Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

No "Dia S", em que a NSC Comunicação promoveu uma mobilização para debater a segurança pública, as jornalistas Mayara Vieira e Talita Rosa, da NSC TV, e Cristian Weiss, do Diário Catarinense, conferiram algumas das principais declarações dadas nas entrevistas por autoridades ligadas à área.

Utilizando a metodologia adotada por diferentes iniciativas de fact-checking pelo mundo, as checagens confrontaram frases e números citados pelos entrevistados com dados e informações oficiais de órgãos com atuação na segurança pública. Para cada uma delas foi aplicada a chamada "etiqueta", que indica se a declaração é falsa (Não fecha), verdadeira (Exato) ou se há imprecisão (Não é bem assim).

Confira as checagens: 

"Nenhuma patrulha Maria da Penha foi criada em Santa Catarina por falta de recurso. Os municípios podem fazer o cadastramento, mas não há recurso para isso" 
João Paulo Kleinübing (PSD), deputado federal e coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense
 

Não fecha. 
A Polícia Militar confirmou que existe esse tipo de patrulha no Estado, sendo mais conhecida como Rede Catarina de Proteção à Mulher. Funciona em Florianópolis, Santo Amaro da Imperatriz e Chapecó (com o nome de Guardião Maria da Penha). Na ação, três soldados da PM, de preferência mulheres, fazem rondas todas as semanas nas casas das vítimas de violência. 

"Eu tenho a certeza em afirmar que o controle das unidades prisionais existe, que o sistema Ipen (de identificação e administração prisional) é alimentado e corretamente alimentado" 
Leandro Lima, secretário-adjunto da Justiça e Cidadania  

Não é bem assim. 
No início de agosto, a 9ª Promotoria de Justiça de Itajaí instaurou um inquérito por suspeitar que presos do Complexo da Canhanduba não estão sendo contados. A suspeita surgiu depois que agentes demoraram a perceber a morte de um detento há dois meses. Em Florianópolis, três processos, um do Ministério Público e dois da Justiça, apuram listas paralelas ao Ipen no Complexo da Agronômica para driblar a superlotação. 

"Joinville e Florianópolis tiveram um primeiro trimestre bem ruim, crítico (em questão de homicídios). As medidas foram sendo tomadas e foram estabilizando e hoje por exemplo, uma frequência que no primeiro trimestre era de quase uma morte a cada 1,3 dias, (está) em praticamente uma morte a cada seis, oito dias, sendo que Joinville chegou a passar 30 dias só com um latrocínio" 
Coronel Araújo Gomes, subcomandante-geral da Polícia Militar 

Não fecha. 
No primeiro trimestre, Joinville teve 40 mortes violentas e Florianópolis, 58. Dá uma média de uma morte a cada um a três dias. Mas, nos últimos três meses (junho, julho e agosto até agora) Floripa tem 22 casos e Joinville, 21. A média fica em uma morte a cada 3,7 dias — e não uma morte a cada seis ou oito dias. Além disso, Joinville todo mês registrou mais de uma morte violenta. O maior intervalo foi de 29 dias. Os dados são da própria Secretaria de Segurança Pública de SC. 

"Hoje está sendo criado no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) um projeto da ministra Cármem Lúcia, o Banco Nacional de Monitoramento de Prisões. Nós já temos um banco de prisões no CNJ, mas agora é um projeto mais audacioso que busca interligar todo o país com a história de cada pessoa que entra no sistema prisional. Não se nega que muitas vezes acontece de soltar aqui em SC uma pessoa que tem mandado de prisão lá no Amazonas. Nós não temos essa interligação" 
Cinthia Bittencourt Schaefer, desembargadora do Tribunal de Justiça de SC  
 
Exato. 
A assessoria do CNJ explicou que o projeto do banco de monitoramento está mesmo em fase de testes. Foi apresentado pela ministra Cármen Lúcia no início de agosto aos presidentes dos Tribunais de Justiça. O TJ-SC é um dos dois que estão testando a plataforma na prática. Em setembro, começa a formação dos servidores, mas assessoria não informou quando esse banco começa mesmo a funcionar efetivamente. 

"Essa questão de homicídios por exemplo. Nós temos uma média nacional de 8% só de esclarecimentos de homicídios. Em SC essa média varia conforme o ano, mas ela fica entre 60 e 70%, às vezes 75%. Então podemos dizer que temos um índice muito superior à média nacional" 
João Alexandre Acosta, promotor coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público 

Não é bem assim. 
Pelos dados da Polícia Civil de maio, 70% dos homicídios no Estado foram solucionados. Mas é impreciso fazer uma comparação com a média nacional, já que há dificuldade em encontrar informações atualizadas sobre o percentual de resolução de crimes no país. Dados mais antigos do Conselho Nacional do MP mostram que, dos inquéritos abertos no Brasil até 2007, 65% foram arquivados. Ou seja, 35% viraram denúncia na Justiça. Ainda que a média indicada por SC seja maior do que isso, não é possível ter certeza desse dado.

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