130 alunos são atendidos em projeto de música no Sul de SC Ulisses Job/Especial

Professora aposentada Amélia Alves de Oliveira Patrício auxilia crianças

Foto: Ulisses Job / Especial

A música sempre esteve presente na vida da professora aposentada Amélia Alves de Oliveira Patrício. Mas, depois de montar um coral no bairro Cidade Alta, um dos mais carentes de Forquilhinha, Sul do Estado, ela percebeu que notas, afinação e instrumentos musicais não era o que mais interessava nos encontros semanais. 

A fome passou a fazer parte da partitura. Os lanches eram um atrativo à parte e, muitas vezes, nutriam histórias de pobreza. A realidade veio de forma dura, com um menino colocando no bolso salgados para levar para a mãe, que não tinha o que comer em casa.

– Aquilo me tocou, e eu decidi que o projeto não poderia ser apenas sobre música. Agora, por meio das atividades, a gente sabe das necessidades das famílias e pode tentar ajudar da maneira que for possível – explica Amélia.

E assim foi. Se, há cinco anos, o projeto chamado de Encantos do Futuro atendia uma só comunidade, hoje se espalha por vários locais da cidade. Cerca de 130 alunos são atendidos nos bairros Cidade Alta, Ouro Negro, Santa Líbera e Nova York. Cada região recebe as aulas em um dia da semana, divididas em duas turmas, com início às 18h e às 19h. Os pais dos jovens também são presença frequente. A iniciativa recebeu apoio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo, que cede um professor de música.

Card com fala do nós -Amélia Alves, dá aula de música
Foto: Arte / DC

Na última quarta-feira, dona Amélia conquistou uma nova integrante para o projeto. Láiza Maíza Cardoso Claro, 9 anos, chegou mais cedo que as outras crianças. Moradora do bairro Santa Líbera, estava ansiosa para a primeira aula de música. Tímida, conseguiu um violão emprestado com o primo.

– Eu gostaria de trabalhar com música quando crescer, mas tenho um pouco de vergonha – admitiu a menina.

Segundo a mãe da criança, a costureira Enaide Cardoso, a ideia de matricular Láiza surgiu a partir de conversas com amigas da menina que já participam do projeto. É assim que o número de alunos cresce.

Faltam instrumentos nas aulas, mas dona Amélia encontra saídas

E a confiança foi conquistada com muito trabalho. Dona Amélia é quem faz tudo dar certo. Compra extensões elétricas, pastas, papéis, corre atrás de professores e não poupa esforços quando sabe que existe um violão, ou um teclado, para ser doado ou precisando de cuidados e de um novo dono. Muitos dos instrumentos usados pelas crianças foram arrecadados com doações. Ainda faltam alguns para que todos os alunos estejam prontos para participar das aulas, mas isso não impede que a coisa ande.

–A gente pode até emprestar nas aulas. Mas é preciso praticar todos os dias em casa para aprender – afirma Amélia.

Sim, ela cobra. Presença, afinação, comprometimento. Com 63 anos, tratando um câncer descoberto em 2009, faz das aulas estímulo para os seus dias.

– Este projeto é o que faz bem para a minha saúde. Eu fico até melhor quando vejo as crianças felizes. Mas não quero que seja algo meu, por isso gosto que várias pessoas participem. Meu desejo é que tudo continue depois que a Amelinha morrer – diz a idealizadora, referindo-se a si mesma.

Para manter o ânimo das crianças em alta, o coral se apresenta frequentemente em escolas de toda a região. Antes do Natal, um CD será gravado com os alunos. As vozes das crianças serão registradas nos próximos dias sob o olhar atento de dona Amélia. 


Como ajudar

 Doação de teclados e violões: ligar para ( 48) 99988- 6689 ( falar com Amélia). Não é necessário que os instrumentos estejam em perfeito estado.

Leia também:

Aposentado faz barba de pacientes como voluntário em hospital em São José  

A grande sacada de Badeco

Paula e o abrigo de amor

Bem que alimenta a alma

Pontos feitos de afeto


 Veja também
 
 Comente essa história