Voluntários se dedicam para transformar Santa Catarina Diorgenes Pandini/Diário Catarinense

Grupo se reúne para bordar e ajudar Rede Feminina de Combate ao Câncer

Foto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinense

Munidos de agulha de costura, barbeador, raquete de tênis e violão, pessoas comuns lutam para transformar a cidade onde moram em um lugar melhor. Os desafios são vários: fome, falta de perspectivas, maus- tratos com animais e doenças. Esse grupo, que age em diferentes regiões do Estado e causas, tem características em comum: disposição em ajudar o outro e muita força de vontade. 

A falta de recursos, incentivos e materiais não abala voluntários que se espalham por Santa Catarina. Os casos de solidariedade crescem e servem como exemplo a ser seguido numa sociedade cada vez mais envolta na correria do dia a dia. 

Ao ler essa reportagem, no entanto, pode ser fácil justificar o não engajamento a causas sociais por falta de tempo ou dinheiro. Mas o caminho para ajudar o outro pode ser muito mais simples. 

Para a consultora Mônica Barroso, que ministra o curso A Arte da Gentileza na The School of Life, em São Paulo, a transformação pode começar com pequenos atos. Gestos simples de gentileza, como oferecer um café, abrir uma porta ou deixar um bilhete de agradecimento, podem representar o início da transformação, mesmo que aos poucos, do entorno: 

— Um pequeno ato é como se fosse uma pequena gota, que você olha e não parece ser nada, mas aquela pessoa que recebeu a gentileza irá se abrir para fazer algo também. Quando a gente pratica o bem vai dando coragem e incentivo para dar passos cada vez maiores. Às vezes a pessoa fala "não posso mudar o mundo, então não vou fazer nada". Mas fazendo algo pequeno, você pode mudar o seu mundo. E começa por aí. 

Essa gotinha é a mesma a que se referia Madre Teresa de Calcutá, que afirmava que sua contribuição era apenas uma "gota em um oceano de sofrimentos, mas que, se não existisse, esta gota faria falta ao mar". 

Isso reforça que essas ações, embora simples e pequenas diante desse mar de problemas, têm o potencial de somar e tornar mais tranquila a navegação. Mas são necessários três passos para desenvolver essa habilidade, segundo a especialista. É fundamental despertar a curiosidade pelo outro. Isso significa não julgar sua condição e prestar atenção nele. Além disso, ter empatia, ou seja, se colocar no lugar da outra pessoa, e, também, escutar genuinamente. Assim, diz Mônica, é possível identificar quais as necessidades, como ajudar e tornar isso um hábito. 

— Essa coisa de fazer bem é uma troca, é uma via de mão dupla. O nosso bem-estar depende muito do bem-estar que você proporciona ao outro. Essa sensação de fazer algo pelo outro, pela sociedade, te traz também uma sensação de plenitude, de fazer algo que faça sentido. É um aspecto fundamental para qualidade de vida e não é só trabalho social que você pratica. Do momento em que você acorda até quando vai dormir, tem várias possibilidades de praticar o bem e plantar essa sementinha — defende Mônica.

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