Se Temer continuar, país pode voltar à recessão EVARISTO SA/AFP

Foto: EVARISTO SA / AFP

As turbulências de ontem deixaram claro que o melhor caminho para o Brasil será a saída rápida do presidente Michel Temer do cargo. Se ele continuar, o tênue crescimento de 0,5% projetado para este ano pode dar lugar ao terceiro ano de recessão. Se insistir em continuar, estará repetindo o que a presidente Dilma fez e prolongou a crise ano passado. Lideranças empresariais, sindicais e o próprio mercado sinalizam que o país precisa de um governo ético imediatamente. Uma prova disso foi o aprofundamento da queda do Ibovespa na tarde de ontem após a declaração de Temer que não iria renunciar enquanto a expectativa era de que anunciasse sua saída. 

O presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), Glauco José Côrte, afirmou que a economia vai sofrer um impacto porque a crise é muito grave. 
- Mas nós temos é que agir proativamente. Cada um fazendo a sua parte. Por isso o apelo e o convite que nós fazemos aos industriais de Santa Catarina. Vamos continuar trabalhando firme – disse Côrte, que está à frente da Jornada de Inovação da Indústria, evento que se encerra hoje.

O presidente da Federação das CDLs (FCDL-SC), Ivan Tauffer, opinou na mesma linha. Antes de receber convidados para a Convenção Estadual dos Lojistas, que abriu ontem à noite, ele disse que o Brasil tem que ser passado à limpo, tem que se apurar tudo e recomeçar um novo país.

- Mas estamos chamando atenção para os nossos empresários se preocupem com Santa Catarina, um Estado diferente. Nós queremos resolver a economia dentro do Estado. Não vamos parar por causa da crise – afirmou.

Na opinião do presidente da Federação de Agricultura do Estado (Faesc), José Zeferino Pedrozo, o momento do país é muito grave e a torcida é que se encontre uma saída o mais rápido possível.

-O Brasil não pode continuar mais tempo com situação dúbia. Esperamos que a Justiça encontre uma saída imediatamente. É uma pena que o país sofra mais esse revés – comentou.

Para ele, o cenário econômico piorou bastante com essa crise e o país vai demorar mais para retomar o crescimento econômico, apesar da importante ajuda do agronegócio. 

Líder sindical cobra pressa
O presidente Michel Temer precisa ser afastado imediatamente e o país tem que realizar eleição direta para a escolha de um nome ético. Essa é a posição de Oswaldo Mafra, presidente da Força Sindical em SC, entidade que representa mais de 700 mil trabalhadores no Estado, incluindo os metalúrgicos, do setor de alimentos e de diversos segmentos de serviços. 

Crise e emprego
Para Oswaldo Mafra, presidente da Força Sindical em SC, é importante resolver a crise rápido para que os investidores voltem a ter confiança no Brasil, a investir e gerar empregos. Ele destaca que Itajaí, em função da crise da Petrobras, perdeu 6 mil empregos na indústria naval e ainda não recuperou essas vagas. Ao invés das reformas trabalhista e da previdência, ele defende a tributária.  

Ações de empresas de SC caem 
O dia de pânico ontem derrubou as cotações de ações brasileiras e as de SC derreteram junto, tanto no Brasil quanto na bolsa de Nova York, onde atuam com ADRs. O índice principal da BM&FBovespa caiu 10,47%, com direito a "circuit breaker" (suspensão dos negócios) e fechou em -8,8%. Levantamento da Clamber Investimentos, afiliada da XP em Florianópolis, no final da manhã, apurou que as ações empresas de SC que mais variaram foram as de energia. Os papeis da Engie recuaram -13,65% no Brasil e -0,13 em Nova York. Os da Celesc caíram -12,22% e os da BRF tiveram queda de -5,60% no Brasil e -11,96% em Nova York. A JBS, protagonista da crise e que tem forte atuação no Estado, registrou queda de -23,20% em Nova York e de -12,32% no Brasil. As ações da Tupy caíram -8,85% e da WEG, -5,89%. 

E no fim do pregão
No final do pregão, a JBS fechou com -9,68%, Engie -5,22%, Celesc -4,8%, BRF -1,82%, Tupy -6,54%, Cia Hering -11,98% e Schulz -9%. Vale observar que quase sempre que há uma crise, os papéis de empresas de energia sobem ou não caem porque funcionam como hedge (seguro), mas desta vez eles recuaram também. O mercado está vendo crise econômica nos próximos meses, com queda de consumo e investimentos.  

Exportação, inovação e medalhas
Depois de debater estratégias para crescer nas exportações e caminhos para inovar sempre, a Fiesc encerra a sua Jornada de Inovação, hoje, homenageando industriais e o governador Raimundo Colombo com medalhas do mérito industrial. Os contemplados serão Ademar Sapelli, Álvaro Weiss, Carlos Rodolfo Schneider, José Samuel Thiesen, além do governador Raimundo Colombo, receberão a comenda estadual. Ingo Fischer receberá a comenda da CNI. No painel sobre exportação, a assessora sênior do diretor-geral da OMC, Tatiana Lacerda Prazeres, falou das prioridades da OMC e disse que um dos planos é aumentar a participação das pequenas empresas no comércio internacional. Também participaram o diretor da CNI, Carlos Abijaodi, o secretário do Ministério de Desenvolvimento Abraão Árabe Neto e Maria Teresa Bustamante, presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc. 

Acompanhe as publicações de Estela Benetti


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