Entenda o cenário histórico no Brasil, no mundo e em SC durante a guerra reprodução/Reprodução

Folder de propaganda tentava convencer os brasileiros de um suposto interesse dos alemães na América do Sul

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Documentos recém-descobertos no continente europeu mostram a relação estreita entre a Espanha e os alemães que viviam em Santa Catarina durante a Segunda Guerra Mundial, o que coloca em xeque a neutralidade espanhola no conflito. O material está sob análise de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e ajudará a resgatar uma parte da história brasileira marcada pelas perseguições aos imigrantes e pelo medo. 

Abaixo, entenda  o cenário histórico no Brasil, no mundo e em SC no período da guerra. 

Mundo

Como o cenário mundial pós-Primeira Guerra Mundial abriu espaço para a ascensão de Adolf Hitler, e as consequências da criação do Partido Nazista para toda a humanidade. 

- A Alemanha estava mergulhada numa grave crise após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) quando, em 1933, Adolf Hitler, um militar de baixa patente à frente do Partido Nazista, é nomeado chanceler do Reich. Em pouco tempo, ele se garantiu plenos poderes, proibindo grupos políticos – em especial o Partido Social Democrata e o Partido Comunista. Hitler culpa os comunistas por um incêndio no prédio do parlamento, o Reichstag, e consegue apoio popular para leis que revogaram direitos fundamentais, acabaram com a liberdade de imprensa e desmantelaram os sindicatos, onde estavam os principais movimentos contrários ao nazismo.

- Em 1935, Hitler ignora os termos do  Tratado de Versalhes, que limitava os investimentos militares da Alemanha. Internamente, a economia volta a crescer e o desenvolvimento alimenta o apoio às ideias de supremacia do führer.

- Em 1936, a Guerra Civil Espanhola leva  à aproximação entre Alemanha e Itália,
que apoiaram o general Francisco Franco. É criado o eixo Roma-Berlim, que um ano depois passaria a ter o reforço do Japão – a “tríplice aliança”.

- Hitler já havia anexado a Áustria e os Sudetos à Alemanha e desmembrado a Tchecoslováquia quando, em setembro de 1939, ordenou a invasão à Polônia. Dias depois, Reino Unido e França declaram guerra à Alemanha e tem início a Segunda Guerra Mundial.

- O rumo da guerra começa a ser selado em 1943, quando os nazistas perdem a batalha de Stalingrado, na União Soviética, e são expulsos da Bulgária, Hungria, Tchecoslováquia, Iugoslávia e Polônia. Os Aliados, liderados pelo  Reino Unido, União Soviética e Estados Unidos, derrotam a Itália na África. O ditador Benito Mussolini é deposto e os italianos assinam rendição. O Japão também é derrotado.

- Em junho de 1944 as tropas aliadas desembarcam na Normandia e libertam a França do domínio nazista. É o  chamado “Dia D”.

- Um mês depois, em julho de 1944, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) embarca 25 mil soldados para a Europa. A guerra já estava no fim. O saldo para o Brasil foi de 465 mortos e 1,5 mil feridos.

Brasil


Durante a Segunda Guerra, Getúlio Vargas, com o Estado Novo, declara guerra aos alemães que no Brasil viviam.  É quando surgem os "campos de concentração", as prisões políticas de guerra no Brasil.

- No período da Segunda Guerra Mundial o Brasil vivia sob o Estado Novo, regime ditatorial de Getúlio Vargas que, entre outras medidas, ampliou os poderes do presidente, permitiu maior interferência sobre o Legislativo e o Judiciário e dissolveu os partidos políticos.

- As ideias nacionalistas do governo Vargas levam a uma política de
“abrasileiramento”, que incluem a repressão às comunidades de imigrantes. Professores são proibidos de lecionar em língua estrangeira, publicações são proibidas de circular. 

- Vargas oscila entre a aproximação com o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e os Aliados, liderados pela União Soviética, Reino Unido e Estados Unidos desde o início da guerra. Em 1942, navios mercantes brasileiros são torpedeados  pelos alemães e aumenta a pressão para que o país se posicione. Brasil declara guerra ao Eixo, a favor dos Aliados, depois que os EUA concordam em oferecer um financiamento de US$ 20 milhões, que permitiu a construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

- A partir desse momento, a repressão aos imigrantes alemães, italianos e
japoneses é intensificada. É quando  são abertos os “campos de concentração”, prisões específicas para presos políticos. Essa atitude seguiu até o fim  da guerra, em 1945.

Santa Catarina


Nereu Ramos, demonstrando total apoio a Getúlio Vargas, replica no Estado a política de perseguição aos imigrantes, chamados de quistos étnicos, com atos como o fechamento de escolas e a proibição da “língua inimiga”

- No período do Estado Novo, Getúlio Vargas passa a nomear interventores, que substituem o cargo de governador. Nereu Ramos, eleito governador em 1935, foi mantido no cargo pelo presidente. O apoio às políticas de endurecimento  do regime de Vargas teriam garantido sua permanência no posto.

- Os nomeados pelo presidente seguem o Código dos Interventores, que proibia, por exemplo, contrair empréstimos sem prévia autorização do governo federal e restringia os recursos que os estados poderiam empregar em forças de segurança – uma maneira de evitar que fizessem frente ao Exército nacional. Era um instrumento de centralização de poder.

- A administração de Nereu Ramos converge com o período de combate aos chamados quistos étnicos, as comunidades de imigrantes em Santa Catarina. Por ordem do governo federal, o interventor aperta o cerco especialmente aos alemães. Fica proibido falar, cumprimentar e cantar em “língua inimiga”. A nacionalização do ensino, quando muitas escolas de imigrantes são fechadas e não substituídas, é apontada por historiadores como uma das causas de redução da escolaridade no Estado.

- Em Santa Catarina, naquele período, os Ramos rivalizavam com os Konder, que tinham base em Itajaí, e se alternavam no poder. O maior apoio dos Konder estava no Vale do Itajaí, região que sofreu com a política de perseguição aos imigrantes.

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