Grupo borda para ajudar no combate ao câncer em Florianópolis Diorgenes Pandini/Diário Catarinense

Nelma começou grupo de bordadeiras

Foto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinense

Nelma Silvia Varella Vieceli, 72 anos, parece ter herdado das mulheres da família o dom para os trabalhos manuais. 

A avó tinha como foco o tricô e a costura, já a mãe, bordava. Com a habilidade no DNA, Nelma se dedica diariamente às agulhas e linhas. Começa os trabalhos no quartinho da costura que tem em casa, às 19h, mesmo nos fins de semana, e só para quando já passou das 22h30min. Mas raramente os bordados em toalhas, panos de prato e trilhos de mesa são para alguém da família ou para ela. Os pontos enfeitam tecidos e tornam exclusivos produtos que depois serão vendidos. Com um detalhe: todo o dinheiro arrecadado vai para a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Florianópolis.

– O bordado é uma distração, uma terapia, mas é raro fazermos para gente, é sempre para a entidade.

O envolvimento de Nelma com o voluntariado começou há muito tempo. Há 32 anos, já com os três filhos crescidos e sem trabalhar fora de casa, ela procurava uma ocupação. Encontrou o que precisava ao fundar, com um grupo de amigas, a Rede Feminina de Combate ao Câncer na Capital. A voluntária ajudava no atendimento do ambulatório, trabalho que mantém até hoje, todas as quartas-feiras, quando auxilia na recepção das pacientes.

Card com fala do nós - Nelma Varella Vieceli , rede feminina de combate ao cancer
Foto: Arte / DC

Depois de um tempo, surgiu a ideia de realizar o bazar para arrecadar recursos para a entidade. A ideia ganhou forma há 20 anos, e um grupo, na época com três mulheres, fazia trabalhos manuais para vender. A trupe foi crescendo e, agora, são cerca de 12 voluntárias bordadeiras, costureiras e tricoteiras. A exigência é saber realizar o trabalho e, acima de tudo, dedicação. As voluntárias contam que não tiram férias e quando acaba o bazar – marcado para a última quinta-feira e sexta-feira de outubro –, já começa a compra de materiais para o próximo. Elas dão o seu toque de bordado e tricô em cerca de 250 peças, como toalhas e panos de prato.

Esse grupo de mulheres, chamado de Recanto das Artes e que empresta seu dom para a causa, se reúne semanalmente na sede da organização para mostrar os trabalhos, pegar materiais e, é claro, colocar o papo em dia. O serviço cada uma realiza em casa. E a cada ponto dado, aumenta o comprometimento e a amizade do grupo.

Toda essa iniciativa, que sobrevive com a venda dos produtos e doações, rende frutos. A Rede Feminina atende em torno de 500 mulheres todo mês para a realização de exames preventivos do câncer em Florianópolis.

Iegle Gehlen Canali, 72 anos, começou como voluntária no grupo de bordadeiras em 2002 e conta que a vontade de ajudar é fundamental para não desistir:

– A pessoa não vai receber por isso, só a recompensa de saber que está fazendo o bem para alguém.

Na sala onde se reúnem, os armários já estão lotados de itens para o bazar deste ano. Cada uma quer mostrar o tipo de trabalho que desenvolve e se orgulha do resultado. A aposentada Oly Gomes Alves, 87 anos, é bordadeira voluntária do grupo há 14 anos. Focada em ponto cruz, diz que o trabalho é um hobby e que não pretende parar tão cedo. E admite que muitas vezes doa o material, o trabalho e na hora que vê o resultado não aguenta e compra o produto que criou, "porque dá pena de vender". 


Como ajudar

Doação de materiais, roupas, dinheiro e ser voluntário: ligar no 48 3224- 1398 ( falar com Andréia). O bazar deste ano ocorre dias 25 e 26 de outubro, em frente ao Hippo, na Rua Almirante Alvim, 555.

 Projeto SC + , Voluntários.Indexador: Diorgenes Pandini
Foto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinense

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