Mulher e drag queen, Shitara fala sobre aceitação  Marco Favero/Diário Catarinense

Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

— Eu nasci mulher, me identifico como mulher, e sou drag. Eu me encontrei assim.

Shitara Mebarak tem 22 anos, porém, há cerca de três deles, não existia. A longa peruca loira, a maquiagem marcada, as lentes de contato coloridas e a roupa fazem com que ela surja. No dia a dia, Shitara assume outro nome, o qual prefere não revelar. Quando está vestida de drag, até a personalidade muda. E ela fala com mais confiança sobre si mesma. Estudante de Direito e DJ, encontrou no movimento artístico drag a verdadeira identidade. 

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Shitara é mulher cisgênero. Sua orientação é pansexual, o que significa que ela não se importa com o gênero da pessoa com quem se relaciona. Hoje, é solteira, mas já se relacionou com um rapaz bissexual e se envolveu, em diferentes momentos, com um homem heterossexual, um homem drag queen e uma mulher homossexual. Pode parecer confuso à primeira vista, mas o fato é que a jovem se apaixona por pessoas. E isso parece bem simples. 

— Antes de ser drag e entender melhor algumas questões, eu dizia que era bissexual, mas sentia que não era só isso. Um dia li um texto que falava de pansexualidade e me identifiquei, era o que eu sentia. Não vejo diferenças, nem coloco rótulos — explica. 

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Uma das suas paixões foi a drag queen Selma Light, que é transexual e hétero. O que mais chamou atenção na musa famosa foi a forma como se expressava e tudo que ela pensa e diz. Foi a drag queen Safira Ishtar quem incentivou Shitara a surgir. Dali, passou a entender melhor o que se passava. 

Não foi fácil explicar à família que agora divide a existência com uma outra persona, cujo nome veio de uma lembrança de infância. Shitara era o nome de um peixe da família e inspirado na personagem da animação Thundercats (Cheetara). A aceitação da mãe veio no dia em que ela conheceu por acaso outra drag, que elogiou o trabalho de Shitara nos palcos. Ela se emocionou. Já a avó não sabe da orientação sexual da neta, mas se orgulha de costurar os trajes com que a ela se apresenta.

— Um dia mostrei uma foto minha montada para minha vó e perguntei o que ela achava. Ela não me reconheceu, mas me achou linda. Contei que era eu e ela me perguntou: “Você gosta de ser drag?”. Respondi que sim, que é algo que me alivia. Ela disse: “Parabéns, sua maquiagem está impecável”. E assim foi — lembra.

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Foto: Caderno Nós

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