O congressista conservador Steve Scalise, baleado nesta quarta-feira (14) perto de Washington em um incidente que também deixou quatro feridos, foi submetido a uma cirurgia e se encontra em estado "crítico" - informou o hospital onde ele está internado.

Scalise, 51 anos, "ficou gravemente ferido, e seu estado é crítico", relatou a direção do hospital no Twitter.

No tiroteio, também foram feridos um agente de segurança, o assessor parlamentar Zack Barth e um lobista identificado como Matt Mika, que se encontra em estado muito grave no hospital da George Washington University. Outro agente ficou machucado, mas não está baleado.

O atirador, identificado pela imprensa americana como James Hodgkinson, de 66 anos, foi ferido no local e faleceu horas depois.

"Esta manhã, um atirador abriu fogo contra integrantes do Congresso e seus auxiliares quando treinavam para a partida anual (de beisebol) que seria disputada (na quinta-feira) em benefício de entidades de caridade", informou o presidente Donald Trump.

"As autoridades continuam investigando este crime e o agressor morreu em razão dos ferimentos (...) muitas vidas poderiam ter sido perdidas sem os atos heroicos de dois policiais que colocaram o atirador fora de combate", declarou o presidente.

No início da noite, Trump e sua mulher, Melania levaram flores ao hospital onde o político foi operado.

O ataque aconteceu quando vários legisladores do Partido Republicano terminavam o treino em Alexandria, subúrbio de Washington.

Segundo o FBI, dois agentes do Capitólio acompanhavam Scalise no momento do ataque, e foi a dupla que matou o atirador.

"Ele teria matado todo o mundo se não fossem os policiais", segundo o senador Rand Paul ao canal CNN. "Sem eles, teria sido um massacre".

Extrema violência

Residente do estado de Illinois, James Hodgkinson expressava no Facebook sua simpatia por Bernie Sanders, ex-candidato nas primárias democratas e líder da esquerda dos Estados Unidos.

"Trump é um traidor. Trump destruiu a nossa democracia. Chegou a hora de destruir Trump e companhia", escreveu em março o suposto atirador em sua página no Facebook.

Suas fotos mostram um homem forte, de nariz achatado, barba e óculos escuros.

De acordo com a mesma página, James Hodgkinson era originário de Belleville, subúrbio de St. Louis. Segundo sua esposa, citada pela emissora ABC, o homem havia se mudado há dois meses para Alexandria, cidade do estado da Virgínia, onde o ataque aconteceu.

Em razão do incidente, todas as plenárias previstas no Congresso foram canceladas.

Os parlamentares relataram uma cena de extrema violência, com dezenas de balas disparadas. O tiroteio só terminou com a resposta dos oficiais da segurança do Capitólio.

O tiroteio aconteceu por volta das 07H00 (8H00 de Brasília) no Eugene Simpson Stadium Park, onde a equipe de beisebol republicana treina há semanas para a partida organizada anualmente desde 1909 entre um time republicano e um democrata. O evento deste ano estava previsto para quinta-feira.

"Estava no campo, ouço um 'bam', me viro e vejo um fuzil na terceira base. Ouvi outro 'bam' e me dei conta de que se tratava de um atirador. No mesmo momento, ouço Steve Scalise gritar. Foi atingido. A arma era semiautomática e o atirador prosseguiu disparando contra várias pessoas", contou o parlamentar do Alamana Mo Brooks à CNN.

O senador republicano Jeff Flake, que estava no local, confirmou que foram disparados mais de 50 tiros durante o incidente.

'Ato desprezível'

As primeiras informações indicam que Hodgkinson participou como voluntário na campanha de Bernie Sanders no ano passao.

"Fui informado que o atirador (...) é alguém que aparentemente foi voluntário em minha campanha eleitoral. Estou enojado por este ato desprezível", declarou o senador Sanders em um comunicado.

"A violência de qualquer tipo é inaceitável em nossa sociedade, e condeno esta ação nos termos mais enérgicos possíveis", acrescentou.

Steve Scalise, de 51 anos, é o "Whip" da Câmara, isto é, o número três na hierarquia da Câmara baixa do Congresso, encarregado da disciplina partidária.

Representando um colégio eleitoral da Louisiana, encarna a ala conservadora do partido, o Tea Party, e se juntou à equipe de direção da Câmara em 2014 em um esforço de síntese.

Ardente defensor da ortodoxia conservadora, tanto em questões religiosas quanto sobre a legislação das armas, Steve Scalise havia sido alvo de uma polêmica em dezembro de 2014, após a revelação de um discurso em 2002 perante um grupo supremacista branco, quando era eleito local.

Na época do escândalo, lamentou o discurso e recebeu o apoio dos seus colegas.

Segundo o senador Rand Paul, que também estava no campo no momento do tiroteio, Steve Scalise, ferido, caiu no chão depois de ser atingido em uma tentativa de escapar do atirador, que continuou a atirar contra várias pessoas.

Os congressistas são protegidos pela polícia do Capitólio quando estão no perímetro da sede do Congresso, mas autoridades como Steve Scalise costumam andar cercadas por guarda-costas, o que explica a presença de dois deles nesta quarta-feira de manhã.

Segundo o chefe da polícia de Alexandria, três policias locais chegaram no estádio em três minutos.

O senador Jeff Flake disse à imprensa que viu o atirador, um homem branco vestindo uma camiseta azul. "O atirador foi atingido, acredito que está vivo", disse ele.

O ataque faz lembrar a tragédia de janeiro de 2011 em Tucson, Arizona, quando um homem desequilibrado atirou, no estacionamento de um supermercado, contra uma congressista democrata, Gabrielle Giffords.

Ela levou um tiro na cabeça, mas sobreviveu com graves sequelas, enquanto seis outras pessoas foram mortas naquele dia.

"Estamos profundamente entristecidos com essa tragédia", afirmou Trump em uma declaração, acrescentou que está acompanhando de perto o desenvolvimento do caso.

"Nossos pensamentos e orações estão com os membros do Congresso, suas equipes, a polícia do Capitólio e todos os afetados", acrescentou.

* AFP

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