Tal qual em abril, quando o teor da colaboração premiada de executivos da Odebrecht envolvendo o nome de Raimundo Colombo (PSD) veio à tona na Operação Lava-Jato, novamente o governador evitou a imprensa no dia em que seu nome voltou a ser citado como recebedor de dinheiro não contabilizado para campanha eleitoral, dessa vez pela JBS. 

Debaixo de chuva, durante mais de quatro horas, a reportagem fez plantão nesta sexta-feira em frente à Casa d' Agronômica, em Florianópolis, na tentativa de questionar o governador sobre pontos da delação que não são explicados por ele nos pronunciamentos oficiais: uma nota e um vídeo de 37 segundos. Nas respostas à sociedade, divulgadas pela assessoria de imprensa, ele apenas desmente as declarações de Ricardo Saud, diretor da JBS, e garante que as doações da empresa para a campanha foram legais. 

Upiara Boschi: As sutis diferenças nas delações da JBS e da Odebrecht sobre Colombo

De acordo com um policial militar que trabalha na residência oficial do governador e de um assessor próximo, Colombo estava na Agronômica enquanto a reportagem permanecia em frente ao portão principal. Preferiu, contudo, se manifestar sem ser confrontado com perguntas sobre a afirmação do delator de que a Casan estaria novamente no centro dos encontros entre executivos e membros do governo, sua relação com o dono da JBS, Joesley Batista, e o processo de venda da Seara para o grupo empresarial de Joesley em 2013, ano em que o delator Saud afirma ter acontecido o pagamento de propina ao pessedista.

O entra e sai de veículos na residência oficial não foi muito diferente de outros plantões feitos pela reportagem no local em dias de citações ao governador na Lava-Jato. Nenhum secretário de primeiro escalão foi flagrado nas entradas e saídas pelo único portão de acesso de veículos ao palácio do governo. Poucos pararam para conversar e os que fizeram avisavam "ele não está aí". 

Após duas horas parados em frente à guarita blindada da entrada, um policial militar pediu que nos retirássemos do local porque não poderíamos permanecer dentro dos limites da residência oficial. A ordem era do chefe da segurança, e nem o argumento de que em outras ocasiões a reportagem fez plantão ali adiantou. 

Às 18h30min, um veículo trouxe as marmitas que os policiais em serviço na residência oficial iriam jantar. O movimento no palácio então diminuiu consideravelmente e, já sem esperanças de ouvir o chefe do poder executivo estadual, a reportagem deixou o local aguardando uma nova oportunidade de entrevistar e questionar Colombo sobre as acusações que recaem sobre ele. 

Confira a declaração do Governador Raimundo Colombro sobre delações da JBS:

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