. A Folha foi atrás, não achou a funcionária e achou que fosse fantasma. Aí fui ver a loja de açaí, nem era dela, era da irmã dela. Encontrei com o repórter e na terceira vez que ele me chamou de corrupto por causa do auxílio moradia eu disse que usava para comer gente. Falei para desabafar. Falei besteira, errei, passado. Aí a grande parte da mídia levou para o lado que eu era o maior comedor de gente em Brasília com verba pública. Te dou em primeira mão: hoje (terça-feira, dia 10) ocupei o apartamento funcional da Câmara. Coloquei o meu de 70 metros quadros à venda. Lá no fim do mundo, no Sudoeste, com uma vaguinha de garagem. Lá eu tinha que pagar segurança, IPTU, condomínio, pagar uma faxina uma vez por mês e vou ocupar o da Câmara. Vai ficar mais caro para o contribuinte, mas pelo menos não estou mais ocupando um apartamento meu, pequenininho, e recebendo o auxílio moradia de R$ 4 mil.

O senhor falou do desabafo. Admite que por vezes diz coisas de cabeça quente?
Sou ser humano, igual você e igual quem está lendo o teu jornal. De vez em quando a gente alopra. Igual com time de futebol, quando seu time perde, fala palavrão, manda alguém para ponta da praia, dá canelada. Eu tenho que ser o quê? Tenho que ser uma boneca inflável para ser presidente, uma pessoa sangue frio, sangue de barata? Eu sou ser humano, pô. Eu muitas vezes fico indignado, como outro qualquer. Se eu não tiver a capacidade de me indignar, acho que está tudo normal. Vou ser ali um chuchu. E eu não quero ser um chuchu enquanto presidente.

O senhor aliviou o discurso nos últimos meses. É uma forma de mostrar um posicionamento que possa agradar eleitores de centro?
Nós evoluímos. Acabei de fazer 63. Você aprende todo dia. Aqui dentro eu disputava espaço com mais 512, então às vezes eu era obrigado a dar um grito, falar mais grosso, chamar a atenção para conseguir atingir o objetivo. Agora meu objetivo é outro. Tenho que ser mais paciente, sim. Ouvir mais. Até quando eu falei para você do general Augusto Heleno, que é mais velho que eu e que vai indicar o ministro da Defesa, o Paulo Guedes é mais velho, o astronauta é mais novo, mas já tem mais cabelo branco que eu. Isso é uma maneira de você, com pessoas mais experientes, formular políticas. É igual para vereador. O cara se elege vereador e acha que sabe de tudo. Sabe nada! Sabe o mesmo do dia anterior. Você precisa de gente para poder formular boas políticas. Não posso eu decidir as coisas sozinho.


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