O que dizem os países que são contra e os que são a favor do ataque americano à Síria US NAVY/AFP

Foto: US NAVY / AFP

Assim que anunciou o bombardeio de uma base aérea síria, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convocou "todos os países civilizados" a atuar juntos contra o regime de Bashar al Assad. Trump afirmou que partiu do regime o "horrível ataque com armas químicas contra civis inocentes" na terça-feira, contra a localidade de Khan Sheikhun. 

A ação americana recebeu apoio de países como a Alemanha, os Emirados Árabes e o Bahrein, mas também críticas de governos como o da Rússia.

Em comunicado, o regime sírio afirmou que "o que os Estados Unidos fizeram não passa de um comportamento tolo e irresponsável, o que apenas revela sua visão míope a curto prazo e sua cegueira política e militar a respeito da realidade".

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Veja o que já foi dito sobre o ataque dos Estados Unidos contra a Síria:

Rússia qualifica ataque dos EUA como "agressão a estado soberano"

O presidente russo, Vladimir Putin, considerou o bombardeio dos Estados Unidos contra a Síria como uma "agressão contra um estado soberano", baseada "em pretextos inventados".

— O presidente Putin considera que os bombardeios americanos contra a Síria são uma agressão a um estado soberano, que violam as normas do direito internacional — declarou o porta-voz do Kremlin Dmitri Peskov, afirmando que a ação foi baseada em "pretextos inventados".

Os Estados Unidos afirmam que horas antes do bombardeio informou o governo russo da ação contra a Síria.

Além da crítica, o governo russo indicou que está suspendendo o acordo que tinha com os EUA de coordenar ações militares na Síria para evitar qualquer tipo de choque entre aeronaves que estejam sobre o espaço aéreo do país em conflito.

A Rússia solicitou ainda uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU sobre o ataque dos Estados Unidos.

"Pedimos ao Conselho de Segurança da ONU uma reunião urgente para discutir a situação", afirma o ministério russo das Relações Exteriores em um comunicado.

Alemanha diz que ataque é "compreensível"

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que os ataques americanos contra a Síria são "compreensíveis", levando-se em consideração o sofrimento dos civis sírios.

— Diante da dimensão dos crimes de guerra, do sofrimento de pessoas inocentes e da obstrução no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o ataque dos EUA é compreensível — disse Merkel a uma plateia de voluntários para prestação de serviços a refugiados, em Berlim.

Segundo Merkel, o ataque dos EUA foi "limitado e direcionado" e é necessário encontrar uma solução política para o conflito na Síria.

— É importante fazer todos os esforços nas conversas políticas no Conselho de Segurança e em Genebra para garantir uma transição política na Síria e o fim democrático do regime al-Assad — disse Merkel.

França diz que al-Assad tem plena responsabilidade do ataque dos EUA

O presidente sírio Bashar al-Assad tem "a plena responsabilidade" do ataque dos Estados Unidos contra uma base aérea do governo da Síria, afirmou o presidente da França François Hollande em um comunicado assinado junto com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

Irã acusa os EUA de usar de "falsas alegações" 

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, acusou os Estados Unidos de utilizar "falsas alegações" para atacar a Síria e de estar "do lado" dos grupos Al-Qaeda e Estado Islâmico.

— Os Estados Unidos ajudaram (o ex-presidente iraquiano) Saddam Hussein a usar armas químicas contra o Irã nos anos 1980. Depois disso, usaram de falsas alegações quanto a armas químicas para atacar o Iraque em 2003 e agora a Síria — tuitou Zarif, cujo país é aliado do regime de Bashar al-Assad.a

— Menos de duas décadas depois do 11 de setembro, os militares americanos lutam ao lado da Al-Qaeda e do Estado Islâmico no Iêmen e na Síria — acusou, em uma segunda mensagem no Twitter.

Japão ao lado dos EUA

O Japão apoiou a "determinação" dos Estados Unidos. O primeiro-ministro Shinzo Abe considerou que o bombardeio americano "tem como objetivo evitar o agravamento da situação".

Emirados Árabes oferecem apoio aos EUA

Os Emirados Árabes Unidos, que hospedam cerca de 4 mil soldados americanos, disseram que os EUA têm seu "total apoio". Anwar Gargash, ministro de Relações Exteriores, elogiou a "decisão corajosa e sábia" de Trump.

Bahrein classificou ação americana como "necessária"

O Bahrein descreveu o ataque áereo dos EUA como "necessário para parar o derramamento de sangue" na guerra na Síria. O Bahrein hospeda uma frota da Marinha dos EUA.

Reino Unido diz que EUA deu "resposta apropriada" ao regime sírio

O governo britânico "apoia completamente" o ataque dos Estados Unidos. Os bombardeios são "uma resposta apropriada ao ataque bárbaro com armas químicas cometido pelo regime sírio", declarou um porta-voz de Downing Street.

Turquia pede mais medidas

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, comemorou o ataque americano, mas afirmou que a ação não é suficiente e pediu mais medidas. 

— Quero dizer que celebro este passo concreto como algo positivo — disse Erdogan, que é opositor ao regime sírio. —Isto é suficiente? Eu não acredito que seja suficiente (...) Chegou o momento de adotar ações que tenham resultados para proteger o oprimido povo sírio — completou o presidente em um discurso na cidade de Antakya, próxima da fronteira com a Síria.

O porta-voz do presidente Erdogan, Ibrahim Kalin, já havia chamado o bombardeio americano de "resposta positiva aos crimes de guerra do regime de Assad".

Israel também apoia Trump

Israel manifestou seu apoio aos Estados Unidos considerando que trata-se de uma "mensagem forte" que deve ser ouvida por Irã e Coreia do Norte. Aliado dos Estados Unidos, Israel acompanha com atenção a guerra na vizinha Síria, com a qual se mantém oficialmente em guerra. O regime sírio tem o apoio dos rebeldes do Hezbollah libanês e do Irã, dois inimigos de Israel.

Para Arábia Saudita, EUA teve "decisão corajosa"

Já a Arábia Saudita classificou a ação dos EUA como uma "decisão corajosa". Para o Ministério das Relações Exteriores do país, o lançamento dos mísseis foi a resposta certa aos "crimes deste regime contra o seu povo à luz do fracasso da comunidade internacional para detê-lo".

Austrália dá "forte apoio" aos EUA

Um dos primeiros países a se pronunciar sobre o ataque, a Austrália dá "forte apoio à resposta rápida e justa dos EUA". 

De acordo com o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, a retaliação "envia uma mensagem forte ao regime de Assad e foi conduzida no mesmo espaço aéreo em que aconteceu o ataque químico".

— Mas nós não estamos em guerra com a Síria — ressaltou.

União Europeia trabalhará com os Estados Unidos

 — Os bombardeios americanos na Síria ilustram uma determinação necessária contra os bárbaros ataques químicos. A UE trabalhará com os Estados Unidos para colocar fim à brutalidade na Síria — disse o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

China pede que se evite a deterioração da Síria

O tema da Síria invadiu a cúpula informal que ocorre entre o presidente americano Donald Trump e seu colega chinês, Xi Jinping, na Flórida. 

A reação de Xi não foi divulgada, mas a China se alinhou a Moscou sobre a situação na Síria, negando-se a punir o regime de Assad. Após o bombardeio, Pequim pediu calma e apelou por "evitar uma nova deterioração da situação" na Síria.

A porta-voz da chancelaria chinesa, Hua Chunying, disse que "estamos profundamente abalados" pelo ataque a Khan Sheikhun, "o qual condenamos firmemente (...) Somos contrários ao uso de armas químicas, por parte de qualquer país, organização ou indivíduo, e independentemente das circunstâncias e do objetivo".

Pequim parece querer demonstrar que a cúpula de Xi com Trump se desenvolve de forma leve: pouco depois do anúncio do ataque, a agência chinesa informou que Trump havia aceitado um convite para visitar o gigante asiático neste ano.

Canadá diz que apoia americanos

 — O Canadá apoia totalmente o ataque limitado e focado dos Estados Unidos para degradar a capacidade do regime de Bashar al Assad de lançar ataques com armas químicas contra civis —  afirmou o primeiro-ministro Justin Trudeau.


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