Está marcado para 14 de março na Câmara de Vereadores de Imbituba o júri popular de Matheus de Ávila Silveira, 24 anos. Réu confesso, ele degolou o indiozinho Kaingang Vitor Pinto, 2 anos. O crime ocorreu em 30 dezembro de 2015, no momento em que o menino estava no colo da mãe, embaixo de uma árvore, próximos da rodoviária da cidade. 

Inicialmente, Matheus ficou detido na Unidade Prisional Avançada de Imbituba. Depois foi levado para o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, em Florianópolis. Teve diagnóstico de síndrome de Borderline, um transtorno de personalidade, e alegou à polícia ter praticado o crime por questões religiosas. Conforme depoimento ao delegado Raphael Giordani, de Imbituba, Teria sido orientado por uma entidade espiritual a sacrificar uma pessoa com grande repercussão. Isso abriria os caminhos e lhe traria notoriedade, inclusive, no campo profissional.

O processo tramita em segredo de Justiça. Matheus foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima). O assassinato teve repercussão no país, especialmente por entidades que defendem os direitos dos índios. Jornais com sucursais no Brasil noticiaram o crime para outros países.

Mãe achou que aproximação era para fazer um carinho no filho

A arma do crime foi um estilete. Conforme Sônia da Silva, mãe da criança, ao ver que o homem se aproximava do rosto do menino ela pensou que ele iria fazer um carinho no filho. Seguindo a tradição, a família Kaingang tinha vindo da aldeia Condá, no Oeste do Estado, para vender artesanato no litoral catarinense. Naquela manhã quente, a mãe ficou com o pequeno descansando enquanto o pai se afastou para oferecer os cestos de vime em ruas próximas.

Na aldeia Condá, há muito expectativa com relação ao júri marcado para a partir das 9h30min de 14 de março. A comunidade está mobilizada e quer estar presente em Imbituba. O Departamento Jurídico do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) está tomando providências para que de alguma forma isso possa ocorrer. 

Comunidade se mobiliza para estar presente

Apesar dos indicativos de que a defesa tentará desconstruir a ideia de que foi um crime com motivação étnica, a família e lideranças questionam o motivo do assassino ter escolhido justamente uma criança índia. 

De acordo com o pai do menino, Arcelino Pinto, nada trará o filho de volta. Mas acredita que a presença dos Kaingang poderá ajudar que seja feita justiça. Além disso, reforçar junto aos não brancos que as famílias têm o direito de sair das aldeias com suas crianças sem que sejam vítimas de preconceito ou mesmo sacrificadas.


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