Falta de diálogo se reflete no desuso da camisinha e aumento de DSTs, afirmam especialistas Lucio Sassi/Agencia RBS

Foto: Lucio Sassi / Agencia RBS

O estímulo maior provocado pela internet e outros meios de comunicação é apontado pela presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Carmita Abdo, como uma das razões para a iniciação sexual mais cedo. Isso não significa que os jovens estão menos preparados para isso. Há uma maior multiplicidade de parceiros, mas o que mais preocupa especialistas é o baixo uso da camisinha, o que contribui para que algumas doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) que já estavam sob controle voltem à tona. É caso da aids e da sífilis. Carmita afirma que “não mais do que 30% das meninas e meninos usam preservativos regular e adequadamente”.

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Para o médico infectologista e professor do curso de Medicina da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) Pablo Sebastian não se pode relacionar uma atividade sexual mais frequente com o crescimento no número de casos das patologias. Uma das preocupações do especialista é como uma geração tão bem informada deixou de se proteger.

– Há um gap, pois a informação não é aplicada. 

Os jovens sabem dos riscos, mas assistiram à estabilização dos números de casos e já não veem mais a evolução negativa como vimos na década de 1990. Além disso, discutir sexualidade em casa e na escola ainda é um tabu. A educação nas bases é importante para que a informação faça parte do indivíduo – aponta o especialista.

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Conforme o Ministério da Saúde, a taxa de detecção do vírus HIV em jovens entre 15 anos e 24 anos a cada 100 mil habitantes em Santa Catarina cresceu de 16,4 em 2007 para 17,2 em 2016. Neste período, ocorreu um ápice em 2011, quando o índice alcançou 20,1. O Estado é um dos mais afetados pela doença. No Brasil, para se ter uma ideia, a taxa em 2007 era 9,4 e, há dois anos, 13,8. Números incluem jovens de todos os gêneros e orientações sexuais.

No caso da sífilis, os dados também acendem um alerta. Se não tratada adequadamente, a doença pode causar cegueira, paralisia, problemas cardíacos e cerebral e até levar à morte. Segundo levantamento divulgado pela Divisão de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC), a faixa etária entre 25 a 34 anos é a mais atingida, com 29% dos casos. Entre 2010 e 2015, foram 4.560 registros da doença.

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O médico infectologista da Secretaria de Estado da Saúde, Eduardo Campos de Oliveira, alerta também para um fator que contribui para que o total de casos cresça em SC: o uso de álcool e drogas sintéticas em baladas que são altamente estimulantes e facilitam a prática do sexo sem proteção.

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Foto: Caderno Nós

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