Diretor da JBS entrega anotações sobre suposto repasse de R$ 30 milhões para Michel Temer Valter Campanato/Agência Brasil

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

O diretor de Relações Institucionais da holding J&F, Ricardo Saud, entregou no seu acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República uma série de planilhas e anotações relacionadas a supostos repasses das empresas do grupo para o presidente Michel Temer. Em uma das anotações, Saud elenca cinco repasses atrelados a Temer que somam R$ 30 milhões.

Para os investigadores que trabalharam em inquéritos sobre a JBS, a atuação de Saud era indispensável para a inserção e aproximação de diretores da JBS no meio político. O diretor da empresa é visto como o "Cláudio Melo Filho" da holding J&F. Melo Filho é ex-diretor da Relações Institucionais da Odebrecht e assinou acordo de colaboração premiada no qual relatou o pagamento de propina para diversos políticos.

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O primeiro repasse, de acordo com a anotação, teria sido de R$ 15 milhões e não está apontada qual a data em que foi efetuado. Na frente do valor está a anotação: "A pedido Edinho PT".

O segundo, de R$ 9 milhões, também não explicita a data e está atrelado ao "Diretório Nacional do PMDB".

O terceiro pagamento, de R$ 2 milhões, aparece com a data de 29 de agosto de 2014 e é acompanhado da seguinte frase: "Campanha Paulo Skaf, autorizado por Temer, pagar para empresa JEMC, escritório de consultoria de Duda Mendonça, publicitário do mesmo". Como prova deste repasse, o diretor ainda juntou uma cópia da nota fiscal do pagamento à empresa de Duda Mendonça.

O quarto pagamento, cuja data foi apagada e no valor de R$ 3 milhões, está acompanhado na anotação do seguinte apontamento: "Temer pede para repassar a Eduardo Cunha. Valor entregue em espécie no Rio de Janeiro".

Por último, repasse de R$ 1 milhão teria sido efetuado no dia 2 de setembro de 2014. Ao lado do valor e da data, segue a anotação: "Temer pede para entregar ao Sr Yunes. Florisvaldo entregou o valor em espécie".

Outro que aparece nos documentos é João Baptista Lima Filho, amigo do presidente Michel Temer. Coronel da Polícia Militar aposentado, ele é dono da Argeplan Arquitetura e Engenharia, empresa que faz parte de um consórcio que ganhou concorrência para executar serviços relacionados à usina de Angra 3 – cujas obras são investigadas na Operação Lava-Jato.

Ao material entregue à PGR, Ricardo Saud juntou documentos relacionados a Argeplan, de Lima Filho. Em um desses documentos com os endereços da Argeplan, Saud faz uma anotação a caneta na qual diz: "Endereço onde Florisvaldo entregou dinheiro do MT". Florisvaldo Oliveira é funcionário do grupo J&F e também assinou acordo de colaboração.

Defesas

A reportagem procurou os citados e aguardava resposta com posição sobre os fatos abordados até as 16h50min.

Na quarta-feira, dia 17, o presidente Michel Temer divulgou a seguinte nota: 

"O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar.

O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República.

O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados."

* Estadão Conteúdo

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