Apoio da família é fundamental para o respeito à sexualidade dos jovens, dizem especialistas  Cristiano Estrela/Diário Catarinense

Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Especialistas confiam que a família e a escola são a base para que adolescentes e jovens se desenvolvam de uma forma saudável neste mundo de novas possibilidades de relacionamentos afetivos e sexuais. A linha imaginária da orientação sexual, aquela que diz por quem sentimos desejo, está bem mais maleável atualmente. Tanto que há, também, possibilidades fora dela. A presidente da Associação Catarinense de Psiquiatria, Lilian Lucas, especialista em sexualidade infantil, considera que é importante “respeitar as diferenças desde muito cedo”.

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– Hoje, a maioria dos estudantes trans se sente insegura na escola. Alunos LGBT que experimentaram assédio e agressão frequentes têm mais faltas escolares, menores aspirações educacionais e pior bem-estar psicológico. Essa é a questão mais urgente que precisamos abordar – reforça Lilian.

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Para o músico Leonardo Lima, pai de três filhos, dois deles os adolescentes Gabriela Assis, 17 anos, e David Campos, 19, a mudança é necessária. Aos 42 anos, observa a nova geração pelos olhos dos filhos. Confia que o companheirismo que tem no casamento com Cynara Lima, 44, sirva de exemplo para os jovens.

A família cisgênero e heterossexual veio de Manaus para morar na Capital há três anos e percebeu a diferença de comportamento. Acreditam que a Ilha é bem mais aberta com relação à sexualidade. Por isso, acompanham o dia a dia dos filhos e tentam orientá-los sobre relacionamentos. Aprendem muito com os adolescentes.

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Embora tímida à primeira vista, Gabriela mostra que tem opinião formada. Ela namora um menino e não vê problema algum em conviver com meninas e meninos que têm orientação ou experiências diferentes da dela. Também não se incomoda com as mudanças. Tenta acompanhar o movimento feminista e participa de batalhas de rap. Na escola onde estuda não tem aulas de gênero e sexualidade, “só uma palestra ou outra”. Acha que deveria ter mais diálogo entre os estudantes para evitar situações de violência, por exemplo.

– A maioria dos meus amigos é bi e vejo isso como normal. Isso não me incomoda – conta.

Cyanara aposta no diálogo como melhor forma de estar próxima dos filhos. Ela afirma que conversa com eles desde que tinham 10 anos, 11 anos. Sobre a perda da virgindade, por exemplo, reforça a orientação a ambos de seguirem as vontades, usando proteção e não ceder à pressão social de amigos ou namorados.

– É importante que saibam que é uma experiência única, tem que ser algo legal – explica.

A filha concorda.

– Precisa ter intimidade e respeito – completa Gabriela.

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O pai diz que, com relação a David, também ensina que ele deve tratar bem as mulheres. O filho não namora, mas fica com meninas. Leonardo conta que aceitaria se um dos filhos fosse homossexual ou bissexual, mas teria medo do preconceito. Mais reservado, David considera que os meninos também sofrem com o machismo:

– Um cara, se fica com outro mesmo que seja para experimentar, é tachado, fica estigmatizado.

Comparando as gerações, Cynara vê que os jovens toleram as diferenças com naturalidade.

– Acho muito legal quando eles estão em um grupo de amigos e todos se respeitam. Não importa quem é o quê – considera.

Foto: Caderno Nós

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