Governo quer desconstruir delator e anular provas DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Foto: DIDA SAMPAIO / ESTADÃO CONTEÚDO

Após o presidente Michel Temer afirmar que não renunciará e destacar que não tem medo de delação, o governo agora vai trabalhar para desconstruir a imagem do delator Joesley Batista e tentar anular as provas que culminaram com a abertura de inquérito contra o presidente pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A iniciativa capitaneada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, de pedir perícia nos áudios divulgados na quinta-feira (18) é a principal aposta do governo para desconstruir as provas. Interlocutores do presidente destacam que "é grotesco" e "evidente" que as gravações foram editadas pelo delator.

— Que prova é essa? Como podem por meio de uma prova forjada afetar o país e a economia desta maneira — disse uma fonte do Planalto.

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O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência pediu que fossem feitas perícias nos áudios e vai capitanear a iniciativa com o argumento de que grampear um presidente da República em sua residência é um "crime grave". A argumentação será a de que as provas foram forjadas e devem ser invalidadas.

A ideia inicial da estratégia partiu do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, que já vinha expondo a tese de que a legalidade das fitas precisavam ser verificadas.

A avaliação foi tomada antes de o STF tornar público os inquéritos abertos com base na delação de Joesley para o Ministério Público Federal.

Trechos

Na avaliação feita internamente no Planalto há pelo menos duas partes da gravação apresentada pelo delator, entre os minutos 6 e 12, que apontam para uma adulteração justamente no momento em que a conversa trata do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quando há entradas "abruptas da fala do presidente". Em outro ponto, por volta do minuto 30, há na avaliação do governo que houve um corte evidente no diálogo.

Inicialmente o governo fará essa perícia particular por uma "questão natural para a defesa do presidente". Apesar disso, segundo uma fonte, a publicidade desta perícia ou algum pedido formal de questionamento no STF ou na PGR será uma estratégia ainda a ser avaliada. 

— É um dever de oficio para a questão de defesa, mas entre fazer a perícia e divulgá-la há uma lacuna — diz uma fonte, ponderando que uma das ideias é "aguardar o noticiário do fim de semana".

Uma tese que interlocutores do presidente defendem é que o resultado da divulgação dos áudios não foi a bomba esperada. 

— A própria sociedade já está desconstruindo as acusações, vendo que não tinha nas fitas e na conversa o que tinha sido vendido — observou um auxiliar de Temer.

As críticas a atuação do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal, apesar de cautelosas dentro do Planalto, vão na direção de que não se pode "brincar" com a figura do presidente e nem com a economia do país. A reação do mercado financeiro na quinta, segundo fontes do Planalto, não pode ficar sem uma resposta enfática do governo. 

— É no mínimo irresponsável considerar como prova uma gravação claramente adulterada — comentou uma fonte.

O mercado financeiro no Brasil não vivia um dia como a quinta-feira desde que o banco americano Lehman Brothers quebrou, em 2008, arrastando as bolsas de valores de todo o mundo. A delação de Joesley Batista que colocou Temer no meio de um turbilhão, fez com que a Bolsa brasileira recuasse 8,8%, pior resultado em quase nove anos. O dólar fechou em alta de 8,07% — o terceiro maior aumento da história do real.

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